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10 setembro 2009

FREUD EXPLICA RESPONDE – O amigo e a onça

Marcondes Carlos pergunta

Sou estudante de Psicologia e gostaria de saber o que Fred faria nesse caso.

Você está com um amigo e só os mesmos estão em uma ilha deserta, além de vocês dois existe uma onça. Com isso fizemos um buraco para que a onça pudesse cair só que ao invés da mesma cair, quem caiu foi o meu amigo. O que irei fazer para capturar a onça e salvar meu amigo?

Gostaria muito de sua opinião.

Obrigado desde já.

Freud explica responde

Corrija-me se eu estiver errado. Você gostaria de saber o que Fre(u)d(?) explicaria?

Você misturou vários pronomes, mas quero crer que se trata da hipótese de alguém ter o seu amigo caído num buraco escavado para capturar uma onça. Você se indaga sobre o que você vai fazer para salvar o amigo e capturar a onça, mas não nos dá a menor ideia do que pode ser pensado, nem dos sentimentos que perpassam essa situação. Portanto não sei se cabe uma explicação freudiana, mas vamos lá.

Ao escrever O mal-estar na civilização (1930), Freud apontou três grandes males que afetam o homem. As forças da natureza e as doenças (que não vamos tratar aqui) e ainda a sua relação com o outro. Essa terceira foi apontada por ele como a mais terrível força capaz de aniquilar a humanidade.

Desde os primórdios da civilização o homem quis ter ou ser o que o outro tem ou é, seja no campo afetivo quanto material. Estabeleceu relações de poder, daí as formações das guerras, das traições e outras manifestações que põem em risco a estabilidade possível entre as pessoas. As relações de amizade sugerem uma posição contrária a esse pressuposto. Daí o direito e a moral religiosa criarem normas para as condutas dos homens.

Chaim Samuel Katz pensa a amizade como uma possibilidade de diferenciação que se oferece a si e ao outro. Ele se baseia em Freud para explicar como as mais fortes relações familiares existentes, são as que se fazem em torno da autoridade e da função paterna. O grupo familiar estabelece como cada indivíduo conhece seu lugar na estrutura de parentesco. Antes mesmo de nascer, já existem posições e escolhas determinadas, ao menos de filho. Amor e ódio ocupam lugares com figuras e objetos determinados.

Para ele, o que se conhece como família se funda nas relações de aliança, filiação e consanguinidade. Funciona como uma rede. Rede essa que obrigaria os afetos e as suas ligações. Ela não depende do nascimento imediato e fisiológico. Contudo é permanente, organizando-se em torno das relações familiares. Para a psicanálise, os afetos provêem destas relações, que se organizam em torno de um evento não-sensível.

Para nós humanos, de família burguesa, humilde ou asilar, não importa, já nascemos também com uma crença em Deus; uma religião; uma profissão, um sexo – que não irá corresponder necessariamente com o biológico; um time para torcer; uma circuncisão e/ou um bar mitzvah; uma primeira comunhão. Em algumas regiões da Índia, as meninas já nascem com marido indicado. Uma escolha ulterior muitas vezes se torna difícil, graças aos reforços como uma foto da criança com a camisa do time do pai, uma foto do batismo com seus padrinhos, ou do bar mitzvah, etc. O pior reforço talvez seja uma reprovação como: “não faça isso que papai-do-céu-castiga”. Obriga a criança a uma crença feita pelo medo. Talvez essa forma de “não-escolha” também influencie na relação de amizade.

Estão na linguagem e no dito popular, as formas mais diferenciadas de se organizar e sentir. Os apelidos mudam, de acordo com as relações afetivas, de poder e de interesse. Formam-se novas configurações familiares, novas configurações de amizade. Enquanto os irmãos e tias familiares serão sempre os mesmos na estrutura de parentesco, por mais que os abandonemos e recusemos. É preciso considerar novas ordens de famílias, onde um segundo casamento impõe novos manos e tias, por exemplo. Os casamentos entre homossexuais impõem dois pais masculinos ou duas mães femininas, mas também "exigem" uma hierarquia de relações e afetos que tende a se perpetuar.

Não se pode perder de vista que qualquer laço libidinal, por mais distanciado e respeitoso que possa ser, quer possuir e anexar o próximo e anular seu estatuto atual. Contudo, o amigo pretende criar e transformar a si próprio. A amizade precisa suportar diferenças extremas, o inusitado que se apresenta como adversidade. Não espera que só venham formas de um único amor para unir os amigos. As amizades são feitas de um material mais duro, de diferenças e de dissensões.

Num poema eu coloquei: Os ingredientes principais são: / pessoas, diferenças, paixão e humor. / Paciência, tolerância, bom senso. / Tempo, carinho e dinheiro entram também. // O modo de preparar é muito simples. / Só exige atenção e generosidade. / Dispensa preconceito e racismo, / mas deve ser praticada desde a infância. São, na verdade, apenas alguns dos “ingredientes” necessários para se fazer uma amizade, que eu destacaria aqui.

Contudo a sua questão propõe uma situação na qual os dois amigos estão isolados e em perigo frente à ameaça da onça e, portanto da morte. Numa aliança cavam um buraco a fim de aprisionar a onça. Com a queda do amigo nesse buraco nova configuração se faz necessária. Novos agenciamentos se impõem. Quem está fora do buraco ficou mais vulnerável, pois ficou sozinho. Quem caiu no buraco está em situação ainda pior. Por ser um limite, o buraco impõe privações de toda ordem e pior ainda se a onça também cai ali. O que é de se esperar.

Ao pensar numa solução ideal, o amigo iria procurar retirar o amigo, até porque fortaleceria a sua própria defesa. Mas há também a pulsão de sobrevivência que é instintual e forçará ao que está fora do buraco a criar outra solução que pode não incluir o amigo perdido.

Situações como essa nos acontecem muitas vezes no cotidiano. O buraco surge como metáfora de uma situação de solução, digamos, “impossível”. Ao mudar os planos de ação muitas vezes as amizades são esquecidas ou quebradas para atender a um novo “plano de sobrevivência”.

Saint-Exupéry em “Terre des homme” (Terra dos homens), inverteu essa questão justo quando se encontrou só e perdido no deserto em Dacar, após um desastre de avião. Ele criou um meio de sobrevivência quando estabeleceu: “tenho que sobreviver, porque sei que meus amigos esperam isso de mim”.

O pernambucano Péricles Andrade Maranhão ficou conhecido com o personagem “o amigo da onça” criado a partir da anedota em que dois caçadores conversavam sobre um modo de sobreviver diante da ameaça de uma onça. Sempre que um oferecia uma solução, o outro apresentava uma nova ameaça. Finalmente ele diz: - Mas, afinal, você é meu amigo ou amigo da onça?

Péricles Maranhão viveu com todas as possibilidades do seu tempo e o que o sucesso lhe ofereceu, além de estar longe da família e numa cidade como o Rio de Janeiro. Logo desenvolveu uma personalidade instável, irritadiça e se tornou um boêmio inveterado. Vivia próximo da embriagues. O seu personagem tornou-se maior do que ele. Então escolheu morrer de forma trágica. Na noite de 31 de dezembro de 1961. Vestido como o seu personagem escreveu dois bilhetes. Fechou todas as portas do seu apartamento, ligou o gás e foi deitar-se no sofá. Num ele reclamava da solidão. E como um último toque de humor, foi colocar o outro na porta, pelo lado de fora, escrito à mão: "Não risquem fósforos".

