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23 agosto 2010

ESCRITURAS E DIFERENÇAS


O Globo – prosa & verso – Sábado 21 de agosto de 2010

[FILOSOFIA]
Escrituras e diferenças

Obra clássica de Derrida ganha sua primeira edição integral em português

A escritura e a diferença, de Jacques Derrida. Tradução de Perola de Carvalho, Maria Beatriz marques, Nizza da Silva e Pedro Leite Lopes. Editora perspectiva, 438 páginas. R$90,00

Rafael Haddock-Lobo



Em 1967, o filósofo francês Jacques Derrida lançava, ao mesmo tempo, três livros: "Gramatologia", "A escritura e a diferença" e "A voz e o fenômeno". Quando perguntado sobre qual seria sua primeira obra, ou como compreendermos a arquitetura de seus livros, o filósofo respondera que estes três livros remetem uns aos outros, numa espécie de labirinto que, mais tarde, caracterizaria o que hoje conhecemos sob o nome de "desconstrução" - termo cunhado para designar justamente o pensamento de Derrida.

Podemos então tentar compreender o impacto de uma obra inaugural como a de Derrida, que se apresenta, de uma só vez, com três grandes golpes na História da Filosofia. E um destes grandes golpes aparece agora pela primeira vez em português em versão integral: a editora Perspectiva reeditou a tradução de "A escritura e a diferença", numa edição revista e ampliada que inclui importantes artigos estranham ente excluídos das outras edições.

Se a edição anterior trazia artigos de Derrida sobre Freud, Artaud, Edmond Jabes, Husserl e sobre o estruturalismo, ou seja, sobre grandes nomes que inspiraram a escrita derridiana, ainda assim pecava por deixar de lado três grandes textos: "Cogito e história da loucura" (um debate com Foucault), "Violência e metafísica" (o primeiro grande ensaio filosófico sobre Lévinas) e "Da economia restrita à economia geral" (sobre Bataille). Podemos entender, com isso, que essa nova edição, fiel à francesa, retrata de modo bem mais justo o que pode ter sido a dimensão desta obra no final da década de 1960, travando não apenas um diálogo com a psicanálise, com as artes e com o estruturalismo, mas também com seus contemporâneos como Foucault e Lévinas, por exemplo.

Não é incomum vermos associados à ideia de "desconstrução" uma atitude negativa, de crítica mal-intencionada, de esvaziamento dos discursos. Ou mesmo, como se faz também para a noção de pós-modernidade, a indicativa de um discurso pouco rigoroso em que tudo é permitido, sem o menor critério de avaliação. Nesse sentido, para perceber o quão infundadas e ignorantes são estas críticas, um livro como "A escritura e a diferença" parece exemplar. Exemplar no estrito sentido de servir como exemplo do que é isto que se convencionou chamar de desconstrução, um pensamento que quer fazer justiça à singularidade de . cada pensamento, sem pretender reduzi-lo a fórmulas, sentenças ou sintagmas.

Exemplar, também, é esse vasto conjunto de autores que são nomeados no corpo da obra derridiana. Com isso, Derrida pretende mostrar que não é apenas uma a sua herança, que passeia por Nietzsche, Heidegger e Husserl, e nem apenas filosófica, pois indica também os nomes de Artaud, Lévi-Strauss, Saussure e Freud, entre outros. Com isso, o primeiro aspecto a se sublinhar é a assunção de que não há originalidade no pensamento, no sentido de que um pensador parte do nada e cria seu próprio sistema Cabe a ele então a tarefa de nomear sua herança, de mostrar o quão devedor é de cada pensamento, inaugurando o que podemos chamar de uma certa "ética da citação".

Mas isso não quer dizer que, então, cabe ao filósofo apenas repetir o que já foi dito, pois, como herdeiros, devemos sempre ir além de nossa herança. E isso justamente para sermos fiéis aos nossos mestres e não congelarmos seus pensamentos como algo já acabado - o que, para Derrida, seria matar nossos pais. Um exemplo maravilhoso disto é o artigo "Violência e metafísica" sobre o amigo e mestre Lévinas.

Derrida já dissera que Lévinas teria sido um dos grandes nomes da filosofia do século XX, e que, junto a Blanchot e a Heidegger, seria uma de suas principais fontes de inspiração, chegando a dizer que, "frente a um pensamento como este eu não tenho objeções". E este artigo publicado em "A escritura e a diferença", mas que data de 1964 marca uma recepção filosófica que pode ser vista como um marco nas leituras sobre Lévinas, que passa a adquirir uma dignidade filosófica que nenhum de seus contemporâneos, como Foucault e Deleuze, pareceu atribuir ao filósofo lituano. É, portanto, um texto de extrema homenagem, como atesta "Adeus a Emmanuel Lévinas", o discurso lido por Derrida no enterro do amigo e publicado décadas mais tarde - uma das mais belas obras da literatura filosófica.

Mas essa homenagem não deve se furtar à tarefa crítica que cabe à filosofia. E um dos traços de "Violência e metafísica" é a tentativa de mostrar o quanto Lévinas é devedor de Heidegger, de quem Lévinas declarava-se rival. E podemos perceber nesse movimento derridiano o que de fato é a atitude típica da desconstrução: se, por um lado, Derrida parece concordar com a crítica que Lévinas dirige a Heidegger, que é a base da fundamentação da ética levinasiana, por outro, ele pretende mostrar como estes argumentos de Lévinas estão sempre em uma certa dívida com Heidegger, pois têm sempre o filósofo alemão como ponto de partida.

Assim, enxergar Heidegger por detrás de Lévinas não é criticar Lévinas, mas sim deixar ver a herança que se encontra nas entrelinhas de seus textos. E esse tipo de argumento, que pode parecer antipático a alguns, mas que é uma certa tentativa de alargar a experiência democrática no pensamento, aparece em "A escritura e a diferença" também direcionada a Artaud, a Foucault, a Bataille e a tantos outros, tentando assumir não apenas as suas heranças, mas a de fazer marcar a diferença em cada escritura.

RAFAEL HADDOCK-LOBO é professor de filosofia da UFRJ, autor de ''Derrida e o labirinto de inscrições"

26 junho 2009

LEI, ESTADO E DESEJO


Quando se trata de aplicar a Lei a psicanálise não pode se excluir do cenário político. Por isso trago um pouco do seria essa questão no ponto de vista de Miriam Chnaiderman num texto de mesmo nome. “A herança teórica e política deixada por Lacan vem se prestando a usos que questionam a idéia, levantada por ele, de que a psicanálise é fundamentalmente ética.”

“Num encontro da Causa Freudiana, em Buenos Aires, Jacques Alain Miller, genro de Lacan, pede que a polícia invada uma livraria onde eram vendidas edições "piratas" dos seminários de Lacan. Segundo sua própria justificativa, quer ser fiel a um desejo de Lacan que lhe encarregou de cuidar da edição de todos seus textos. Na França, vários processos estão correndo devido à utilização de textos de Lacan ainda não publicados oficialmente.”

“Qual esperança faz com que Eduardo Mascarenhas e o saudoso Helio Pellegrino, após terem sido expulsos da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro devido às denúncias que fizeram no caso Amílcar Lobo (analista que colaborou na tortura nos anos da repressão), lutassem – até conseguirem – pela sua reintegração na instituição que denunciavam? “ Continue lendo no link acima.

