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13 julho 2010

OBRIGADO PAULO MOURA



Aprendi a gostar de Paulo Moura ouvindo o som de seu clarinete na minha juventude. Nos bailes, nas apresentações aquele som me encantava. Boocker Petman, Vitor Assis Brasil, Moacyr Silva e muitos outros também encantaram o meu imaginário, retirando desse instrumento um som meloso e agradável..

O clarinete é um descendente do chalumeau, instrumento bastante popular na Europa pelo menos desde a Idade Média. Em 1690, Johann Christoph Denner, charamelista alemão, acrescentou à sua charamela uma chave para o polegar da mão esquerda, para que assim pudesse tocar numa abertura, o que lhe trouxe mais possibilidades sonoras. Surgiu, assim, o clarinete contemporâneo. Introduzido nas orquestras em1750, foi um dos últimos instrumentos de sopro incorporados à formação orquestral moderna.

Paulo Moura destacava-se pela sua simplicidade e generosidade. Tocava musicas nacionais internacinais, clássicas e principalmente o chorinho e o jazz. Em 1982, compôs a trilha sonora do filme O Bom burguês, dirigido por Oswaldo Caldeira. Participou em 2005 de uma turnê nacional e internacional do espetáculo Homenagem a Tom Jobim, ao lado de Armandinho, Yamandú Costa e Marcos Suzano.

Moura ganhou o primeiro Grammy Latino para Música de Raiz com o trabalho "Pixinguinha: Paulo Moura e os Batutas", em 2000. E foi indicado novamente ao Grammy em 2008, na categoria Melhor CD Instrumental, como disco "Para cá e Pra Lá".

O músico estava internado na Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro, desde o dia 4 de julho com um linfoma (câncer do sistema linfático), falecendo 8 dias depois.

Por essa brilhante carreira, o meu muito obrigado por poder estarmos próximos ao longo de tantos anos, desfrutando de suas belas composições e execuções.


Sobre Paulo Moura

09 junho 2010

PAI É PRESO NO MARANHÃO POR MANTER EM CARCERE A FILHA E SETE FILHOS/NETOS


O Pai ideal é proveniente, ou, se quisermos, é um filho da metáfora paterna, enquanto podemos descrevê-la como uma inversão que se opera, desde a idade das primeiras simbolizações, do ser do pai no Pai do ser. Esta inversão constitui um caso particular, mas certamente o mais decisivo, da indução do imaginário pelo simbólico. E esta indução faz com que, na fase fálica, o pai apareça como sendo duplamente possuidor: da mãe e do que é necessário para possuir a mãe. Esse efeito imaginário equivale, pois, a uma crença ou julgamento de atribuição. Atribuição de quê? De um objeto do desejo que não é este o objeto, isto é, um objeto singular localizável ou numericamente um, e um objeto comum, múltiplo ou multiplicável (como é o caso para todo objeto real); mas um objeto que basta para suscitar o desejo, pra não dizer comandá-lo, um objeto, em suma, que tem a singularidade de que ninguém o porta; vale dizer que a atribuição é do significante falo ao pai simbólico como tal, e é precisamente a partir daí que se prossegue a interrogação sobre a existência de um pai que seja dessa índole.

Estudos sobre o Édipo de Moustapha Safouan, pag. 134, Zahar Ed.


09/06/2010-14h20
Pai é preso por manter filha em cárcere e ter sete filhos com ela no MA
ROBERTA GOMES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA de S. Paulo, DE SÃO LUÍS
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O lavrador José Agostinho Bispo Pereira, 54, foi preso em flagrante no município de Pinheiro --a 340 km de São Luís (MA)-- sob acusação de abusar, por cerca de 15 anos, da filha --hoje com 28 anos. Pereira teve com ela sete filhos, e os mantinha em cárcere privado no povoado Experimento, a uma hora do município.

Pereira confessou o crime e responderá por cárcere privado e estupro de vulnerável, além de abandono material, abandono intelectual, maus-tratos, pelas condições em que se encontravam a jovem e as crianças. Ele está detido na Delegacia Regional de Pinheiro.