28 maio 2009

FREUD EXPLICA RESPONDE - IRVIN D. YALOM

Carlos José Machado Santos pergunta

Ola,

Eu vi um comentário seu sobre Yalom em site e estou precisando de algumas coisas sobre a vida dele que não encontro em lugar algum!!

As influencias filosóficas e psicológicas as quais ele utilizou, alem da psicanálise claro!!

Se puder me ajudar ficarei muito grato!!! abraços Carlos

Freud explica responde

Irvin D. Yalom nasceu em Washington, DC, Estados Unidos, 13 de Junho de 1931. Ele é um escritor americano. Filho de imigrantes russos. Formou-se em psiquiatria na Universidade de Stanford e está cerca de 47 anos em Stanford e é ateu.

Tornou-se conhecido quando sua obra Love's Executioner and Others Tales of Psychotherapy, publicada em 1989, alcançou a lista de livros mais vendidos nos Estados Unidos. Na mesma linha, seguiu-se Momma and the Meaning of Life (1999). Seu primeiro romance foi Quando Nietzsche Chorou (1992). Lançou também A Cura de Schopenhauer, Mentiras no divã e Os desafios da terapia.[1]

Em Quando Nieztche chorou, Irvin Yalon romantiza a vida de Friedrich Nietzsche e Josef Breuer. Apesar dos personagens principais da trama nunca terem se conhecido (o próprio autor afirma em suas observações no final do livro), o romance é parcialmente baseado em fatos reais.

Neste mesmo blog, há um comentário meu sobre Yalom e ao clicar no nome acima há um link para a sua página na internet

27 janeiro 2009

FREUD EXPLICA RESPONDE

Maria maria pergunta:

Boa Tarde, Dr. Rogério

Numa das andanças pela net, encontrei o seu blog. Gosto de Freud. Aprendi-o na escola e fascinou-me (sou escorpião, será por isso?)

Sinto-me sem rumo, perdida, nem me reconheço no que era e na minha essência.

Tenho uma questão para lhe colocar:

Por que uma mulher aceita uma relação sofrida com um homem?

Falam de banalidades todos os dias e várias vezes; partilham desabafos e as dores da vida diária de cada um; apenas se encontram um dia por semana em que dão um passeio, cinema e dormem essa noite juntos; ele só a quer assim porque quer ter uma vida sem compromissos (preza muito a vida social que mantém com um grupo em que só existem mulheres) nem um carinho lhe faz em público; ela nada disto quer mas tudo aceita e sabe-o... sabe que ele apenas a usa porque precisa alguém a quem confie desabafos e com que tenha umas horas de sexo seguro.

Por que uma mulher esclarecida, madura, forte não consegue sair desta relação que lhe dá sofrimento e dor?

Explique-me...explique-me...explique-me!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Freud explica responde:

Quando eu criei o blogue Freud explica, não tinha ainda noção do que poderia aparecer como questão a ser posta. No entanto, tenho me deparado com questões inusitadas que me levam a diferentes lugares e diferentes saberes, contudo procuro sempre retribuir com o possível.

Alberto Goldin, autor do livro Freud explica, título inspirador desse blogue, tem um coluna na Revista O Globo e se depara constantemente com o que você apresenta em seu pedido. Mas vou tomar um caminho diferente do dele. Vou tomar o caminho de Ulisses Tavares em Quando nem Freud explica, tente a poesia. Freud dizia: “Seja qual for o caminho que eu escolher, um poeta já passou por ele antes de mim”.

Do seu livro retirei algumas poesias que apresento aqui.

ANGUSTIA EXISTENCIAL

O sol brilha
o dia é lindo
vejo alegria e beleza em tudo
mas não vejo sentido na vida
que não espera.

Marco encontro com a minha dor
ao meio dia vou enfrentá-la
nesse dia bonito de coisas e gentes,

Ela é tudo o que tenho
Carla Bonfim, sem título

CARÊNCIA AFETIVA

Uma vez na Alemanha
Estando só e carente
me apaixonei por um pôster
que via diariamente.

Loira mulher sorridente
de maiô, doirada e quente,
e eu ali, ao léu, no frio
passando na sua frente. [...]

Eis quando
tudo muda de repente:
me tiraram o cartaz da rua.

Querem que eu ame agora
um anuncio de detergente.

Affonso Romano de Sant’anna. “O anuncio e o amor”

FELICIDADE

Essa felicidade que supomos,
arvore milagrosa que sonhamos,
toda arreada de dourados pomos,

Existe sim; mas nós não a alcançamos,
porque esta sempre apenas aonde a pomos,
e nunca a pomos aonde estamos.

Vicente de Carvalho, “Velho tema”

CARONA

a carona deu em nada

quilômetros e
quilômetros
de pernas e curvas
viajando pela imaginação.

Nicolas Behr, sem título

TÉDIO A DOIS

Você fica sentada no sofá
e de vez em quando abre um pouco as pernas
para eu ver que você esta sem calça.

Depois eu tomo um conhaque e fumo cinco cigarros
para começar a enlouquecer. [...]

Você levanta as pernas dobrando os joelhos
e eu enfio com força
sem nenhuma palavra e nenhum suspiro.

A respiração para e eu saio de cima de você. [...]
Você liga a televisão e volta para o sofá.
Eu abro a porta e vou embora.
Na rua, tenho vontade de bater
com o carro no primeiro poste da esquina.

Álvaro Alves de Faria, “Retrato-II”

Além desses poemas quero acrescentar um, de minha autoria que já foi publicado nesse blogue:

UMA INCÓGNITA, UMA PAIXÃO

pensei conhecê-lo. mas qual das suas variantes?
perco-me em explicações que nada me explicam.
tento justificar a sua inércia.
a sua frieza. o seu desinteresse.
ou seria falta de coragem?
desconfio de tudo. de todos. fico tão confusa!
não acredito em mais nada.
dou-me conta que só arranjo justificativas vãs.

não acredito que você seja assim!
por baixo dessa máscara de meu garoto,
existe um menino,
uma criança carente, sem chão, com medo.
quer agarrar-se a qualquer coisa,
em alguém que seja forte.
mas eu nem sou tão forte assim!
sou apenas uma mulher só e apaixonada!

na minha fragilidade sinto você mais forte.
eu sinto mesmo que você me ama.
mas nem mesmo isso você me diz!
você não me dá nenhum sinal!
se pelo menos me pedisse alguma coisa,
se me quisesse de verdade,
se chutasse o balde por mim
e desse uma esperança!... umazinha!... sei lá!...

por que ainda me preocupo com isso?
por que ainda procuro explicações?
não sei! não sei o quanto você se importa,
mas sei o quanto eu me importo.
talvez você me julgue egoísta e presunçosa.
deve estar sofrendo por isso.
e também porque eu não o procuro mais.
mas eu não posso ficar esperando-o.

ainda sou jovem apesar de impetuosa.
gosto de ser mulher e dos prazeres da vida.
procuro um amor de verdade.
um verdadeiro amor só pra mim.
o espelho já me avisou!
falta pouco para mim também.
tenho urgência!
afinal, eu descobri que não sou imortal!