Estes aspectos levantados têm por finalidade demonstrar o quanto uma denúncia tem importância dentro da psicanálise enquanto instituição. E como é necessária uma ação em conjunto para o estabelecimento da Lei, do Estado e do desejo. O cidadão carioca também pertence a uma instituição que é a cidade onde ele é um munícipe e elege pelo voto o seu dirigente.

A denúncia que se faz necessária refere-se ao Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) que esta sendo usado como um cruel e desumano instrumento do efeito confisco do patrimônio dos contribuintes, violando dispositivo expresso em nossa Constituição. O livro "IPTU Imposto para trambiques urbanos?" é de autoria do Professor Jorge Brenand que se diz um “jovem” com mais de oitenta anos de idade, nordestino de nascimento e carioca por adoção do modo de vida.

Repasso o texto “Os trambiques do IPTU na cidade maravilhosa” de João S. Magalhães, publicado no seu blog e que é aqui replicado, atendendo a sua própria solicitação.

Os trambiques do IPTU na Cidade Maravilhosa

Posted by João S. Magalhães

23 de junho de 2009

No Brasil, o dinheiro público já vem com o toque de Midas. Quem o manipula, geralmente vira milionário em pouco tempo.

Nesse sentido, os escândalos se sucedem. Abrem-se CPIs suspeitas, a imprensa (quando lhe interessa) divulga, mas, como já está comprovado, tudo termina em pizza.

Agora, vem à tona mais uma denúncia de peso: no Rio de Janeiro, o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) é usado como cruel instrumento do efeito-confisco do patrimônio dos contribuintes, violando dispositivo expresso em nossa Carta Magna.

Afirmação leviana? Acredito que não. Acabei de ler o livreto IPTU – Imposto Para Trambiques Urbanos? assinado pelo renomado jornalista e professor de Economia Jorge Brennand, sob a coordenação do Movimento Rio Cidade Legal (MRCL) e patrocinado pela nossa dinâmica Maçonaria.

Por meio de simples relações aritméticas, que qualquer mortal pode efetuar, Brennand demonstra que há mais de 1 milhão de ações executivas fiscais indevidas contra cidadãos comuns, o que gera um problema social assustador.

Brennand aponta ainda a existência de uma suposta classe de privilegiados que pouco ou nada pagavam do tributo, a exemplo de funcionários públicos e políticos locais.

“O IPTU no Rio corrói a sociedade e aniquila a cidadania”, dizem os coordenadores do Movimento Rio Cidade Legal, na apresentação do trabalho de Brennand.

Está marcada para a próxima terça-feira (30/06/2009) – o horário não foi confirmado ainda – o lançamento oficial do livro de Brennand.

O local não poderia ser mais apropriado: na Avenida Rio Branco, em frente à Câmara Municipal. A propósito, cada um dos vereadores receberá um exemplar para – talvez, contudo, todavia ou jamais – tomar providências sobre a matéria em questão.

Por enquanto, a publicação não tem preço de capa. Qem estiver interessado em adquiri-la, pode enviar uma mensagem para o e-mail do professor Brennand.

Em tempo: peço aos amigos da blogosfera que repiquem esse post em seus blogs. Será mais uma forma de pressão contra os desmandos das administrações públicas tupiniquins.

30 outubro 2008

CRIANDO MONSTROS


Eu não costumo publicar aqui qualquer coisa que recebo por e-mail, principalmente quando não tem um autor declarado.
No presente caso, não ter um autor é adequado. Cada um de nós pode se apropriar e ser o autor. Não digo autor do texto, mas autor do que ele apresenta. Fica, portanto, aqui um convite para que cada leitor possa tornar-se autor de um NÃO.
Por Rogério Silva


O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por… NADA?

Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental?

Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?

O rapaz deu a resposta: 'ela não quis falar comigo'. A garota disse Não, não quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um não.

Seu desejo era mais importante.

Não quero ser comparado como um desses psicólogos que infestam os programas vespertinos de TV, que explicam tudo de maneira simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros. Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o não da menina Eloá foi o único.


Em tempo:

Quando editei esse post não conhecia o autor, pois me foi enviado como tendo uma autoria anônima. Todos nós sabemos que, mesmo sem assinatura, um texto sempre tem autoria. Contudo a importância e relevância me levaram à publicação com a observação acima.

Agradeço a colaboração de Adriana, indicando que a autora do texto é Karina Cabral.

Para continuar lendo clique no link acima.

03 maio 2008

ECOS DO FREUD EXPLICA - SEGUNDO ANO


01 Maio 2008

DE AMORES E AMIZADES

UMA FÓRMULA QUE SE EXPANDE

(A Sigmund Freud e seu sonho inaugural)

A noite dos sonhos o convoca

aterrado, a pesar do que vê

os seus sonhos nos da fé

.

Uma boca que se abre

uma fórmula que se expande

e umas letras que se encontram

26 Abril 2008

ÉRAMOS TODOS NEGROS

O que Drauzio Varella traz é que só é possível identificar indivíduos com grandes semelhanças genéticas quando descendem de populações isoladas por barreiras geográficas que impediram a miscigenação. Isso é possível no mundo globalizado?

No ano passado, foi identificado um gene, SLC24A5, provavelmente responsável pelo aparecimento da pele branca européia.

Desse ponto de vista, vale fazer a perguntar, já posta, o quanto a "civilização" está interferindo com a "seleção natural", tendo em vista que características anti-sobrevivência continuam a aparecer (ex, hemofilia)?

21 Abril 2008

A FILA ANDA

Após esse relato, o tempo passou entrecortado entre frases curtas e muitos minutos de silêncio. Carlos suava muito e usava o lenço para enxugar o rosto e os olhos. Milton perguntou:

- Por onde anda o seu pensamento agora?

- A fila anda! Respondeu com a voz quase inaudível e ar de desânimo, e continuou: - O encontro com Natalie e tudo o que ela me contou. O meu casamento... A minha profissão... Aqui...

18 Abril 2008

SIMPLESMENTE

Quero de volta o viço.

De volta a potência.

Quero a visão.

A audição.

.

Ainda tenho o amor.

Tenho o carinho.

Paixão e a compaixão.

Não tenho muitas ilusões.

Nem medo da morte.

Correr, já não posso...

07 Abril 2008

A CURA DE SCHOPENHAUER DE IRVIN D. YALOM - O livro

Depois de ler “Quando Nietzsche chorou”, “Mentiras no divã” e “Carrasco do amor”, todos do mesmo autor, a gente já se familiarizou e aprendeu que, este psiquiatra de 76 anos, sempre encontra um jeito de se colocar nos seus textos, fazendo com que tenha um quê de autobiográfico.

O mais incrível, é que mesmo sendo um romance, seus livros parecem ensaios sobre o tema apresentado, trazendo aspectos técnicos e teóricos de psicoterapia alem do conhecimento dos filósofos. Mais incrível ainda quando se trata de grupos de terapia.

30 Março 2008

SÃO PAULO NO DIVÃ

O cientista cognitivo Keith Stanovich fez uma carreira do estudo da hipocrisia. Ele a vê como surgindo da incompatibilidade de tais coisas como o interesse próprio e os desejos com crenças de ordem mais alta na moralidade e na virtude. As únicas pessoas que não são hipócritas são a minúscula e talvez não-existente minoria que é tão santa que nunca se entregam a seus instintos mais básicos e o grupo maior que nunca tenta viver segundo os princípios da moralidade ou virtude. Ele dessa forma defende que os hipócritas são na verdade a classe mais nobre das pessoas. François duc de La Rochefoucoult tinha expressado alguns séculos antes uma opinião semelhante quando declarou que "a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude."