A filha e as sete crianças estão em um abrigo, onde recebem acompanhamento psicológico e médico. A prisão do lavrador foi feita na noite de terça-feira (8), após 15 dias de investigação da Polícia Civil. O caso chegou à polícia por meio de uma denúncia anônima durante uma ação de combate ao abuso sexual de crianças e adolescentes.

Segundo os delegados responsáveis pela investigação, o acusado começou a abusar da filha quando ela tinha 12 anos e, desde então, vivia maritalmente, escondido no povoado. Com a filha, Pereira tem filhos de 12, 8, 6, 5, 4 e 2 anos, além de um bebê com pouco mais de dois meses.

Nem a moça de 28 anos nem os filhos sabem ler. Segundo a delegada Adriana Meireles, há uma grande dificuldade de se comunicar com eles. Ainda segundo a polícia, Pereira já estava aliciando as duas meninas de 8 e 6 anos.

"Encontramos uma situação bem delicada nesse caso. Foi difícil convencer essas crianças e a moça a entrarem no carro, por exemplo. Eles nunca tinham saído do povoado. Quase não falam, são muito traumatizadas", comentou a delegada. Ao chegar na casa escondida no povoado, foi constatada a falta de comida e de roupas.

De acordo com a polícia, a mulher de Pereira e mãe da jovem abandonou a família quando a filha era pequena. O inquérito da Polícia Civil deverá ficar pronto em 10 dias e será encaminhado para a Promotoria do município de Pinheiro.

Há dois anos um caso semelhante teve repercussão em todo mundo. Em março de 2009, o engenheiro aposentado Josef Fritzl, 73, foi condenado a prisão perpétua por estuprar e prender a filha no porão de sua casa, em Amstetten, no leste da Áustria, por 24 anos. Eles tiveram sete filhos.

26 junho 2009

LEI, ESTADO E DESEJO


Quando se trata de aplicar a Lei a psicanálise não pode se excluir do cenário político. Por isso trago um pouco do seria essa questão no ponto de vista de Miriam Chnaiderman num texto de mesmo nome. “A herança teórica e política deixada por Lacan vem se prestando a usos que questionam a idéia, levantada por ele, de que a psicanálise é fundamentalmente ética.”

“Num encontro da Causa Freudiana, em Buenos Aires, Jacques Alain Miller, genro de Lacan, pede que a polícia invada uma livraria onde eram vendidas edições "piratas" dos seminários de Lacan. Segundo sua própria justificativa, quer ser fiel a um desejo de Lacan que lhe encarregou de cuidar da edição de todos seus textos. Na França, vários processos estão correndo devido à utilização de textos de Lacan ainda não publicados oficialmente.”

“Qual esperança faz com que Eduardo Mascarenhas e o saudoso Helio Pellegrino, após terem sido expulsos da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro devido às denúncias que fizeram no caso Amílcar Lobo (analista que colaborou na tortura nos anos da repressão), lutassem – até conseguirem – pela sua reintegração na instituição que denunciavam? “ Continue lendo no link acima.

Estes aspectos levantados têm por finalidade demonstrar o quanto uma denúncia tem importância dentro da psicanálise enquanto instituição. E como é necessária uma ação em conjunto para o estabelecimento da Lei, do Estado e do desejo. O cidadão carioca também pertence a uma instituição que é a cidade onde ele é um munícipe e elege pelo voto o seu dirigente.

A denúncia que se faz necessária refere-se ao Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) que esta sendo usado como um cruel e desumano instrumento do efeito confisco do patrimônio dos contribuintes, violando dispositivo expresso em nossa Constituição. O livro "IPTU Imposto para trambiques urbanos?" é de autoria do Professor Jorge Brenand que se diz um “jovem” com mais de oitenta anos de idade, nordestino de nascimento e carioca por adoção do modo de vida.

Repasso o texto “Os trambiques do IPTU na cidade maravilhosa” de João S. Magalhães, publicado no seu blog e que é aqui replicado, atendendo a sua própria solicitação.

Os trambiques do IPTU na Cidade Maravilhosa

Posted by João S. Magalhães

23 de junho de 2009

No Brasil, o dinheiro público já vem com o toque de Midas. Quem o manipula, geralmente vira milionário em pouco tempo.

Nesse sentido, os escândalos se sucedem. Abrem-se CPIs suspeitas, a imprensa (quando lhe interessa) divulga, mas, como já está comprovado, tudo termina em pizza.