20 janeiro 2009

FREUD EXPLICA RESPONDE: CRONOLOGIA FREUD

J Ventura pergunta:

Qual a verdadeira nacionalidade de Freud, onde nasceu, qual o seu nome completo? Não será Freud o mesmo que Froyd? Gostava de saber! Se puder informar fico muito agradecido

Cumprimentos


Freud explica responde


A Cronologia apresentada a seguir corresponde aos principais fatos que marcaram a vida e a obra de Freud. Os links abaixo apresentam outras informações de interesse.

1856 - Em 6 de maio nasce Sigmund Freud, o fundador da psicanálise e autor da obra A interpretação dos sonhos, na cidade Freiberg (hoje Pribor), na atual República Tcheca, então parte do Império Austríaco. Filho de Jacob Freud, comerciante de lãs, e de Amalia Nathanson, sua terceira esposa, é registrado com o nome Schlomo Sigismund. Aos 22 anos ele muda o prenome para Sigmund.

1873 - Freud ingressa na Universidade de Viena para estudar medicina. Forma-se oito anos depois.

1873 - Nasce o psiquiatra e psicanalista húngaro Sandor Ferenczi, que virá a ser o discípulo preferido de Freud e também o clínico mais talentoso da história do freudismo.

1873 - Nasce Juliano Moreira, médico baiano que, depois de se formar em psiquiatria dinâmica na Europa, será um dos introdutores das idéias freudianas no Brasil.

1875 - Nasce o psiquiatra suíço e fundador da psicologia analítica Carl Gustav Jung. Fundador da escola de psicoterapia, especialista em psicoses e interessado pelo orientalismo, sua obra será tão abundante quanto a de Freud.

1876 - Freud desenvolve trabalhos em neurologia e fisiologia.

1879 - Nasce o psiquiatra e psicanalista inglês Ernest Jones, de grande importância para a história política do freudismo. Será o fundador da psicanálise na Grã-Bretanha e criador do Comitê Secreto, círculo formado por discípulos de Freud para discussões de temas ligados à psicanálise. Pioneiro da historiografia psicanalítica e da tradução inglesa da obra freudiana. Terá uma longa correspondência de 671 cartas com Freud. Fará um grande trabalho de implantação das idéias freudianas no Canadá e nos EUA.

1882 - É criada uma cátedra de clínica de doenças nervosas, da qual o médico e fisiologista francês Jean Martin Charcot é o titular. A neurologia passa assim a ser reconhecida como uma disciplina autônoma pela primeira vez. Charcot, ligado à história da histeria, da hipnose e das origens da psicanálise, é o último grande representante da psiquiatria dinâmica.

1885 - Freud viaja a Paris para iniciar um estágio com Charcot. Este terá papel fundamental na formação do jovem Sigmund. As várias cartas que trocaram estão traduzidas no livro "Lições da terça-feira".

1886 - Freud volta a Viena, onde se estabelece como médico e dirige o Departamento de Neurologia, primeiro instituto público para crianças. Entre 1886 e 1890 exerce medicina como especialista em doenças nervosas.

1886 - Casamento de Freud com Martha Bernays, com quem terá 6 filhos. Anna Freud, a filha mais velha, se tornará psicanalista e fundará sua própria corrente.

1892 - Freud elabora o método das associações livres (técnica usada pela psicanálise na qual o paciente deve esforçar-se a dizer tudo que lhe vier à cabeça, principalmente aquilo que ele se sinta tentado a omitir).

1893 - Início da correspondência entre Freud e Wilhelm Fliess, seu amigo íntimo e médico voltado a estudos relacionados à sexualidade. A correspondência entre eles terá uma enorme importância no desenvolvimento de teoria psicanalítica de Freud.

1893 - Morte de Charcot.

1895 - Freud faz a primeira interpretação de um sonho seu: "A injeção de Irma", que parece ser a encenação de um romance familiar das origens e da história da psicanálise.

1896 - Surge pela primeira vez o termo psicanálise, para nomear um método específico da psicoterapia. No mesmo ano, a correspondência entre Fliess e Freud apresenta a expressão "aparelho psíquico" e seus três componentes: consciente, pré-consciente e inconsciente.

1897 - Através de correspondência com Wilhelm Fliess, Freud inicia o que ele chamaria de sua auto-análise.

1897 - Freud escreve a Fliess dizendo que está abandonando a teoria da sedução, segundo a qual a principal causa das neuroses são os traumas causados nas crianças pelos adultos.

1897 - Freud começa a redigir A interpretação dos sonhos.

1897 - Primeira interpretação de Freud da tragédia de Édipo Rei, de Sófocles.

1899 - Publicação de A Interpretação dos sonhos, de Freud (sua edição, porém, é datada de 1900).

1900 - Nasce o médico fundador da Sociedade Brasileira de Psicanálise, Durval Ballegardi Marcondes. Marcondes toma conhecimento das obras de Freud aos 20 anos.

1901 - Nasce o psiquiatra e psicanalista francês Jacques Lacan, responsável por reformular a obra freudiana, dando-lhe um caráter mais filosófico e tirando-lhe o substrato biológico. Lacan elaborará inúmeros conceitos (imaginário, simbólico, real, significante, sujeito, psicologia dos povos) que enriquecerão as formulações clínicas. Será considerado o único verdadeiro mestre psicanalista da França.

1902 - Criada a primeira sociedade psicanalista do mundo, em Viena, com o nome de Sociedade Psicológica das Quartas-Feiras.

1903 - Freud analisa uma criança de 5 anos. É a primeira psicanálise feita em crianças.

1906 - Início das correspondências entre Freud e Jung. Amigo e discípulo de Freud até 1913, Jung estabelece com ele uma forte correspondência que chegou a 359 cartas. Jung já tinha uma concepção de inconsciente e do psiquismo quando decidiu se aproximar de Freud. O que o levou ao pai da psicanálise foi o fascínio por uma obra na qual acreditava encontrar a confirmação de suas hipóteses sobre as idéias fixas subconscientes, as associações verbais e os complexos.

1907 - Jung cria a Sociedade Freud em Zurique. Mais tarde, esta se torna a Associação Psicanalítica de Zurique.

1908 - Sandor Ferenczi visita Freud pela primeira vez, depois de ler A Interpretação dos Sonhos. A partir deste encontro, trocam cerca de 1.200 cartas durante 25 anos.

1908 - Primeiro Congresso Internacional de Psicanálise em Salzburgo, com o título: "Encontro dos psicólogos freudianos". Neste congresso, em que 42 membros de 6 países estiveram presentes, Freud encontra-se com Ernest Jones pela primeira vez.

1908 - Hermine von Hug-Hellmuth se torna a primeira mulher psicanalista de crianças.

1910 - Criada a a International Psychoanalytical Association (IPA), no II Congresso Internacional de Psicanálise de Nuremberg, sendo Carl Jung eleito seu primeiro presidente. A IPA virá a ser uma organização internacional responsável por reunir as sociedades de diferentes países.

1910 - O médico chileno German Greve apresenta as teses freudianas pela primeira vez na América Latina, em um congresso de medicina em Buenos Aires.

1912 - Ernest Jones cria a American Psycoanalytic Association (APsaA).