10 Março 2008

MAIS FORTE DO QUE DEUS

Eu ainda não havia examinado a contratransferência. Ainda não havia feito uma ligação direta entre a minha análise e a analise de Jorge, até o dia em que ele chegou arrasado, visivelmente em frangalhos e chorava copiosamente. Depois de alguns lenços para as lágrimas, ele perguntou:

19 Fevereiro 2008

O VALOR DA AMIZADE

Chaim marca a amizade como a possibilidade de diferenciação que ela oferece a si e ao outro. Ele se baseia em Freud para explicar como as mais fortes relações familiares existentes, são as que se fazem em torno da autoridade e da função paternas. O grupo familiar estabelece como cada indivíduo conhece seu lugar na estrutura de parentesco. Antes mesmo de nascer, já existem posições e escolhas determinadas, ao menos de filho. Amor e ódio ocupam lugares com figuras e objetos determinados para atingir.

15 Fevereiro 2008

ESCUCHA

Escucha, poeta de la permanencia, del cambio y del conflicto,

¿no es acaso la lengua como el río

y según el autor del Fedro y el Cratilo

las letras con sus formas, la arcilla del olvido?

.

Hosti el extranjero, metáfora que nace

y luego el enemigo

metáfora que muere, el léxico nos convence

y la memoria se oscurece

06 Fevereiro 2008

DEMOCRACIA E DESEJO DE VIOLENCIA

O caderno mais! da Folha de São Paulo desse domingo trás o artigo O soldado de Tocqueville onde o escritor Michel Houellebecq discute a democracia prevista pelo pensador francês, aborda a hegemonia cultural americana e faz uma defesa do futebol como antídoto ao "desejo de violência"

Deixando de lado a questão da hegemonia cultural Americana, me chamam mais a atenção as questões que tratam da democracia e do desejo de violência.

04 Fevereiro 2008

HÁ LIBERALISMO NA PSICANÁLISE?

A questão da eugenia no Brasil tem sido apresentada sob vários aspectos, alguns criaram “mal-estar” nos meios psiquiátricos, seja pelo tom acusador, seja pela injustiça cometida, e têm sido repetidos em sucessivos trabalhos universitários. A partir do livro de Jurandir, é citada a opção eugênica da Liga Brasileira de Higiene Mental, na década de 1930. Essa opção é explicada pelo autor como uma aproximação aos ideais nazistas da psiquiatria alemã. O fato de ter sido publicado nos Arquivos de Higiene Mental a Lei eugênica alemã de 1934 dá a impressão de reforçar as idéias do autor. Num período atribulado da história brasileira: a crise econômica de 1929, a revolução de 1930; a revolta constitucionalista de 1932; a revolta comunista de 1935 e a tentativa de golpe integralista de 1938. O Brasil vivia num período de afirmações totalitárias e convivia com a ditadura Vargas que tentava se equilibrar entre as forças em luta pelo mundo.

26 Janeiro 2008

OBESIDADE: UM PROBLEMA INSOLÚVEL?

De que se trata? Seu sintoma nos leva a pensar naquilo que, não pode ser nomeado, mas que se expressa em seu corpo. A idéia, porém, não é buscar o momento do surgimento do sintoma. O que se quer é preencher a sua memória dinamicamente, superando as resistências promovidas por aquilo que se tornou incompatível e inominável e, por isso mesmo, foi esquecido. Esquecer, aliás, é a tarefa de qualquer psiquismo. Essa amnésia funciona como uma lembrança encobridora - uma lembrança que esconde o que não pode ser lembrado. Todavia, repetir compulsivamente é a maneira que ele tem para "recordar".

17 Janeiro 2008

CHAIM SAMUEL KATZ TOMA POSSE NA ACADEMIA BRASILEIRA DE FILOSOFIA

O presidente da Federação Israelita, Sérgio Niskier, irá prestigiar a posse, dia 17, de Chaim Samuel Katz na Academia Brasileira de Filosofia. O psicanalista é o primeiro judeu a tomar posse na instituição presidida por João Ricardo Moderno. Na ABL, a colônia está representada por Arnaldo Niskier e Moacyr Scliar.

30 Dezembro 2007

ALEGRIA E FELICIDADE NA PSICANÁLISE

O que inviabiliza o processo da diferenciação. O desamparo como fatalidade é a negação da morte, é não aceitar a morte. Tem como conseqüência diminuir a busca da felicidade de viver, da alegria de viver. O que significa o desamparo? A experiência de que não existe nada que tenha a possibilidade de nos satisfazer. No Evangelho, conta-se que o Cristo foi tomar água e tinha uma mulher, uma samaritana que foi buscar água no poço. Cristo lhe pediu um pouco de água e ela disse: você é judeu, como está pedindo água a uma samaritana? Disse-lhe Cristo, é porque eu tenho uma outra água, água diferente dessa. Porque essa você bebe e depois tem sede. Eu tenho uma outra água, eu conheço uma outra água que quem bebe dela não tem mais sede. Isso significa essa diferença que quer marcar entre e água lustral, eterna, da vida eterna, significa excluir a morte, é a maneira do desamparo fatal. É a maneira de dar o desamparo fatal. Essa água lustrai é como se fosse a parada de qualquer diferenciação. Emanuel Carneiro Leão

14 Dezembro 2007

A ÉTICA EM QUESTÃO - Uva sem caroço ou psicanálise em penca

Entende-se que, muitas vezes uma análise está longe de ser pura ou linear. Nela, vários processos ocorrem simultaneamente e, conseqüentemente, sem perceber, o psicanalista violenta o método com o próprio processo, que comporta uma diversidade de técnicas psicoterapêuticas, ao mesmo tempo sem poder, predeterminar os caminhos possíveis que surgem a partir do encontro de dois inconscientes, e sem que isso, seja considerado um erro técnico ou pontos cegos do analista, desde que esteja permeado pela ética.

01 Dezembro 2007

O SEGUNDO HOLOCAUSTO

E a comunidade internacional? Precisamente: continua "espantada" e "chocada". Cuidado, gente: não é saudável tanto "espanto" e tanto "choque". E, além disso, não é necessário. As palavras de Mahmoud Ahmadinejad estão em perfeita sintonia com a retórica anti-semita que, diariamente, o mundo árabe vai produzindo para consumo interno e externo.

30 Novembro 2007

DECISÃO SOBRE DISCRIMINAÇÃO RACIAL

“a Comissão chama a atenção do governo brasileiro que a omissão das autoridades públicas em efetuar diligentemente e adequada persecução criminal de autores de discriminação racial e racismo cria o risco de produzir não somente um racismo institucional, onde o Poder Judiciário é visto pela comunidade afro-descendente como um poder racista, como também resulta grave pelo impacto que tem sobre a sociedade na medida em que a impunidade estimula a prática do racismo.”