Agora, vem à tona mais uma denúncia de peso: no Rio de Janeiro, o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) é usado como cruel instrumento do efeito-confisco do patrimônio dos contribuintes, violando dispositivo expresso em nossa Carta Magna.

Afirmação leviana? Acredito que não. Acabei de ler o livreto IPTU – Imposto Para Trambiques Urbanos? assinado pelo renomado jornalista e professor de Economia Jorge Brennand, sob a coordenação do Movimento Rio Cidade Legal (MRCL) e patrocinado pela nossa dinâmica Maçonaria.

Por meio de simples relações aritméticas, que qualquer mortal pode efetuar, Brennand demonstra que há mais de 1 milhão de ações executivas fiscais indevidas contra cidadãos comuns, o que gera um problema social assustador.

Brennand aponta ainda a existência de uma suposta classe de privilegiados que pouco ou nada pagavam do tributo, a exemplo de funcionários públicos e políticos locais.

“O IPTU no Rio corrói a sociedade e aniquila a cidadania”, dizem os coordenadores do Movimento Rio Cidade Legal, na apresentação do trabalho de Brennand.

Está marcada para a próxima terça-feira (30/06/2009) – o horário não foi confirmado ainda – o lançamento oficial do livro de Brennand.

O local não poderia ser mais apropriado: na Avenida Rio Branco, em frente à Câmara Municipal. A propósito, cada um dos vereadores receberá um exemplar para – talvez, contudo, todavia ou jamais – tomar providências sobre a matéria em questão.

Por enquanto, a publicação não tem preço de capa. Qem estiver interessado em adquiri-la, pode enviar uma mensagem para o e-mail do professor Brennand.

Em tempo: peço aos amigos da blogosfera que repiquem esse post em seus blogs. Será mais uma forma de pressão contra os desmandos das administrações públicas tupiniquins.

30 outubro 2008

CRIANDO MONSTROS


Eu não costumo publicar aqui qualquer coisa que recebo por e-mail, principalmente quando não tem um autor declarado.
No presente caso, não ter um autor é adequado. Cada um de nós pode se apropriar e ser o autor. Não digo autor do texto, mas autor do que ele apresenta. Fica, portanto, aqui um convite para que cada leitor possa tornar-se autor de um NÃO.
Por Rogério Silva


O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por… NADA?

Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental?

Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?

O rapaz deu a resposta: 'ela não quis falar comigo'. A garota disse Não, não quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um não.

Seu desejo era mais importante.

Não quero ser comparado como um desses psicólogos que infestam os programas vespertinos de TV, que explicam tudo de maneira simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros. Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o não da menina Eloá foi o único.


Em tempo:

Quando editei esse post não conhecia o autor, pois me foi enviado como tendo uma autoria anônima. Todos nós sabemos que, mesmo sem assinatura, um texto sempre tem autoria. Contudo a importância e relevância me levaram à publicação com a observação acima.

Agradeço a colaboração de Adriana, indicando que a autora do texto é Karina Cabral.

Para continuar lendo clique no link acima.

28 maio 2008

STF: PESQUISAS COM CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS TÊM QUATRO VOTOS A FAVOR

Cláudia Andrade

De Brasília

O julgamento das pesquisas com células-tronco embrionárias tem agora quatro votos a favor, dois "parcialmente" contra e um favorável, mas com ressalvas. O que está sendo julgado é uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) que contesta a permissão desse tipo de pesquisa, com base no princípio constitucional do direito à inviolabilidade da vida. Os ministros Joaquim Barbosa, Cármen Lúcia, Ellen Gracie e Carlos Ayres Britto se manifestaram contra a Adin e, portanto, a favor das pesquisas.


Ricardo Lewandowski e Menezes Direito se disseram "parcialmente" a favor da Adin, propondo restrições às pesquisas, com ênfase na proibição da destruição de embriões. Eros Grau também é contra a destruição, mas não considerou a Lei de Biossegurança - que permite as pesquisas com células-tronco embrionárias - inconstitucional; apenas sugeriu alterações à mesma. Essa defesa ainda deverá ser discutida pelos ministros, como previu o próprio presidente do Supremo, Gilmar Mendes.