1913 - Início do conflito entre Jung e Freud, após Jung tentar convencer Freud a dessexualizar sua doutrina. O conflito resultará, mais tarde, na ruptura definitiva entre eles.

1921 - No Brasil, em São Paulo, Durval Marcondes começa a se orientar para a psicanálise.

1923 - Primeira difusão das obras de Freud em espanhol na América Latina.

1924 - A Sociedade Psicanalítica de Moscou passa a ser filiada à IPA, apesar de não receber o apoio de Ernest Jones. A filiação é defendida por Freud desde 1922.

1925 - Instauram-se as regras da psicanálise didática, que devem ser seguidas por todos os integrantes da IPA.

1925 - Freud publica a sua auto-biografia.

1927 - Durval Marcondes e Franco da Rocha criam, em São Paulo, a Sociedade Brasileira de Psicanálise, a primeira sociedade freudiana da América Latina.

1927 - Inicia-se o conflito entre europeus e americanos quanto à admissão de não-médicos na IPA. 1928 - O conflito leva à fundação da Associação Médica de Psicanálise em Paris, reservada apenas aos médicos. A Associação jamais se filiará à IPA.

1928 - Publicação da primeira revista brasileira de psicanálise, sob responsabilidade de Durval Ballegardi.

1929 - A Sociedade Brasileira de Psicanálise é admitida na IPA.

1933-1939 - A terminologia freudiana é banida do vocabulário da psiquiatria e da psicologia da Alemanha. A psicanálise é considerada como uma ciência judaica. Neste período há uma grande emigração de psicanalistas alemães para a Argentina, Inglaterra e Estados Unidos. Os livros de Freud são queimados na Alemanha.

1934 - Jung é denunciado por excluir judeus de uma sociedade composta por psiquiatras e psicoterapeutas. É o início da polêmica da adesão de Jung ao nazismo.

1935 - Muitos titulares judeus de sociedades de psicanálise têm que se demitir para "salvar a psicanálise na Alemanha".

1936 - Adelheid Lucy Koch vem ao Brasil. Ela é a primeira psicanalista didática, responsável por iniciar Durval Marcondes e outros na psicanálise. Também contribuirá para que a Sociedade Brasileira de Psicanálise seja reconhecida pela IPA.

1938 - Freud transfere-se para Londres com a esposa e os filhos.

1939 - Em 23 de setembro, Freud morre de um câncer de mandíbula, do qual padeceu durante 16 anos.

Depois deste período ocorrem muitas controvérsias, resultando no desdobramento da psicanálise em várias correntes. Até 1997, o freudismo estaria implantado em 41 países do mundo, e a IPA em 37. O freudismo é hoje adotado por cerca de 25 mil profissionais do mundo todo; destes, 10 mil fazem parte da IPA. O país que mais possui psicanalistas por habitante é a França, seguido pela Argentina, a Suíça, os Estados Unidos e o Brasil.

http://fundamentosfreud.vilabol.uol.com.br/cronologia.html

http://www.geocities.com/~mhrowell/freudcronologia.html

http://www.comciencia.br/reportagens/psicanalise/psique04.htm

17 dezembro 2008

FREUD EXPLICA RESPONDE: PROFISSÃO PSICANALISTA 4

Ariel Neto pergunta

Boa tarde,

meu nome é Ariel, e achei seu blog por meio das tirinhas dos malvados, estava procurando as que falavam de psicanálise para enviar a uma amiga que esta se formando na psicanálise de Lacan, por agora. Li alguns dos textos do blog e gostei.

Sou estudante universitário, estou no meio do curso de medicina (Universidade de Brasília), com mais 3 anos pela frente, e gostaria de pedir um auxílio ao senhor, uma opinião. Me interesso por psicologia e psicanálise há algum tempo, mas confesso que não sei muito sobre. Sei que a formação de psicanálise independe da formação prévia, pelo menos é o que já li e me disseram sobre. O que o senhor acha de um médico tornar-se psicanalista? Seria interessante a formação em psiquiatria também? Entendo que não são complementares, pois a abordagem é diferente, mas talvez para conhecer o que não se deve fazer. Seria interessante uma experiência prévia em outra área antes de partir para a psicanálise?

Então é isso, gostaria de uma opinião.

Abraço

Freud Explica responde

Em primeiro lugar, quero parabenizá-lo pela escolha das tirinhas dos malvados, que reputo ser uma das grandes criações da historia em quadrinhos moderna. André Dahmer tem demonstrado criatividade e amadurecimento em seu trabalho.

Em segundo lugar, quero lembrar que o próprio Freud era médico. Isso fez com que se pensasse que a medicina deveria ser a profissão escolhida para o exercício da psicanálise. Entretanto, Freud repudiou essa idéia. Elizabeth Rudinesco e Michel Plon apresentam na História do Movimento Psicanalítico na França, como Lacan avançou mais nesta questão.

Creio que o seu percurso será bastante interessante, mesmo que você estude psiquiatria.

Nesse blogue eu já analisei algumas questões relativas à formação e à prática da psicanálise, como indico nos links a seguir:

FREUD EXPLICA RESPONDE: PROFISSÃO PSICANALISTA 3; FREUD EXPLICA RESPONDE: PROFISSÃO PSICANALISTA2; FREUD EXPLICA RESPONDE: PROFISSÃO PSICANALISTA

Alem desses títulos eu publiquei um artigo em que um médico se ocupa de sua função médica levando em consideração alguns cuidados que seriam típicos da psicanálise. É importante salientar que o médico Miguel Srougi é professor de medicina e exerce exclusivamente a medicina. Contudo com o título: Medicina ou psicanálise? Uma sutil diferença, eu sugiro uma leitura diferenciada da entrevista.

Espero que o exposto lhe de o suficiente para suas futuras decisões.

05 novembro 2008

FREUD EXPLICA RESPONDE: MULHERES, QUERO ENTENDÊ-LAS...

Julino da Silva pergunta

Olá,

gostaria de saber por que as mulher são interesseiras? Existe alguma explicação que Freud possa dar sobre isso?

Espero que me responda.

abraço

Freud explica responde

Eta perguntinha difícil! Eu não conseguiria responder a essa pergunta sem continuar perguntando. Seriam somente as mulheres interesseiras? Quem não é interesseiro? Ou o que é o interesse?

Não se pode pensar em evolução sem pensar no interesse. O homem não teria saído da caverna se não tivesse tido, desde os primórdios, algum tipo de interesse. Darwin não teria escrito a Origem das Espécies, Pedro Álvares Cabral não teria descoberto o Brasil, Freud não teria inventado a psicanálise, nem o Brasil teria a forma de governo que tem, nem eu teria criado o blog Freud Explica e assim por diante.

Segundo o Dicionário Houaiss, o interesse aparece como uma manifestação do desejo individual ou coletivo. Podemos distinguir o interesse como aquilo que é importante, útil ou vantajoso, moral, social ou materialmente, por ex. : um serviço de interesse público; um estado de espírito que se tem para com aquilo que se acha digno de atenção, que desperta a curiosidade, que se julga importante. Nesse caso temos, tanto o escutar com interesse, quanto a falta de interesse. Nas artes: literatura, cinema, teatro ou música o interesse é a qualidade daquilo que retém a atenção, que prende o espírito. Um assunto de importância capital, uma atitude de benevolência para com uma pessoa e para com tudo que lhe diz respeito - mostrar interesse pela saúde. O apego por àquilo que só é vantajoso ou beneficia a si mesmo. Uma vantagem pessoal, a participação nos lucros dada ao empregado por um estabelecimento e o lucro decorrente dos juros produzidos pelo capital, são, também, alguns modos de manifestação do interesse.