13 Novembro 2007

GUARDIÕES DO TEMPO

A inglesa Judy Robbe, de 66 anos, mora em Belo Horizonte há 40 e trouxe para o Brasil a idéia de um testamento que começa a circular na Europa e nos Estados Unidos. O living will (desejo de viver) expressa como ela quer envelhecer e ser tratada quando não estiver mais lúcida, se isso acontecer no futuro. O documento é assinado por dois médicos e um tutor da família, indicado por ela. Abaixo, o testamento de Judy.



11 Novembro 2007

NORMAN MAILER FEZ DA AMERICA O SEU ASSUNTO

Norman Mailer era acima de tudo ambicioso. Ele declarou certa vez que queria escrever "um romance que Dostoiévski e Marx; Joyce e Freud; Stendhal, Tolstói, Proust e Spengler; Faulkner e até mesmo o velho Hemingway iriam querer ler".

01 Novembro 2007

SERÁ QUE A PAIXÃO PERTENCE AO OILIMPO?

Prometeu, prometeu aos humanos que iria ao Olimpo e roubaria o Fogo Sagrado dos Deuses e os daria aos mortais... para estes adquirirem o Poder Divino e se igualarem a eles.

Em retribuição deste roubo, os Deuses irados enviaram a Bela Pandora, segurando uma caixa, de presente aos humanos. Por curiosidade, abre-se a caixa para ver o que havia sido enviado do Olimpo. Será que tínhamos essa permissão? Qual foi a punição dada pelos deuses aos mortais?

21 Outubro 2007

MAIS DO QUE ELEMENTAR, MEU CARO WATSON

Apesar de ser negro, e de família pobre, Juliano Moreira em 1886, dois anos antes da abolição oficial da escravatura, entrou na Faculdade de Medicina da Bahia, formando-se aos dezoito anos, em 1891, e se tornando professor da Faculdade, onde se referia às idéias de Freud em sua cadeira.

Já em 1900 representou o Brasil em congressos internacionais: em Paris, neste ano, foi também eleito Presidente Honorário do 4º Congresso Internacional de assistência a alienados, em Berlim; também foi congressista brasileiro em Lisboa, em 1906; Milão e Amsterdã, em 1907; Londres e Bruxelas, em 1913.

02 Outubro 2007

FILÓSOFO ESLOVENO RESGATA A VOZ DE SUA FUGACIDADE

Mladen Dolar constrói uma teoria sobre a voz, objeto de estudo que escapa à descrição de muitas disciplinas.

Ele tenta mostrar que, ao lado das duas formas comuns de uso da voz a voz como portadora de significado e a voz como objeto de admiração estética existe um terceiro nível: o objeto voz, que não se dilui no ar após a transferência de significado, nem se fossiliza como monumento de adoração fetichista, mas se revela como ponto cego do chamado e como interferência na apreciação estética.

14 Setembro 2007

EU SEI, MAS MESMO ASSIM...

Diz Mannoni: “(…) é preciso que a crença sobreviva ao desmentido, embora ela se torne inapreensível, e que se veja dela apenas os efeitos completamente paradoxais. Este exemplo abriria todos os tipos de caminho: a utilização de falsas notícias com objetivos de propaganda, mesmo quando devem ser desmentidas, as promessas que não podem ser cumpridas, a psicologia da mistificação e dos impostores”.

”Eu sei, mas mesmo assim…” que é como Mannoni sintetiza esta posição de manter uma crença mesmo depois de ter um conhecimento que a invalidaria, atitude própria da recusa, pode ser detectada em muitos acontecimentos de nossa psicopatologia da vida cotidiana ligada às crendices, tipo horóscopo, cartomante, previsões do fim do mundo, loterias, tarôs, duendes, etc.

02 Setembro 2007

GAMADO

Com Freud ele pergunta "O que deseja a mulher?" e se pergunta também o que pode o homem? E é com essa interrogação que ele aponta as diferentes formas de gamar ou "tomber amoureux", literalmente "cair de amor" e a diferença sexual.

Tenta explicar as coisas, falando dos corpos, do desejo, do ciúme com relação ao pai, como uma maneira de organizar nosso desconhecimento.

28 Agosto 2007

PERSONALIDADES NARCÍSICAS

Nesta correspondência entre Freud e Jones, Freud descreve que se trata de uma paciente onde o mais importante é seu problema narcísico. "Nossa teoria não conseguiu dominar, todavia o mecanismo destes casos. Parece provável que a formulação de um ideal elevado e severo apareceu Numa idade muito jovem, mas este ideal foi represado, "recalcado" no começo da maturidade sexual e desde então trabalha na obscuridade. Sua [da paciente] liberdade sexual pode ser aparente, a manutenção da qual requer aquelas atitudes conspícuas e compensatórias como a arrogância, o comportamento majestoso, etc."

27 Agosto 2007

O TÉDIO

Vá ao circo senhor!

Talvez as liguinadas do palhaço

Que as multidões inteiras não cessam de aplaudir

Lhe arranquem a boa gargalhada e lhe façam sorrir

.

Já sei o meu doutor, que o mal é incurável!

Quem as multidões diverte a ri no Coliseu,

O riso que ele tem é um riso aparvalhado

Que a miséria encobre, um riso desgraçado

Esse palhaço sou eu.

15 Agosto 2007

RÉUS FEIOS TÊM MAIS CHANCES DE SER CONDENADOS

Réus feios têm mais chances de ser condenados, diz estudo

Jurados são mais rígidos com os feios, diz estudo

Pessoas feias têm mais chances de serem condenadas por júris populares do que pessoas bonitas, de acordo com um estudo realizado pela Universidade de Bath, na Grã-Bretanha.

09 Agosto 2007

"O SONHO" EM CARTAZ E NO DIVÃ

Na montagem da peça "O Sonho de Strindberg" conta-se a viagem de Inês, filha do deus Indra, à Terra, onde a mesma conhece os seres humanos e suas principais angústias e desilusões. Inês encontra durante a viagem o castelo, o oficial, a porteira, o advogado e outras personagens e com elas passa a experimentar toda sorte de situações e experiências vividas pela humanidade: do casamento à separação e da angustiante espera ao eterno recomeço.

02 Agosto 2007

ERNST INGMAR BERGMAN E MICHELANGELO ANTONIONI

Na minha opinião Bergman teve maior influencia para a psicanálise, pois os seus filmes lidam geralmente com questões existenciais como a mortalidade, a solidão e a fé. Um grande, no meu entendimento, um poeta da inquietação humana, da vida e da morte, da problemática relação entre o homem e a natureza. Da ausência de Deus, ou da omissão. As suas influências literárias vêm do teatro: Henrik Ibsen e August Strindberg.

12 Julho 2007

COMIDA É COISA DE BICHO

– A coisa vem quando eu acordo, e não é todo dia não, eu estou tomando uns calmantes, a ginecologista me deu uns remédios pra melhorar a coisa. A coisa aparece quando eu acordo, aí começa a me dar, sabe um troço dentro de mim, eu começo a me sentir mal, a me sentir com muito medo, a me sacudir inteira. Eu tenho pavor e acho que vou me atirar pela janela. Não sei nem como é que eu chamo isso, eu chamo a coisa; não sei como chamar isso. É a coisa que me dá; meus filhos ficam horrorizados, eles têm muito medo quando eu tenho a coisa. Eu não consigo controlar, só dá de manhã, quando eu acordo. De noite não dá, de noite eu fico satisfeita dentro de meu quarto, com ninguém me incomodando, então não tem problema. Mas de manhã, se eu bobear, a coisa vem.