Leia mais...

23 maio 2008

FOLHA EXPLICA

Livro conta vida e obra de Freud e esmiuça principais conceitos; leia introdução

da Folha Online

Leia a seguir o primeiro capítulo do livro "Freud", volume da coleção "Folha Explica" que conta a vida e a obra de Freud e o desenvolvimento da psicanálise. A introdução pode ser lida abaixo.

Divulgação
"Folha Explica Freud" traz conceitos fundamentais da psicanálise

O livro descreve o trabalho de Freud com Charcot, médico francês que usava hipnotismo para tratar pacientes de histeria, e como, a partir de suas pesquisas, chegou ao conceito do "inconsciente" e tentou desvendar seu funcionamento. Aborda o estudo da sexualidade infantil e a formulação do complexo de Édipo, além da libido, a neurose, a perversão e o desenvolvimento da psicanálise.

O texto mostra como Freud chegou à idéia de mal-estar da civilização após observar a Primeira Guerra e discute a evolução da psicanálise a partir dos discípulos de Freud. A linguagem clara esmiuça os principais conceitos da psicanálise para estudantes e o leitor comum.

-Leia resenha "Livro revela o poder do inconsciente", de André Singer, publicada à época do lançamento do livro.

Como o nome indica, a série "Folha Explica" ambiciona explicar os assuntos tratados e fazê-lo em um contexto brasileiro: cada livro oferece ao leitor condições não só para que fique bem informado, mas para que possa refletir sobre o tema, de uma perspectiva atual e consciente das circunstâncias do país.


20 maio 2008

HENRY MOORE, FRANCIS BACON E LUCIAN FREUD

O Museu Oscar Niemeyer está apresentando uma seleção de obras gráficas de Henry Moore (1898-1986), Francis Bacon (1909-1992) e Lucian Freud (1922), que vai até agosto deste ano.


A exposição conta com a curadoria do venezuelano Félix Suazo e foi especialmente produzida para o MON. Reúne 47 trabalhos, elaborados entre os anos 70 e 90, que integram a coleção de mais de mil gravuras do Museu de Arte Contemporânea de Caracas.

Os três artistas de fundamental importância no século passado se identificam ao abordar a idéia do corpo e sua representação, abrangendo desde a mais estrita meticulosidade anatômica, no caso de Freud, até a simplificação estrutural de Moore, passando pela distorção expressiva de Bacon.

Quando se trata de corpo, eu sempre sinto a falta de dois outros artistas. Fernando Botero que é um pintor colombiano (1932), cujas obras destacam-se, sobretudo por figuras rotundas, o que pode sugerir a estaticidade da humanidade e Rom Mueck (1958) que é um escultor australiano hiperrealista que trabalha na Grã-Bretanha. Este escultor utiliza efeitos especiais cinematográficos para exemplificar o corpo humano. Esses dois artistas não fazem parte dessa mostra.

O que se pode encontrar em Moore, Bacon e Freud, é o discurso figurativo alimenta-se de temas cotidianos ou íntimos. Nos retratos, nus e estudos a imagem corporal manifesta diversos estados da condição humana, debatendo-se entre a dilaceração, a inapetência e a plenitude carnal... O corpo transfigurado em Bacon, a relação entre psique e gênero em Freud e o vínculo expressivo que se estabelece entre estrutura e sensualidade em Moore.

Na mostra, a cor em Bacon, o traço em Freud, o volume em Moore, denotam o modo como estes artistas manipulam as técnicas gráficas: Por um lado, Bacon e Moore utilizam a litografia de forma específica a cada um, inclinando-se respectivamente ao momento da cor ou linha, enquanto Freud se mostra de maneira muito versátil com a água forte e a ponte seca, aos quais vêm agregadas ocasionalmente as técnicas do pastel e da aquarela. Esta mostra procura registrar os paralelismos e as convergências características destes autores, tanto na técnica como na dimensão plástica, sempre enquadradas em dois eixos matriciais: a figura e a gravura. Bacon, Freud e Moore situam-se em um ponto intermediário entre as correntes realistas e as expressionistas, com algumas alusões ao surrealismo. Compartilham com estas correntes no aspecto figurativo, mas se diferenciam de suas posturas críticas e de seu impulso socializante.