A humanidade formou-se ao longo dos tempos seguindo os passos de interesses diversos. A expansão da economia e os avanços tecnológicos e medicinais são apenas alguns dos interesses incontestáveis.

Agora, pensar no interesse como um atributo tipicamente feminino eu considero um reducionismo. Freud não dedicou nenhum capítulo exclusivo sobre mulheres interesseiras, mas dedicou uma parte da sua obra a questão da feminilidade.

Aliás, a história da psicanálise começa basicamente no estudo sobre a histeria. De alguma forma, a psicanálise começa a partir do interesse feminino que permanece como destino da própria psicanálise. Freud acrescenta: “Não se esqueçam que, neste caso, só descrevemos a mulher enquanto seu ser é determinado por sua função sexual”. Freud (1931b), conferência XXXIII, “A feminilidade”, GW, XV, p. 145.

Se você esta falando da mulher interesseira como tal se apresenta no cotidiano, esquece. Isso só serve para criar anedotas, como essa:

A mulher pediu ao marido para trocar a lâmpada queimada e ele respondeu:

- Veja se na minha testa está escrito Osram!

Algum tempo depois ela pediu:

- Amor, pode consertar a porta da geladeira que esta caindo?

- Veja se na minha testa está escrito Brastemp!

Incomodado com os pedidos da esposa, ele foi para o bar assistir o jogo de futebol com os amigos.

Quando retornou, o marido encontrou a luz acesa. Depois foi à geladeira e a porta estava consertada. Então ele perguntou?

- O que aconteceu?

- Você não me deu atenção, eu fiquei sentada na soleira da porta chorando. Ai chegou um rapaz, ficou comovido e perguntou por que eu chorava. Eu contei e ele trocou a lâmpada e consertou a porta. Ai eu perguntei como eu poderia pagar, ele respondeu que poderíamos ir para a cama ou que eu fizesse um bolo.

- E qual o bolo que você fez?

- Aloô! - Veja se na minha testa está escrito Boa Sorte!.

A seguir apresento alguns textos que abordam a questão do feminino e seus interesses, com seus respectivos links.

GÊNERO NAS INTERSECÇÕES ENTRE ANTROPOLOGIA, PSICANÁLISE, PSICOLOGIA de Elisete Schwade:

O amor, a arte e o feminino: Reflexões a partir do filme Frida de Maria de Fátima Ferreira Péret:

O corpo erógeno de Serge Leclaire pela Editora Escuta

O que quer uma mulher? de Serge André pela Zahar Editora

E boa leitura.

04 novembro 2008

FREUD EXPLICA RESPONDE: PROFISSÃO PSICANALISTA 3

Mario Sergio pergunta

Bom Dia, Dr. Rogério, espero que esteja bem

Já enviei essas questões, mas como não obtive resposta, estou reenviando.

Devo me formar ano que vem em psicologia, escolhi psicanálise freudiana, tenho lido alguns livros sobre transferência, resistência, contratransferência, reconstrução, manejo de transferência, interpretação, etc., mas gostaria de entender mais sobre tudo isso. Apesar das leituras que tenho feito, ainda não consigo idealizar, visualizar essas idéias. Já estou estagiando. Passei por 8 anos de análise, dei uma parada e voltei. Nesta continuação, conheci outra analista que é diferente da minha anterior e ainda estou me adaptando.

Dentre as questões acima, também sempre me questiono em porque não é possível uma auto-analise, ou como diria Freud, a auto-analise pressupõe uma não-neurose, portanto, não haveria o que analisar ou, para dizer o oposto, a análise pressupõe que haja uma neurose de transferência, demanda etc., mas como auto-análise o sujeito está só, não haveria essa neurose. Não consigo ainda entender (apesar de estar fazendo) a necessidade de um OUTRO para haver analise, para dissipar os conflitos. Será realmente que, dentro da experiência de analise e mais dos conhecimentos adquiridos, não é possível uma auto-analise? Será que o conhecimento não nos daria uma capacidade de auto-interpretação e autoconstrução? Às vezes me pego imaginando como é a experiência de um psicanalista fazendo analise.

Por último, com relação à mudança ou transformação, ou seja, lá qual for o nome dado, elaboração, perlaboração, enfim. A partir de quando, em que momento é possível percebê-la ou senti-la? Eu já tenho noções sobre a parte da minha infância que gerou os momentos que estou passando, das atitudes repetidas, da angústia de separação, dos medos, conheço formas de interpretação, a construção já está sendo feita dentro das idéias e dos conceitos descobertos, então, afinal, como se daria essa mudança, crescimento?

Tenho lido sobre inscrição da pulsão, simbolização etc. Será que, sabendo alguns fatos da minha vida infantil, sabendo que estou repetindo e o que estou repetindo, não consigo elaborar isso?

Obrigado pela atenção, mais uma vez, um abraço

Freud Explica responde

Em primeiro lugar quero lhe pedir desculpa, por que tive um problema com a minha pasta e perdi o seu e-mail. Não tive como me conectar com você.

As questões que você apresenta são bastante profundas e densas para serem respondidas em um blog. Deixarei algumas indicações que reputo de relevância para a sua formação.

A escolha pela psicanálise num curso de graduação como o de Psicologia, indica, a meu ver, uma escolha que impõe um curso de formação. Freud já defendia a Idea de que para ser psicanalista era necessária uma formação especifica. Existem hoje no Brasil muitos cursos que oferecem formações com diversas orientações. Como você escolheu a orientação freudiana eu gostaria de lhe indicar a Formação Freudiana, com sede no Rio de Janeiro. Caso você resida em outra cidade eu poderia procurar uma indicação para esse fim.

A formação teórica é apenas um dos aspectos que constitui a formação do analista. Os outros dois são: a análise pessoal, que você já retomou, e a supervisão clínica advinda da prática.

Você fala que está estagiando. Pressuponho que seja numa unidade de atendimento psicanalítico, já que você escolheu a psicanálise. Se meu pressuposto estiver correto, acredito que já foram dados os passos mais importantes para a formação do analista.

A questão da auto-analise aparece num trabalho de Yeda Alcide Saigh para a revista Psychê — Ano XI— nº 20 — São Paulo — jan-jun/2007 — p. 117-128 “Freud iniciou sua auto-análise de maneira ocasional e fragmentada em 1890, baseado fundamentalmente na interpretação dos próprios sonhos, lembranças, lapsos e esquecimentos. No verão de 1897, ele levou adiante sua auto-análise de uma maneira mais rigorosa e sistemática. O método que utilizava era a associação livre, defrontando-se com períodos de muita resistência. Freud explorou-se a si mesmo continuamente, e converteu-se no mais informativo de seus pacientes. Para seu trabalho ele não contava com predecessores nem mestres, e à medida que avançava teve de inventar, ele mesmo, as regras pertinentes. O “primeiro” sempre é transgressivo e diferente de todos os demais. O fundador da psicanálise submeteu-se ao que só depois ele criaria. A psicanálise não existia antes de Freud: o primeiro psicanalista não teve, nem poderia ter tido analista que o analisasse.