06 Julho 2007

O INSUPORTÁVEL E O PODER SIMBÓLICO

Acredito que o que está em jogo é a investidura do poder simbólico que Pierre Bourdieu estuda nos interstícios da dinâmica dos processos de socialização para entender como eles incidem nas formas de transmissão favorecendo “condições estruturais de manutenção das desigualdades sociais”. Ele pretende demonstrar que há desde sempre uma relação de força. E desde sempre ela é tributária de uma permanente relação de poder.

03 Julho 2007

POLEMICA NAS UNIVERSIDADES

Os autores também indicaram John Rawls, um dos grandes formuladores e defensores contemporâneos de uma ordem democrático-constitucional que reconheça a possibilidade desse tipo de ação, que a define claramente: a desobediência civil é “um ato público, não violento, político porém consciencioso, contrário à lei e usualmente feito para produzir uma mudança na lei ou em políticas de governo”. Sendo pública, ela nunca é acobertada ou feita em segredo, mas ao contrário, é comparável a um discurso público ou a um modo de manifestação pública. Para ele essa é uma das razões de seu caráter essencialmente não-violento.

24 Junho 2007

ESTUDANTE DE MEDICINA ENTREVISTA O AUTOR DO BLOG FREUD EXPLICA

Se constituir, psicanalícamente falando, significa ter uma formação que minimamente possa ter passado pela formação teórica, uma análise pessoal e uma supervisão clínica. O psicanalista, é via de regra, chamado quando já se esgotaram as vias médicas e/ou religiosas sem que o paciente apresentasse uma remissão dos sintomas apresentados. A postura do Psicanalista diante de um paciente em crise, quaisquer que sejam as circunstâncias, deve ser, em primeiro lugar de acolhimento para que a crise encontre um lugar de fala e de escuta, em seguida propiciar que a transferência inaugure o "encontro" entre analista e paciente para que o tratamento aconteça. Daí a conseqüência depende do tempo de investimento pessoal.

15 Junho 2007

COMO NASCE UM PARADIGMA

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão.

30 Maio 2007

QUANTA COISA EXISTE E QUE NÃO PRECISO PARA SER FELIZ

O capitalismo de tal modo desumaniza o homem, que já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que nos revestem e os bens simbólicos que nos cercam é que determinam nosso valor social.

Somos seduzidos pela internet, pelas propagandas “delivery” e a sedução ganha seu supremo canal na compra pela internet e pelo telefone. Sem sair da cadeira o consumidor faz chegar à sua casa todos os produtos que deseja.

13 Maio 2007

A CIÊNCIA E A IGREJA AINDA EM DEBATE

Marcelo Gleiser argumenta: que fim mais digno pode ter um embrião condenado à destruição do que participar de uma pesquisa que tem o potencial de salvar milhões de pessoas? A escolha parece semelhante, ao menos em parte, à dos que doam seus órgãos para transplantes. Ao menos partes de seus corpos poderão ajudar aqueles em necessidade, em vez de apodrecerem sob a terra ou de serem cremadas.

07 Maio 2007

PRÓ-CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS

A posição de Mayana Zatz em defesa da pesquisa com células-tronco embrionárias não é pessoal e muito menos religiosa. A geneticista participou da audiência pública no STF como porta-voz da Academia Brasileira de Ciências, da qual é membro. Sua postura é a mesma defendida pelas academias de ciências de outros 65 países.

06 Maio 2007

CARTA AFETIVA

De resto, em termos científicos, você está no melhor caminho para se tornar autônomo. Prova disso são seus estudos sobre o ocultismo, que talvez, por esta ambição, venham sendo beneficiados por um excesso de zelo. Não se envergonhe de ter, na maior parte do tempo, a mesma opinião que eu e não exija de mim pessoalmente mais do que eu estou disposto a lhe conceder de bom grado. Devemos ficar contentes quando, excepcionalmente, uma pessoa consegue lidar sozinha consigo mesma. Você conhece seguramente o preceito: o que não é nosso por direito é Rebach.

ECOS DO FREUD EXPLICA - PRIMEIRO ANO

06 Maio 2006

APRESENTAÇÃO

Desde Freud, a Psicanálise tem sido alvo de discussão, tanto entre seus pares como entre outros grupos que desejam fazer dela uma fonte de prazer. Contudo a cultura contemporânea assimila de certa forma o discurso psicanalítico, como um modo de entender-se no mundo. Entender-se nas diferenças, promotoras de singularidade. No último fim de semana, como homenagem aos 150 anos do nascimento de Freud, o caderno Prosa & Verso do jornal O Globo publicou diversos artigos que discutem novos desafios para este legado que Freud nos deixou.

13 Maio 2006

LIVRO NEGRO PÕE FREUD NA FOGUEIRA

Mas Freud já antecipava esse debate quando afirmou: “Qualquer linha de investigação que reconheça esses dois fatos (transferência e resistência) e os tome como ponto de partida de seu trabalho tem o direito de chamar-se psicanálise, mesmo que chegue a resultados diferentes dos meus.” Freud, S. A história do movimento psicanalítico, E. S., Imago, Rio de Janeiro, 1914,vol XIV, p. 26

16 Maio 2006

TENDÊNCIAS SUICIDAS ?

Contudo, a Glaxo acredita que é “difícil concluir que haja uma relação de causa” entre o comportamento observado e o medicamento, e que os benefícios do tratamento superam qualquer risco. Por isso, afirmam, os dados devem ser interpretados com muito cuidado. Tendências suicidas? Nem Freud explica!...

24 Maio 2006

PAULICÉIA DESVIADA

Falar de uma semana de acontecimentos em São Paulo me vem logo à lembrança a Semana de Arte Moderna de fevereiro de 1922, cujo único óbito relatado foi o “atestado de óbito da arte dominante”. O academicismo plástico, o romantismo musical e o parnasianismo literário, receberam ali o golpe fulminante. Foi um ato de mudança que deu início a um período de livre experimentação e pesquisa na busca de uma arte nacional, resgatando a realidade brasileira e a sua atualização com as vanguardas européias. Um dos pontos de destaque daquela semana foi a criação de Paulicéia Desvairada, por Mario de Andrade.

28 Maio 2006

EREÇÃO, TER OU NÃO TER

Para quem já se deparou com a frase “isso nunca me aconteceu antes!”, é claro que o comprimido, que terá o nome de Helleva, será bem vindo, até porque o que se eleva trará satisfação para os parceiros na hora H, ou então corremos o risco de mais um fome zero, cujo resultado ninguém sabe, ninguém viu. Contudo, para o pesquisador Jorge Afiune, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do Helleva, o medicamento será tão eficaz quanto seus concorrentes estrangeiros. É só esperar para ver. Se não funcionar, só Freud Explica!!!

31 Maio 2006

REFLEXÕES SOBRE A QUESTÃO: "OS DESAFIOS ÀS NOVAS FORMAS DO MODO DO SER PSICANALÍTICO CONTEMPORÂNEO"

“alteridade imprevisível, a chegada do chegante.” (...) “uma tarefa amanhã para a psicanálise, para uma nova razão psicanalítica, (...) uma revolução que, como todas as revoluções, transigirá com o impossível, negociará o não-negociável tornado não-negociável, calculará com o incondicional, como tal, com a incondicionalidade inflexível do incondicional” .