Vale à pena conferir. Quem sabe na volta possamos trocar comentários.

Bacon, Freud, Moore, Figuras e Estampas

Período Exibição Público: 12 de abril até 10 de agosto

Patrocínio: Sanepar

Apoios: Ministério da Cultura, Governo do Paraná, Secretaria de Estado da Cultura, Caixa Econômica Federal, Governo da Venezuela, Ministério da Cultura da Venezuela e Fundação de Museus Nacionais da Venezuela.

Museu Oscar Niemeyer

Rua Marechal Hermes, 999

Centro Cívico – CEP: 80530-230

Telefone: (41) 3350-4400

Horário: de terça a domingo, das 10h às 18h

Preços: R$ 4,00 adultos e R$ 2,00 estudantes

(Não pagam crianças de até 12 anos, maiores de 60 anos e grupos agendados de estudantes de escolas públicas, do ensino médio e fundamental)

26 abril 2008

ÉRAMOS TODOS NEGROS

Drauzio Varella

A você que se orgulha da cor da própria pele (seja ela qual for), tenho um conselho: não seja ridículo

ATÉ ONTEM , éramos todos negros. Você dirá: se gorilas e chimpanzés, nossos parentes mais chegados, também o são, e se os primeiros hominídeos nasceram justamente na África negra há 5 milhões de anos, qual a novidade?


A novidade é que não me refiro a antepassados remotos, do tempo das cavernas (em que medíamos um metro de altura), mas a populações européias e asiáticas com aparência física indistinguível da atual.
.

Folha de São Paulo, Ilustrada

Talvez fosse o caso de repetir a pergunta: “E se Lamarck estivesse certo?” como fez Mauro Rabelo .

O que Drauzio Varella traz é que só é possível identificar indivíduos com grandes semelhanças genéticas quando descendem de populações isoladas por barreiras geográficas que impediram a miscigenação. Isso é possível no mundo globalizado?

No ano passado, foi identificado um gene, SLC24A5, provavelmente responsável pelo aparecimento da pele branca européia.

Desse ponto de vista, vale fazer a perguntar, já posta, o quanto a "civilização" está interferindo com a "seleção natural", tendo em vista que características anti-sobrevivência continuam a aparecer (ex, hemofilia)?

Não importa a conclusão que se pode chegar. O importante mesmo é seguir à risca a recomendação do Drauzio: não seja ridículo.

17 janeiro 2008

CHAIM SAMUEL KATZ TOMA POSSE NA ACADEMIA BRASILEIRA DE FILOSOFIA


Comemoração

O presidente da Federação Israelita, Sérgio Niskier, irá prestigiar a posse, dia 17, de Chaim Samuel Katz na Academia Brasileira de Filosofia. O psicanalista é o primeiro judeu a tomar posse na instituição presidida por João Ricardo Moderno. Na ABL, a colônia está representada por Arnaldo Niskier e Moacyr Scliar.

“Chaim não é apenas o primeiro judeu, mas é também o primeiro psicanalista brasileiro a tomar posse como membro efetivo e perpétuo na Academia.

Assume, portanto a Cadeira 2 neste dia 17 de janeiro de 2008, às 21:00h, à Rua Riachuelo 303, Casa de Osório, Rio de Janeiro, onde será realizada a serimônia de posse. A data é próxima de seu aniversário de nascimento.”

Mais sobre Chaim nos sites relacionados abaixo, dentre outros

Planeta News

Entrevista

Estados Gerais da Psicanálise

Leia aqui na integra o discurso de posse.




01 dezembro 2007

O SEGUNDO HOLOCAUSTO

12/12/2005

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, voltou a aparecer em cena. Eu já tinha saudades de Mahmoud: seriais killers são paixões desde a infância. Há uns meses, o nosso Mahmoud declarou que Israel deveria ser riscado do mapa. A comunidade internacional ficou "espantada" e "chocada". Agora, Mahmoud voltou ao ataque: primeiro, para levantar dúvidas sobre a existência do Holocausto; e, depois, para propor a recolocação dos judeus do Oriente Médio na Alemanha e na Áustria.