Embora tenha feito ele mesmo sua análise, Freud tinha um interlocutor médico: seu mais íntimo amigo, Fliess, otorrinolaringologista bem-sucedido, de 29 anos, que morava em Berlim. As cartas de Freud a Fliess representam o grupo de documentos de maior importância para acompanhar Freud nas primeiras descobertas do que veio a ser conhecido como Psicanálise. “Essa correspondência abrange um período de dezessete anos, durante o qual ele escreveu, dentre outros trabalhos, o famoso caso clínico de Dora (1905) e A interpretação dos sonhos (1900-1901).”

Transferência, resistência, contratransferência, reconstrução, manejo de transferência, interpretação, são, dentre outros, conceitos da psicanálise que poderão ser encontrados nas mais diversas bibliografias incluindo as obras de Freud.

No livro Freud: “A trama dos conceitos” pela Editora Perspectiva, Renato Mezan esquadrinha os conceitos freudianos à luz da filosofia. Mezan aponta nos textos freudianos uma provocação e um desafio. Provocação pela radical novidade do que dizem e desafio pela complexidade e sutileza com que o novo campo é observado e mapeado resultando num conhecimento que “perturba a paz do mundo e o sono dos homens”.

Finalmente você quer informação sobre como se dá a mudança ou transformação e se o nome usado é perlaboração. Para isso você cita suas próprias experiências. Talvez fosse interessante você deixar isso a cargo de seu analista e procurar entender a teoria sem se preocupar muito se ela cabe ou não na sua historia de vida.

No Vocabulário de Psicanálise de Laplanche e Pontalis você encontrará o verbete perlaboração com sendo um processo pela qual a analise integra uma interpretação e supera as resistências que suscita. Ou seja, consiste num trabalho psíquico que permite o indivíduo aceitar certos elementos recalcados e libertar-se da influencia dos mecanismos repetitivos.

Segundo Melanie Klein, a nossa experiência quotidiana confirma constantemente a necessidade de perlaborar: é assim que vemos pacientes que em determinada fase, adquiriram insight, recusarem o mesmo nas sessões seguintes; às vezes, até parecem ter esquecido que alguma vez o tenham feito seu. Só tirando as nossas conclusões do material, tal como reaparece em diversos contextos, e interpretando-o adequadamente, ajudamos progressivamente o paciente a adquirir insight de forma mais duradoura.

Espero ter fornecido bastante argumento para que você procure um bom lugar para a sua formação e que tenha sucesso neste empreendimento.

02 novembro 2008

FREUD EXPLICA RESPONDE: PROFISSÃO PSICANALISTA2

Patricia Lima pergunta

Rogério,

Leio sempre seu blog pois acho que possui sempre coisas interessantes a respeito de Freud e outros assuntos.

Só outro dia percebi que você é biólogo e psicanalista e por isso resolvi te escrever.

Também sou bióloga, apesar de nunca ter trabalhado nessa área. Acabei, por interesse e outras especializações, trabalhando na área de recursos humanos, mas já tem algum tempo que tenho vontade de fazer psicanálise, para depois trabalhar em psicanálise clínica.

Tenho como estudar psicanálise sem ter feito psicologia? De que forma você fez?

Aguardo seu retorno

Obrigada

Freud Explica responde:

Cara Patricia

Sempre que me vejo diante dessas questões, a primeira coisa que faço é indicar a leitura de ”A Questão da analise leiga” escrito por Freud em 1926. A finalidade dessa indicação desmistificar a psicanálise como parte da medicina ou da psicologia. Eu vejo a psicanálise muito mais devedora de ensinamentos da filosofia do que dessas disciplinas. Também vejo a psicanálise devedora de outros ramos do conhecimento e principalmente da biologia.

Além de ser eu mesmo um biólogo de formação, tenho vários colegas que também se interessaram o hoje militam na psicanálise, mas para não ser redundante indico a leitura do post FREUD EXPLICA RESPONDE: PROFISSÃO PSICANALISTA que foi publicado aqui mesmo em 10 de agosto passado atendendo ao apelo de outro colega biólogo.

No mais, eu quero parabenizá-la pela escolha desejando sucesso neste árduo percurso.

09 outubro 2008

FREUD EXPLICA RESPONDE: A ESQUIZOFRENIA NA PERSPECTIVA DA PSICANALISE

Alessandra do Couto Valentim pergunta:

Ola, bom dia

Descobri teu site e o achei muito interessante, acima de tudo com uma coisa inédita: essa de poder perguntar algo.

Pois é, gostaria de saber o que é a Esquizofrenia sob a perspectiva da Psicanálise.

Se possível também, a causa dela.

Muito obrigada

Freud explica responde:

O termo esquizofrenia foi criado por E. Bleuler (1911) para designar um grupo de psicoses cuja unidade tinha sido mostrada por Kraepelin reunindo-as no capítulo “demência precoce” e distinguindo nelas três formas que se tornaram clássicas: a hebefrênica, a catatônica e a paranóide.

Bleuler pretendia por em evidência o que, para ele, constitui o sintoma fundamental das psicoses: a Spaltung (dissociação). O termo impôs-se na psiquiatria e na psicanálise, apesar das divergências de autores sobre o que garante à esquizofrenia a sua especificidade e, portanto, sobre a extensão do quadro nosográfico.

Clinicamente, a esquizofrenia se apresenta de maneiras muito distintas com as seguintes características: a incoerência do pensamento, da ação e da afetividade, o afastamento da realidade com um dobrar-se sobre si mesmo e predominância de uma vida interior entregue às produções fantasmáticas (autismo), uma atividade delirante mais ou menos acentuada e sempre mal sistematizada.

O caráter crônico da doença, que evolui segundo os mais diversos ritmos no sentido de uma deteriorização intelectual e afetiva e resulta, muitas vezes, em estados demenciais. A demência constitui para o psiquiatra um traço determinante para o diagnóstico da esquizofrenia.

Embora Freud tenha fornecido muitas indicações sobre a esquizofrenia, outras indicações sobre o funcionamento do pensamento e da linguagem, pode-se dizer que a tarefa de definir a estrutura dessa afecção continua a pertencer aos seus sucessores.

A seguir apresento um trabalho onde desenvolvi a construção do aparelho de influenciar descrita por Victor Tausk finalizando com um fragmento clínico.

“Tausk já se constitui num autor clássico da psicanálise e é evidentemente importante que possamos conhecer os autores fundamentais da nossa disciplina, isto é, aqueles que foram ativamente responsáveis na constituição do saber psicanalítico. A inexistência de traduções e a falta de circulação dos ensaios de Tausk no Brasil são efeitos na superfície de um processo primordial que se articula no campo psicanalítico”.

Essa é uma introdução de Joel Birman no seu artigo no livro “A Origem do Aparelho de Influenciar na Esquizofrenia”, de Victor Tausk como uma contribuição à clínica psicanalítica.