14 Junho 2006

A DIFERENÇA 1

É bem verdade que, qualquer um de nós, pode ser definitiva ou temporariamente portador de alguma diferença, como acontece há décadas com os portadores de HIV+, que representam pelo menos dois aspectos: um do ponto de vista médico, que o define como terminologia (portador de HIV), e outro que o levou à desclassificação social por preconceito ou ignorância. Na exclusão, o fantasma da marginalização se apresenta com suas diversas facetas da fome, da miséria, da loucura, da delinqüência, das enfermidades incuráveis, das minorias raciais, dos “desvios” sexuais, ideológicos, religiosos, econômicos, dos drogaditos, etc. O incrível é que em nome de uma não marginalização, criam-se lugares exclusivos ou com horários diferenciados segundo as diferenças racial, sexual, ideológica, etc..

08 Julho 2006

DIFERENÇA 3 – A QUESTÃO BRASILEIRA

Contudo miscigenar e segregar sempre estiveram presentes em todos os aspectos da vida brasileira. As questões libertárias e desenvolvimentistas, nunca foram resolvidas em nossa história pelos oprimidos ou sujeitos destas questões, cabendo sempre aos senhores palacianos as decisões que imprimiram as mudanças de acordo com os seus interesses, como foi o caso da Lei Áurea e da proclamação da república.

29 Julho 2006

FOUCAULT NA PAPUDA

Acuados pelo medo do desconhecido, os jovens da UnB apelaram para a estratégia da auto defesa usando o filósofo francês como escudo. E um deles, especialmente apaixonado pela obra da Foucault, viu ali a ocasião de testar na prática seus conhecimentos teóricos. E os presos, sem nada para fazer, em vez de agressões ou hostilidades, resolveram escutar o que tinham a dizer aqueles jovens do Plano Piloto, presos por um motivo que, para eles, parecia caçoada. A aula de filosofia valeu para ambas as partes. Espontaneamente, jamais teria ocorrido aos estudantes dar “aulas” de filosofia na cadeia. Até porque as estruturas carcerárias não permitem este tipo de atividade.

30 Julho 2006

CASO SUZANE E DANIEL - UNIDOS PELO ESPELHO E PRESOS PELO OLHAR

O artigo coloca em questão estes aspectos que perdem importância na medida em que sua reflexão faz emergir aquilo que no âmbito das aparências e das imagens não é passível de um simples entendimento, além do fato de poder demonstrar que a vida possui um equilíbrio instável, principalmente quando o sujeito está superficialmente ancorado em identificações imaginárias, faltando-lhe ou estando em carência do suporte referencial simbólico do Outro paterno.

21 Agosto 2006

O SONHO DA INJEÇÃO DE IRMA: DE EURÍPILO A ÉDIPO

O sonho de Injeção de Irmã ocupa um lugar único na história da Psicanálise. Foi o primeiro sonho que Freud submeteu a uma interpretação detalhada e que permitiu, segundo ele, resolver o enigma dos sonhos. Numa carta a Fliess do 12 de junho de 1900, Freud (1994) expressa o desejo de que na casa aonde teve o sonho da injeção de Irma possa ler-se algum dia uma placa de mármore: "Aqui se revelou em 24 de julho de 1895 ao Dr. Sigm. Freud o segredo do sonho".

24 Agosto 2006

A DIVULGAÇÃO DO SABER EXTRA-MUROS

Daniel mostra como nas últimas duas décadas, a psicanálise e os psicanalistas, têm contribuído de modo decisivo para os avanços alcançados no campo da saúde mental, com contribuições significativas para a reforma psiquiátrica no Brasil. Segundo ele, o aumento no ingresso de psicólogos e de outros profissionais com formação psicanalítica atuando, tornam a escuta analítica cada vez mais acessível. Alem disso, uma grande parte das instituições psicanalíticas oferece atendimento acessível à população menos favorecida. Ele ainda acrescenta que o objeto da psicanálise não é exatamente o indivíduo, mas é a singularidade desejante, o que faz da psicanálise um instrumento teórico para pensar a produção contemporânea da subjetividade, e um método de acolhimento e de transformação expansiva do sofrimento psíquico inigualável.

24 Agosto 2006

AS CONDIÇÕES DO MAL-ESTAR SÃO HOJE AINDA MAIS CATASTRÓFICAS

Pode-se dizer que a teoria psicanalítica sobrevive tanto no seu campo estrito, isto é, a clínica, a psicoterapia, as relações com a psiquiatria e a psicologia, quanto nas relações com os outros saberes. A psicanálise é convocada hoje para pensar as questões ligadas à política e à sociedade, no qual as suas atribuições são bem acolhidas.

25 Agosto 2006

DARWINISMO X CRIACIONISMO

Mas Freud é novamente o pioneiro quando nos dá conta de que a humanidade sofreu três reveses ou, como ele dizia, três feridas narcísicas. A primeira ferida foi quando Copérnico mostrou que a Terra não era o centro do universo, a segunda, quando Darwin trouxe novas luzes ao desenvolvimento das espécies, mostrando a origem do homem a partir do reino animal. A terceira ferida narcísica foi infligida com a descoberta do próprio Freud de que a consciência não é o centro da razão humana, mas o resultado de uma infinidade de processos inconscientes dos quais ela mesma não se dá conta. Se considerarmos que a igreja levou quase quinhentos anos para questionar a segunda ferida narcísica, é provável que leve outros tantos para dizer que a consciência não é o centro da razão humana. Até lá eu, você, Freud e outros seres pensantes do mundo, poderemos dormir tranqüilamente.

08 Setembro 2006

PAÍS DE PERVERSOS E VOTO NULO

Para Ab’Sáber, Machado de Assis falava de um tipo de sujeito, próprio do Brasil, que não coaduna com o padrão descrito por Freud. Se o neurótico sofre ao se sujeitar à "lei", aos limites que a civilização lhe impõe, o sujeito machadiano diz que a lei vale, mas não para ele, pelo menos, de forma decisiva. Esse tipo de sujeito, diz o autor de "O Sonhar Restaurado", ganhador do 48º Premio Jabuti (ed. 34, 320 págs.), a psicanálise descreve, de forma genérica, como perverso.

20 Setembro 2006

UM POUCO DE HUMOR - APPARÍCIO TORELLY

O melhor meio de vencer as náuseas, quando temos que ingerir um remédio repelente, consiste em recorrer à lógica dos rodeios, adotando os métodos indiretos, até chegar à auto-sugestão, transformando assim o remédio repugnante numa coisa que seja agradável ao paladar. Numa palavra, devemos tomar o remédio com cerveja, por exemplo.

27 Setembro 2006

EXPERIÊNCIA E CONSTRUTIVIDADE EM WALTER BENJAMIN

Walter Benjamin parece estar falando sempre de dois tempos. Um tempo perdido de criação e um tempo posterior de recriação. O primeiro tempo é o tempo da experiência. Ele fala dessa experiência como uma máscara, a máscara do adulto que é inexpressiva, impenetrável, sempre igual, mas uma ilusão. Questiona a vida absurda e inconsolável para o filisteu que só conhece a experiência e nada além dela, é privado, portanto de consolo e de espírito.

