14 junho 2006

A DIFERENÇA 1

Por Rogério Silva

Na matemática a afirmação A+B=C indica de saída que C-B=A ou C-A=B, onde A e B se apresentam como diferença por relação a C. Partindo deste raciocínio encontramos: exclusão, inclusão, integração, assimilação e inserção como figuras que marcam a diferença nos termos (A e B) da regulação entre o sujeito e o seu entorno no processo de formação da subjetividade.

Estes significantes tem sido trabalhados por vários autores que procuram encontrar antinomias e similitudes entre estes termos. É bem verdade que, qualquer um de nós, pode ser definitiva ou temporariamente portador de alguma diferença, como acontece há décadas com os portadores de HIV+, que representam pelo menos dois aspectos: um do ponto de vista médico, que o define como terminologia (portador de HIV), e outro que o levou à desclassificação social por preconceito ou ignorância.

Na exclusão, o fantasma da marginalização se apresenta com suas diversas facetas da fome, da miséria, da loucura, da delinqüência, das enfermidades incuráveis, das minorias raciais, dos “desvios” sexuais, ideológicos, religiosos, econômicos, dos drogaditos, etc.

O incrível é que em nome de uma não marginalização, criam-se lugares exclusivos ou com horários diferenciados segundo as diferenças racial, sexual, ideológica, etc.. O caso dos fumantes é exemplar. Décadas atrás glamurizou-se o fumante com uma mídia espetacular, para mais tarde num ato de intolerância, numa puxada de tapete, excluí-los. O que está em pauta aqui, não é a questão da saúde e sim a questão do lugar psico-social.

Contudo a exclusão também pode ter um caráter elitista. O “exclusivo” (Prime) não deixa de ser um excluído, ainda que com vantagens. O “exclusivo” e o “excluído” derivam-se de excluir do latim “excludere”, que pode ser entendido como: por de lado, abandonar, recusar ou não admitir os outros preservando o excluído.

Na psicanálise este termo também perturba os psicanalistas tanto do ponto de vista clínico, quanto do ponto de vista institucional, como Freud demonstrou exaustivamente na Questão da analise leiga (1926e) e Na história do movimento psicanalítico (1914d), por exemplo, mas estes como outros aspectos não mencionados aqui, eu gostaria de vê-los comentados pelos leitores deste blog FREUD EXPLICA.

Na próxima postagem tratarei de outros termos em A DIFERENÇA 2.

4 comentários:

Anita disse...

parece que é fácil entender o "excluído social". A minha pergunta é e o que é excluído por opção, como uma patologia -- uma necessidade de se exilar sempre. Seria possível?

Rogério Silva disse...

Um blog tem isso de bom, na informalidade podemos passear por diversos aspectos. Quando você pergunta por opção, entendo como por escolha, no modo do celibato, do eremita e por que não do suicida.
Chaim Samuel Katz no seu livro O coração distante propõe uma solidão positiva acreditando que pode-se exercer a felicidade quando afirma: “Existe uma luta intensa entre os que acreditam que os homens podem e devem exercer sua solidão e viver longe dos outros, bem como dos deuses que muitos outros criam. Deuses que são contrações idealizadas dos sensíveis e da solidão, da desajuda do humano, este humano que é sempre construído, também, inumanamente.”
Para Aluisio Pereira de Menezes em A experiência de Antonin Artaud, “O uso do termo momo (...) evidencia-se um problema de filiação e ao mesmo tempo que cria uma classe de personagens que define uma determinada função dentro dos modos dominantes de exclusão ou proibição e seus respectivos enfrentamentos. Será mesmo um lugar previsto? Artaud não pode impedir que o que ele traz, através da sua insistência em escrever, seja lido como tendo uma "lógica", uma lógica extremamente severa, e uma enorme disposição guerreira, como já mostrei. O "Retorno de Artaud, o Momo" traz a construção de uma voz que fala a partir da inserção inalienável de pertinência ao corpo e sua inarredável solidão.”
Com relação a escolha pela morte, citarei um trecho da peça de “O matadouro municipal” de Tennesee Willians, onde o funcionário procura o matadouro municipal para cumprir um destino. No caminho encontra um rapaz que tem uma missão perigosa e que vê nele a oportunidade de cumprir essa missão sem correr risco, já que o funcionário insiste em dirigir-se para a morte. O rapaz instrui o funcionário como agir dizendo que quando a primeira limusine passar ele deveria gritar “viva, viva!”, agitar a bandeira e esvaziar o revolver no rosto e no peito do general, sem se preocupar por que seu retrato e nome sairiam estampados nos jornais. Só que quando a comitiva passa ele grita: “viva, viva, viva, viva, viva, viva!” Dirigindo-se à platéia: “Será que vocês teriam a gentileza de me indicar o caminho para o matadouro municipal? Não quero me atrasar. Eles tornam as coisas mais difíceis para você se você não chega na hora...Oh, está bem. Vou anotar. Obrigado!”

Anônimo disse...

viva as diferenças
não a exclusão

Rogério Silva disse...

Benvindo anônimo. Você faz a diferença quando se apresenta. Afinal o mundo é feito de diferentes e iguais.
A psicanálise tem sempre que se haver com o inominável.