Tausk teve um percurso na psicanálise entre 1908 e 1019, onze anos, portanto, de uma vida dedicada à psicanálise demarcada por profundas mudanças na sua vida pessoal e profissional. Os problemas que determinaram o afastamento de Adler e Jung da Sociedade Psicanalítica de Viena não foi para ele sentido como um episódio menor. Ele mesmo provará mais tarde o dissabor da rejeição de Freud. No início de 1919, procurou-o para ser analisado, sendo recusado e enviado para fazer análise com Helena Deutsch, uma discípula recém chegada ao grupo e que se analisava com Freud. É claro que Tausk poderia ter solicitado um analista mais experiente, mas só aceitou Helena porque percebeu que com ela ele próprio ficaria mais próximo de Freud. Apesar de ter sido para ele uma decisão difícil, aceitou dando início a uma análise que foi, três meses depois, interrompida drasticamente por Freud.

É importante lembrar que, entre 1912 e 1913, ele era considerado brilhante por Freud. Ele teve um caso amoroso com Lou Andreas-Salomé que mais tarde se tornaria amiga confidente de Freud, que nutriria por ela uma paixão secreta.

Em 1919, término da primeira grande guerra, Tausk começou o noivado com Hilde Loewi, publicou “Sobre a Origem do Aparelho de Influenciar na Esquizofrenia” e cometia seu ”duplo suicídio” enquanto que, neste mesmo ano, Freud mandava para publicação o artigo “Das Unheimliche”.

Esta pequena cronologia pretende ser a introdução da vida de quem se dedicou intensamente da psicanálise e de seu saber. Relevante também seria contabilizar todos dados que determinaram o rumo tomado por ele até a sua morte. De um lado encantamos um Tausk inquieto, arguto e audaz que parecia ter sempre pressa em concluir idéias, pensamentos e sentimentos enquanto de outro encontramos um Freud que matura bem devagar as suas idéias e que não gostaria de vê-las concluídas e divulgadas antes dele.

Freud escrevendo para Lou, após a morte de Tausk assinalou: ”Assim, durante toda a sua vida, até o fim ele lutou contra o fantasma de seu pai. Confesso que não sinto falta dele; há muito tempo considero-o inútil e mesmo uma ameaça para o futuro”.

Como todo e qualquer psicanalista daquela época, Tausk entrou pela porta principal de acesso a psicanálise que representa, na verdade, uma entrada legítima, ou seja, entrou com a singularidade de sua angústia e as impossibilidades colocadas pela sua própria subjetividade.

Como teórico original, ele foi polêmico, inovou na teoria e foi pioneiro na exploração de novos domínios da experiência psicanalítica. Contribuiu para o atendimento da psicose como objeto de investigação por excelência, onde retomou a problemática inaugurada por Freud, Abraham e Jung.

A “Origem do Aparelho de Influenciar no Curso da Esquizofrenia” revela, portanto, o conjunto de contribuições teóricas, para o estudo da psicose e revela também a incidência do imaginário como no romantismo alemão da época.

Tausk descreve o “Aparelho de Influenciar“ como sendo uma máquina de natureza mística que, somente por alusões, se pode dizer como ela é feita. Sabendo-se apenas que é constituída imaginariamente de caixas, manivelas, alavancas, baterias, etc. e que para se poder fazer uma boa articulação do aparelho de influenciar com os quadros clínicos, é preciso distinguir seus efeitos. Em primeiro lugar, não funcionam como uma alucinação visual típica, pelo contrário, as imagens são vistas em um só plano, como se fosse uma fita de desenho animado no cinema.

O aparelho produz e furta pensamentos e sentimentos e em geral, os doentes não sabem como ele funciona, mas acreditam que sua função é a de permitir aos perseguidores criar ou furtar pensamentos e sentimentos.

Também produz ações motoras no corpo do doente, ereções, poluções, com a finalidade de privar o doente de sua força viril e enfraquecê-lo. Produz ainda algumas sensações que não podem ser descritas pelo doente, por sua total estranheza. O aparelho também é responsável por outros fenômenos somáticos como erupções, furúnculos e outros processos mórbidos.

Ao que tudo indica, ele serve para perseguir o doente e é manipulado por inimigos. Tausk descreve estes perseguidores como inimigos exclusivamente do sexo masculino, que se utilizam do instrumento e, muito freqüentemente, entre os perseguidores, estão os médicos que cuidam do doente.

Tausk acrescenta que, por muitas vezes, alguns doentes acusam todos esses fatores sem atribuí-los à ação de um aparelho. Alguns doentes acreditam em forças telepáticas vindas de inimigos devido às sensações sentidas em seu próprio corpo e espírito.

O aparelho aparece como sintoma num estágio mais avançado da doença e tende a modificar-se ao longo da vida. A clínica explica o sintoma da mesma forma que a paranóia (perseguição que também é inventada pelo doente), para justificar o seu delírio de grandeza que a clínica chama de “paranóia somática”.

Num bom número de casos parece certo, em outros bastante provável, que a partir de sentimentos de transformações que aparecem sob o signo da estranheza. Sem por em causa algum responsável, formam-se sentimentos de perseguição em que o sentimento de transformação é atribuído à ação de uma pessoa estranha por sugestão ou influência telepática. Partindo deste pressuposto podemos admitir que o aparelho de influenciar seja o ponto final da evolução do sintoma, que teve seu início num simples sentimento de transformação.

Tausk acreditou tratar-se de um sentimento de influência por identificação com o perseguidor e lembra a tese defendida por Freud e por ele mesmo, quando diz que a identificação no mecanismo da escolha objetal precede a escolha objetal por projeção, que constitui a verdadeira posição do objeto.

No Problema Econômico do Masoquismo, Freud acrescenta que quando o indivíduo apresenta um sentimento inconsciente de culpa, o lucro que recebe da doença, no confronto das forças que lutam contra o seu restabelecimento e as que se recusam ceder o seu estado de enfermidade é transformado em satisfação. É o sofrimento que é transformado em satisfação. É o sofrimento que faz valiosa a tendência masoquista. Mesmo quando o indivíduo está envolvido na desgraça de um casamento infeliz, perde todo o seu dinheiro ou desenvolveu uma doença grave, a forma de sofrimento pode ser substituída por outra forma na impossibilidade de se manter num determinado grau de sofrimento.

Podem-se dizer que o masoquista escolhe o seu objeto como quer Freud, no caso de Tausk este objeto é construído sob a forma do Aparelho de Influenciar

A máquina habitual de influenciar é construída de forma totalmente incompreensível. Não se pode imaginar pedaços inteiros. Mesmo nos casos em que o doente tem a impressão de compreender bem a construção da máquina, é evidente, porém, tratar-se de um sentimento análogo ao do sonhador que apenas tem a sensação de uma compreensão, mas não a compreensão propriamente dita. Sabemos disso quando pedimos ao doente que descreva a máquina.

Para Tausk o psicanalista não terá qualquer dúvida de que esta máquina é um símbolo, conforme Freud explicou dizendo que, nos sonhos, as máquinas significam sempre os órgãos sexuais.

Outra questão importante é a forma como o aparelho é manipulado. Tausk acrescenta que, segundo as suas análises, as máquinas representam sempre os órgãos genitais do próprio sonhador, em sonhos de masturbação. O sonho da máquina se opõe ao desejo de ejaculação por mutações simbólicas sucessivas, ou seja, o sonho da máquina tem um mecanismo semelhante; como diferença, ele indica que novas partes que surgem são acrescentadas e não substituem as antigas. O resultado é que o símbolo se faz de forma mais complexa. Cada nova complicação chama a atenção do sonhador, desperta o seu interesse intelectual e, ao mesmo tempo, enfraquece o interesse libidinal. A nova complicação age como inibidora da pulsão.