05 Outubro 2006

A ARTE DE SER FELIZ

A morte é talvez a pior tragédia que um ser humano pode suportar, porque ela fala do imponderável, do irreparável e do indizível. Todos nós sabemos que nascemos e morremos e que somente as nossas idéias permanecem, já que o corpo desaparece. Porem, falar da morte, não é necessariamente falar da tristeza, embora esses atributos sejam encontrados quase sempre juntos. Ela deixa no lugar da vida, a perda e o vazio.

08 Outubro 2006

SÍNDROME DE ESTOCOLMO, OU QUANDO A VIDA IMITA A ARTE.

10 Outubro 2006

CARTA A ALBERT EINSTEIN

Recebi por E-mail esta carta que, face a sua oportunidade e eloqüência, apresento a seguir.

Augusto Boal é um homem de teatro e intelectual que dispensa apresentações, mas pela minha admiração e respeito, o mínimo que posso fazer é homenageá-lo.

16 Outubro 2006

OPINIÃO DE CHICO BUARQUE.

Nos últimos dois posts coloquei textos atribuidos a nada mais nada menos, do que Chico Buarque e Augusto Boal, dois “apedeutas” de muitos assuntos que a vida contemporânea produziu, mas que, quando se trata da questão política do país, isso não se pode dizer.

Tenho opiniões de pessoas reconhecidamente sábias que opinam nos dois sentidos, mas eu considero um excesso para este tipo de blog. Não quero fazer um Fla x Flu eleitoral, quando quero consulto o Noblat que é bem farto neste quesito.

30 Outubro 2006

O QUE PENSO

Não estou necessariamente contente com a reeleição do Lula, porque tudo somado até hoje já perdi saúde, mais doze anos de vida e de oportunidades. O que eu não queria era perder mais oito com um candidato arrogante, prepotente, dono da verdade, intolerante e cruel. Para quem, como eu, já tem mais de sessenta anos de idade, esse final de vida seria doloroso demais, não só por ter que morrer desgostoso por ter vivido mal, como também por ter deixado para filhos e netos um Brasil pior do que já teve.

02 Novembro 2006

O ESTATUTO DO ENVELHECER

Eu poderia escrever sobre os vários aspectos que hoje em dia encontramos na literatura sobre o assunto, como a questão da biologia, dos transtornos emocionais, da perda da função simbólica no contexto social, da lentidão da velhice frente às velocidades da contemporaneidade, a solidão ou se considerarmos que envelhecer é um absurdo, como diria Albert Camus, o suicídio seria uma solução para o absurdo. Contudo, acompanhando o trabalho de Mônica Messina e-mail:monica_messina@hotmail.com “Dimensões do envelhecer na contemporaneidade” quero comentar a perda do estatuto erogênico do corpo do velho no regime das identidades corpóreas.

18 Novembro 2006

UM POUCO DE HUMOR - O AMIGO DA ONÇA

Com o tempo e com todas as possibilidades que seu sucesso lhe conferiu além de estar vivendo longe da família numa cidade como O Rio de Janeiro, logo desenvolveu uma personalidade instável e se tornou um boêmio inveterado. Péricles morreu de forma trágica. Na noite de 31 de dezembro de 1961, vestido como seu personagem, ele escreveu dois bilhetes, reclamando da solidão, fechou todas as portas do seu apartamento e ligou o gás. Antes, como último toque de humor, o Amigo da Onça desencarnou de seu corpo e foi colocar um aviso na porta, escrito à mão: "Não risquem fósforos".

21 Novembro 2006

A BELEZA APÓS OS 60 ANOS

Certa vez perguntaram à atriz francesa Jeanne Moreau porque ela, que já fora belíssima e sexy não fazia, como as outras atrizes, uma plástica para retirar as rugas de seu rosto. Na ocasião, ela deu uma resposta que serve de alerta para todos aqueles que passam dos 50 anos. Disse a atriz: “As rugas do meu rosto me custaram muitos anos de vida e sofrimentos para consegui-las. Não vou agora retirá-las”.

26 Novembro 2006

A BELEZA MADURA

Em todo o caso é preciso levar em conta que o padrão de beleza atribuído é o dos humanos. Nós humanos, via de regra, invertemos os padrões animais onde os machos são os mais enfeitados conferindo-lhes beleza. Entre nós, as fêmeas cuidam mais desse aspecto, além de apresentar uma fertilidade definida e uma disponibilidade sexual indefinida, a mulher não tem cio. Quando se trata de instinto as diferenças não param por aí, pois na espécie humana o esquema de comportamento herdado que pouco varia de um individuo para outro no esquema animal, ganha novos contornos, a pulsão é um deles.

09 Dezembro 2006

O MENTIROSO E O CÍNICO

O cínico seria, assim, o primeiro anarquista, aquele que desacredita nas conquistas da civilização, e suas estruturas jurídicas, políticas, religiosas e sociais - elas não trariam qualquer benefício ao homem. Sendo auto-suficiente tudo aquilo que naturalmente não é dado ao homem pelo nascimento (como o instinto), não pode servir de base para a conceituação da ética. Este pensamento pode ser encontrado no mito do "bom selvagem", de Rousseau.

Diógenes vivia dentro de um barril e possuía apenas sua túnica, um cajado e um embornal de pão. Conta-se que um dia Alexandre Magno parou em frente ao filósofo e ofereceu-lhe, como uma prova do respeito que nutria por ele, a realização de um desejo, qualquer que fosse, caso tivesse algum. Diógenes respondeu: "Desejo apenas que te afastes do meu Sol". Essa resposta ilustra bem o pensamento cínico: Diógenes não desejava nada a mais do que tinha e estava feliz.

24 Dezembro 2006

TEXTO E DISCURSO – UM PONTO DE VISTA

“(...) Se aceito julgar um texto segundo o prazer, não posso ser levado a dizer: este é bom, aquele é mau. Não há quadro de honra, não há crítica, pois esta implica sempre um objetivo tático, um uso social e muitas vezes uma cobertura imaginária. Não posso dosar, imaginar que o texto seja perfctível, que está pronto a entrar num jogo de predicados normativos: é demasiado isto, não é bastante aquilo; o texto (o mesmo acontece com a voz que canta) só pode me arrancar este juízo, de modo algum adjetivo: é isso! E mais ainda: é isso para mim! Este “para mim” não é nem subjetivo, nem exsistencial, mas nietzschiano (“no fundo, é sempre a mesma questão: O que é que é para mim?“).”

31 Dezembro 2006

A PALAVRA

É no discurso

da grande fala

que a fala se cala.

.

Sem nome e sem corpo.

Silencia na voz,

silencia no afeto,

silencia na dor.

Ai! como dói!

17 Janeiro 2007

LA QUEMA DEL JUDAS - (1)

Un estudio psicoanalítico

El descubrimiento y traducción del manuscrito encontrado en Egipto que data del año 300 d.C., conocido como el Evangelio de Judas, en el que Judas Iscariote aparece cumpliendo su misión a pedido del propio Jesús, supone un cambio radical de la imagen que tenemos de él dada por los evangelios canónicos. Este hecho hizo que sacara de las sombras un estudio que ya tiene varios años y que me llevó otros tantos de investigación y del que doy aquí una síntesis.