E a comunidade internacional? Precisamente: continua "espantada" e "chocada". Cuidado, gente: não é saudável tanto "espanto" e tanto "choque". E, além disso, não é necessário. As palavras de Mahmoud Ahmadinejad estão em perfeita sintonia com a retórica anti-semita que, diariamente, o mundo árabe vai produzindo para consumo interno e externo.

Não é preciso visitar um país árabe, como eu já visitei, para perceber o fato. Basta consultar um sítio na internet (MEMRI - The Middle East Media Research Institute) para ler, em inglês, o que os jornais e as televisões árabes dizem em árabe. De acordo com a sensibilidade literária local, os judeus são, normalmente, seres "vingativos", "sujos", "parasitas" e agentes de "corrupção", "contaminação" e "morte". Um exemplo? A 17 de março de 1997, na Comissão para os Direitos Humanos das Nações Unidas, Nabil Ramlawi acusou as autoridades israelitas de infectarem 300 crianças palestinas com o vírus do HIV durante os anos da primeira intifada. A comunidade internacional, presumo, estava a dormir e a roncar: o "espanto" e o "choque" ainda não tinham começado. Ou, então, achou “normal” acusações de genocídio.

E, de fato, “normal” são: com espantosa regularidade, jornais egípcios ou jordanos acusam as autoridades israelitas de produzirem doces com o objetivo de matar crianças e corromper sexualmente as mulheres. Fertilizantes usados na fruta também acabam por esterilizar os homens árabes, que comem uma laranja ou uma banana na maior das inocências másculas. E, em matéria conspirativa, o 11 de setembro forneceu amplo material. De acordo com a imprensa árabe, no dia em que as Torres foram atacadas, 4000 judeus não foram trabalhar. Gripe súbita? Preguiça matinal? Nada disso. Eles foram antecipadamente avisados pela Mossad, os serviços secretos israelitas, para que não comparecessem nas Torres. O próprio Ariel Sharon, aliás, também foi avisado para não viajar para Nova York no dia 11 de setembro. No dia 11 de setembro, os serviços secretos israelitas iriam telecomandar dois aviões (vazios) para que eles iniciassem o definitivo confronto entre o Ocidente e o mundo árabe. E etc., e etc., e etc.

Pergunta: de onde veio esta loucura? A pergunta está mal formulada. O anti-semitismo árabe não é produto de uma doença mental. É, coisa pior, uma herança, uma pesada herança, uma grotesca herança do nosso próprio anti-semitismo ocidental. Não é possível estabelecer no tempo as origens intelectuais do anti-semitismo moderno. Mas existe um documento --obviamente, forjado-- que teve um papel arras! ador neste processo. Falo, como é evidente, dos "Protocolos dos Sábios do Sião", que as autoridades czaristas fabricaram na Rússia em finais do século 19 para "provar" que os judeus estavam dispostos a conquistar o mundo.

Foi um "best-seller" na época, permitiu incontáveis brutalidades no império russo e rapidamente viajou para o Ocidente --sobretudo para a Alemanha-- onde floresceu com vigor. E não apenas na Alemanha: se as boas ideias viajam com o vento, as más ideias viajam com a luz. Ainda na década de 1930, pelas mãos de Muhammad Amin al-Husseini (o mufti de Jerusalém, uma espécie de governador local), os "Protocolos" foram recebidos com entusiasmo assassino. O mufti de Jerusalém tinha ligações privilegiadas com o Terceiro Reich, sobretudo com Himmler, e fez da eliminação judaica no Oriente Médio um programa político. O ódio, que o Ocidente produziu, criava finalmente o moderno anti-semitismo árabe. Que continua vivo e bem vivo.

Hoje, quando vocês entram numa das livrarias locais, em Teerã ou no Cairo, é possível comprar os "Protocolos", levados a sério como historiografia séria. No Egito, uma novela baseada nos "Protocolos" foi adaptada à tv, com um elenco de 400 atores e orçamento digno de Hollywood: as donas de casa choraram com emoção perante a história pérfida de como os judeus pérfidos sempre desejaram subjugar o mundo. E livros como "Mein Kampf", o libelo ignaro de Hitler que é uma emanação dos "Protocolos" e que justificou as limpezas rácicas posteriores a 1933, é um sucesso de vendas mesmo em países mais ocidentalizados, como a Turquia. Escuso de dizer que vocês não encontram "A Lista de Schindler" nas locadoras árabes. O filme de Spielberg é perigosíssimo para a cultura indígena e, precisamente por isso, banido pelas autoridades oficiais. O Holocausto, o primeiro Holocausto, nunca existiu.