Partindo da idéia de que o aparelho de influenciar venha a ser uma representação dos órgãos genitais do doente, a representação seria, na origem, análoga à máquina do sonho.

Os esquizofrênicos queixam-se de que o aparelho produz ereções, subtrai o esperma e enfraquece a sua virilidade, reforçando esta suposição. Dai se concluir que “assimilando o sintoma a uma produção onírica e colocando a doença em um nível psicanaliticamente acessível à interpretação do sonho, deu-se já um passo além das necessidades de racionalização e de causalidade em que se apoia a clínica tradicional para interpretar a máquina de influenciar na esquizofrenia”.

Quando na paranóia o sentimento de estranheza fracassa em sua função protetora, a pulsão libidinal orientada para o objeto homossexual é projetada nesse mesmo objeto e aparece, então, numa direção inversa como agressão contra aqueles que ama como perseguição. Os estranhos se tornam inimigos. A hostilidade é uma tentativa de autoproteção, nova e reforçada, contra a libido inconsciente recusada. O mesmo pode-se passar no que concerne à libido orgânica narcísica no decorrer da esquizofrenia, ou seja, o órgão alienado aparece como inimigo externo, como um aparelho utilizado para prejudicar o doente.

Finalmente, Tausk distingue três fases principais na história evolutiva no aparelho de influenciar:

Na primeira, o sentimento de alteração provocado pela extase libibinal no nível de um órgão (hipocondria). Ou como diria Freud, que as palavras estão sujeitas a um processo igual ao que interpreta as imagens oníricas dos pensamentos latentes. Passam por uma condensação e, por meio de deslocamento, transferem seus investimentos de umas palavras para outras. Este processo pode ir tão longe que uma única palavra, se for adequada devido a suas numerosas conexões, acaba assumindo a representação de todo um encadeamento de pensamento.

Na segunda, o sentimento de alienação provocado pela recusa que o ego opõe ao órgão do doente. O ego nega o órgão alterado ou sua função, não os considera mais, fazendo parte das relações que ainda reconhece entre órgãos e funções que permaneceram perfeitos ou relativamente sadios: o órgão é então excluído, é o que Freud chama de “fala do órgão” e que foi trabalhado brilhantemente, no próprio caso que Tausk apresentou em seu trabalho. Consiste numa moça que foi levada à sua clínica após uma discussão com seu amante e que se queixava de que seus olhos não estavam direitos, estavam tortos, e, mesmo explicando o fato em linguagem coerente, empreendeu uma série de acusações contra o amante. Ela não poderia, de forma alguma, compreendê-lo, pois a cada vez ele parecia diferente, era hipócrita, um entortador de olhos, ele tinha entortado os seus olhos, o que a obrigava ver o mundo com olhos diferentes.

E por fim, o sentimento de perseguição (paranóia somática) vem da projeção das modificações patológicas no mundo exterior.

Como exemplo clinico apresento o seguinte fragmento:

Trata-se de uma mulher, de aproximadamente 35 anos de idade, caçula de quatro irmãos, morando com a mãe já idosa, que vou chamar de Maria. Sendo a única que não concluiu o curso secundário, enquanto os seus irmãos concluíram o curso superior. Ela parece acreditar que a interrupção dos seus estudos foi o preço que teve de pagar para que seus irmãos obtivessem sucesso intelectual e profissional.

- Não sou eu quem deveria estar aqui. Quem deveria estar aqui é a minha irmã. Ela sim é que precisa. Lá em casa eu sempre fiquei para trás em tudo. Depois que a minha irmã mais velha morreu, meu pai quis me aposentar pelo INSS como louca, mas eu não deixei. Eu trabalhava como autônoma fazendo desenhos e pagava o meu INSS todo o mês. Por causa desta história do meu pai eu parei de pagar o INSS e foi ai que tudo começou.

- Eu não sei como eles souberam que eu não estava pagando e começaram a me seguir. Eu moro num apartamento de frente, no 2º andar num bairro da zona norte e, de vez em quando, eu ouvia quando eles passavam na rua e diziam: É aqui que mora aquela maluca! Ela não paga o INSS! Ou então me chamavam de piranha, de puta, de ladra ou qualquer coisa. Chegaram até a colocar uma máquina lá na minha casa para ler os meus pensamentos. É uma máquina infernal. Toda a vez que eu pensava em alguma coisa a máquina começava a funcionar e eu esquecia tudo o que estava pensando, ou então ela me dava ordens, me mandava eu fazer coisas que eu não queria e eu não fazia mesmo. A máquina mandava em todo mundo lá em casa. Todas as maldades que minha irmã fazia comigo era por ordem daquela máquina.

Perguntada como eram a máquina e as ordens que recebia, Maria disse que não sabe bem como é, o que sabe é que a máquina tem um motor possante que escuta sempre tocando lá na sala. Tem fios, braços que se movimentam como querendo pegar a gente e uma boca que dá as ordens e que suga os pensamentos. É uma caixa quadrada, fica parada, mas não tem cabeça, e continua:

- Eles estão cada vez mais atrevidos. Um dia, eu ouvi quando eles combinavam dia e hora para nos atacar.

- Eu passei a botar um pedaço de pau na janela para impedir que eles pudessem abri-las por fora. Eu falo para as pessoas lá de casa, mas eles não acreditam, dizem que eu estou ficando louca, que nada disso existe, que eu é que fico inventando coisa. Só que eu ouvi quando eles disseram que vinham pegar as minhas jóias, ai eu resolvi mudá-las de lugar, mas eles sempre sabem onde eu escondo, eles lêem o meu pensamento. Já tomei as minhas providências, liguei para a Globo e contei tudo para eles. Um dia vocês vão ver que eu tenho razão.

Se Maria indica aqueles que são seus perseguidores, ela também se identifica com eles, na medida em que ela mesma deixa, deliberadamente, de pagar o INSS. A desculpa do calote serve para evitar que seu pai a aposente como louca, mas não pagar o INSS a deixa em posição contrária, da mesma forma que seus perseguidores estão em relação a ela.

Maria relatou que seus agressores são sempre do sexo masculino e atuam por telepatia, já que adivinham os seus pensamentos, criam nela sentimentos e assim por diante. Atribuiu que as manchas e erupções que surgiram no seu corpo foram causadas pelo manejo do aparelho por seus perseguidores. São homens que a perseguem se utilizam do aparelho. Agem por vingança por que ela é devedora do INSS. Como a sugestão fracassou, eles recorreram, então, ao aparelho de influenciar. Não só ela, mas também a mãe, os médicos e os amigos, todas as pessoas estavam submetidas à diabólica máquina.

Bibliografia utilizada

Tausk, V.; Katz, C. e Birman, J. (org.) - Tausk e o Aparelho de Influenciar na Psicose - Ed. Escuta

Roazen. Paul - O Irmão Animal - Ed. Imago

Roustang, F. - Um Destino Tão Funesto - Ed. Timbre Taurus

Tausk, V. - Trabajos psicanalíticos - Ed. Gedisa

Freud, S - Standard Editions - Obras Completas - vol. XIII, Pág. 229; - vol. XIV, Pág. 225 e- vol. XVII, Pág. 339