20 Janeiro 2007

LA QUEMA DEL JUDAS - (2)

Nuestro estudio

Estimulado por la lectura de Un vintén p’al Judas emprendí en Montevideo una investigación de campo durante los años 1992 al 1996. Para ello construí una serie de preguntas que fueron realizadas en forma oral a niños que se encontraban en la calle pidiendo ‘plata para el Judas’ y cuyas respuestas fueron grabadas. Se apuntó a conocer fundamentalmente si el Judas llevaba nombre, a quién representaba, los motivos que daban los niños para su destrucción y las razones de que el muñeco lleve como nombre Judas.

28 Janeiro 2007

LA QUEMA DEL JUDAS - (3)

Ya podemos ir viendo entonces que en el grupo de los Judas que llevan el nombre de figuras queridas y admiradas se da el mismo mecanismo que permite al niño preservar de la castración a dichas figuras.

¿Podemos encontrar el mismo sent

19 Fevereiro 2007

POR UMA EXPERIENCIA RELIGIOSA

Freud tem um interessante texto que apresenta as conseqüências de uma entrevista dada a um jornalista teuto-mericano G. S. Virec que o indaga sobre a sua crença na religião durante uma visita sua aos Estados Unidos e por conta disso recebeu uma carta de um médico americano. Nesta carta o medico fica impressionado com a resposta dada por Freud sobre sua crença na sobrevivência da personalidade após a morte. Simplesmente ele respondeu: “Não penso no assunto”.

21 Fevereiro 2007

COMENTÁRIO DO BLOG RODA DE CIENCIA

Tenho lido com atenção todos os post sobre ciência e religião publicados aqui no blog e parece que a questão da religiosidade começa a tomar forma entre os cientistas. Parece que esta mais para re+ligare do que para co(n)+fundir.

10 Março 2007

A TRANSEXUALIDADE E A GRAMÁTICA NORMATIVA DO SISTEMA SEXO-GÊNERO

Nas diversas teorias que abordam esta questão parece haver um aspecto consensual: o de que na transexualidade haveria uma incoerência entre sexo e gênero. O discurso atual sobre o transexualismo na sexologia, na psiquiatria e em parte na psicanálise faz desta experiência uma patologia - um "transtorno de identidade" — dada a não-conformidade entre sexo biológico e gênero. Por outro lado, ele também pode ser considerado uma psicose devido à recusa da diferença sexual — leia-se, da castração dita simbólica. Nota-se que nestas teorias, o que define o diagnóstico de transexualismo é uma concepção normativa seja dos sistemas de sexo-gênero, seja do dispositivo "diferença sexual". Ambas estão fundadas numa matriz binária heterossexual que se converte em sistema regulador da sexualidade e da subjetividade.

23 Março 2007

FRAGMENTO

... Não sei nem como cheguei até aqui. Estou tonta. Tonta porque estou tomando uns remédios... Vou tentar falar, nem sei como eu começo. É o seguinte, em maio eu dei um flagrante no meu marido, vi que ele tinha outra mulher. Eu estou casada com ele há vinte e tantos anos e já desconfiava, mas nunca me importei muito com isso. Mas quando eu dei esse flagrante, comecei a me sentir muito mal, vi que não dava prá confiar nele. Eu já tinha desconfiado dele em outras situações, mas ia levando porque ele nunca deixava de me procurar. Eu nunca gostei de sexo, com ele não, e nem com ninguém. Mas ele parou de me procurar há uns seis meses. Aí eu pensei que aí tinha coisa, fui atrás e consegui descobrir. Li as notas do cartão de crédito, depois apertei e ele acabou confessando. Aí meu mundo caiu. Porque enquanto desconfiava, mas fingia que não sabia, eu levava a minha vida numa boa, tudo bem. A minha vida sempre foi em função dos outros.


08 Abril 2007

A BUSCA INFINITA

Mesmo com a profusão de padrões de beleza que acompanha a expansão dos mercados de moda e cosméticos, mesmo com campanhas politicamente corretas pela beleza "real", não é possível escapar à imposição midiática da "supermodelo" como exemplo a ser seguido. A opinião é do psicanalista Chaim Samuel Katz, doutor em comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.


10 Abril 2007

O CÉREBRO, O VERDADEIRO ÓRGÃO SEXUAL DOS SERES HUMANOS

O desejo entre os sexos não é uma questão de opção. Os homens heterossexuais, ao que parece, possuem circuitos neurais que os levam a procurar as mulheres; os homens gays os têm programados para procurarem outros homens. Os cérebros das mulheres podem ser organizados para selecionar homens que apresentem maior probabilidade de serem provedores a elas e seus filhos. O acordo é selado com outros programas neurais que induzem uma onda de amor romântico, seguido por uma ligação de longo prazo.

11 Abril 2007

A FILOSOFIA DO DIREITO

Quem, como eu, não teve uma formação filosófica firme, pode esmorecer diante da perspectiva de enfrentar um texto que trate da filosofia do direito de forma integra. É preciso então voltar-se um pouco para a história da filosofia para entender o que ela pretende no meio jurídico.

22 Abril 2007

PEDRO, O INFELIZ

CARVALHO - Esse tema ficou por muito tempo na penumbra. Ele foi educado para não imitar o pai mulherengo. Era discreto em suas aventuras. Só pasquins ousavam sugerir aventuras extraconjugais. Foi a doação das cartas a Barral ao Museu Imperial por um neto da condessa em 1948 que forçou uma revisão deste lado da biografia. A revelação causou surpresa e perturbação entre os guardiões da memória do monarca. A meu ver, enriqueceu muito a figura humana do imperador.

24 Abril 2007

JOGO INTERNACIONAL DOS FILÓSOFOS

“Sou um dissidente da verdade. Não creio na idéia de discurso de verdade, de uma realidade única e inquestionável. Desenvolvo uma teoria irônica que tem por fim formular hipóteses. Estas podem ajudar a revelar aspectos impensáveis. Procuro refletir por caminhos oblíquos. Lanço mão de fragmentos, não de textos unificados por uma lógica rigorosa. Nesse raciocínio, o paradoxo é mais importante que o discurso linear. Para simplificar, examino a vida que acontece no momento, como um fotógrafo. Aliás, sou um fotógrafo.”

26 Abril 2007

ATO MÉDICO, INVASÃO DE PRIVACIDADE PROFISSIONAL

Tramita no Senado o Projeto de Lei Nº. 268 (substitutivo) que dispõe sobre o exercício da medicina. Apesar de reconhecermos a legitimidade da busca da regulamentação da profissão dos médicos, não podemos concordar com os termos do projeto, no que tange as demais profissões.

02 Maio 2007

AQUECIMENTO GLOBAL E PSICANÁLISE – UMA APROXIMAÇÃO

Durante estes dois meses eu vivi uma grande angústia diante da perspectiva de tratar a questão do aquecimento global sob o ponto de vista da psicanálise, para contribuir com o tema do mês passado do blogue Roda de Ciência.

05 Maio 2007

LA PERIPECIA DEL ANÁLISIS

Creso le pidió finalmente a Adrasto, a quién le había dado asilo, que fuera como custodia de su hijo a la cacería. El desenlace parece obvio, Adrasto inevitablemente mató sin querer a Atis al darle muerte con su lanza que iba dirigida al jabalí.

Imaginémonos: ¿qué hubiera pasado si Creso hubiera consultado a un psicoanalista y contado su sueño?, ¿lo habría despedido al igual que hizo con Solón?, ¿o habría pasado, en cambio, por la peripecia de un análisis?