Mas o segundo talvez exista. A expressão não é minha. A ideia de um "segundo Holocausto" foi sugerida por Ron Rosenbaum no "The New York Observer", em abril de 2002. Para Rosenbaum, o anti-semitismo árabe atual ganha contornos muito próximos com a Alemanha nazista na década de 1930 e, cedo ou tarde, acabará por proporcionar novos espectáculos de horror. Só que, escreve Ronsebaum, desta vez haverá uma "vantagem" para os criminosos: ao contrário do que sucedeu na Segunda Guerra Mundial, em que uma poderosa máquina administrativa e bélica teve de "concentrar" os judeus da Europa em campos para o efeito, desta vez os judeus do mundo, ou uma parte significativa deles, já se encontram "concentrados": no Estado de Israel, obviamente --e o termo "concentrar" ganha aqui contornos sinistros.

Sinistros e reais: o Irã não descansará enquanto não tiver uma arma nuclear nas mãos. E, ao contrário do que se pensa, cometer o impensável não é uma questão cinematográfica: o desejo de exterminar Israel tem sido recorrente desde 1948, ano da fundação. Aliás, tem sido recorrente muito antes da formação do Estado judaico.

Karl Marx, plagiando Hegel, escreveu um dia que a história se repete: primeiro, como tragédia; depois, como farsa. Marx estava certo sobre o acessório, errado sobre o essencial. A história se repete, sim: primeiro como tragédia; mas depois, como tragédia ainda maior.

João Pereira Coutinho, 29, é colunista do jornal português "Expresso". Reuniu seus artigos no livro "Vida Independente: 1998-2003". Escreve quinzenalmente, às segundas-feiras, para a Folha Online.

(Foto de Ricardo Meirelles)

E-mail: jpcoutinho.br@jpcoutinho.com

13 novembro 2007

GUARDIÕES DO TEMPO

Por Déa Januzzi

A inglesa Judy Robbe, de 66 anos, mora em Belo Horizonte há 40 e trouxe para o Brasil a idéia de um testamento que começa a circular na Europa e nos Estados Unidos. O living will (desejo de viver) expressa como ela quer envelhecer e ser tratada quando não estiver mais lúcida, se isso acontecer no futuro. O documento é assinado por dois médicos e um tutor da família, indicado por ela. Abaixo, o testamento de Judy.

Chegar, hoje, aos 90, 100 anos já é uma realidade. Embora não exista uma receita mágica, os avanços da medicina sinalizam para uma longevidade saudável. O mais importante, porém, é ter um estilo de vida que inclui não fumar, não beber, se alimentar bem e praticar exercícios físicos. Mais ainda: encarar a vida com alegria e bom humor, sem deixar de lado o sexo, que ganha outros tons, já que o desejo nunca envelhece.

Basta lembrar os exemplos da humorista Dercy Gonçalves, de Dona Canô, mãe de Caetano e Maria Betânia, e do arquiteto Oscar Niemeyer, que chegam, em 2007, aos 100 anos, em plenitude. É possível envelhecer bem com lucidez, autonomia, qualidade e em plena forma física e mental. O caderno Bem Viver Especial sobre o envelhecimento mostra como dar uma ajuda à genética com projetos de vida, prevenção e uma rede de amigos para compartilhar experiências e idéias. Nunca é tarde para começar, sonhar, aprender e planejar.

Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, 36 pessoas com mais de 55 anos já desfrutam de um paraíso – a Comunidade Sustentável Harambê é um lugar para envelhecer, segundo os ideais e costumes de toda uma geração. Um país que envelhece a cada dia tem que prestar atenção aos números: são hoje 14,6 milhões de pessoas com mais de 60 anos, que representam 8,6% da população brasileira. Eles não podem continuar invisíveis, sem usufruir de bens e serviços acessíveis, pois ainda é difícil e caro ficar velho no Brasil. Uma residência para idosos, por exemplo, pode custar de R$ 1,5 mil a R$ 2,5 mil por mês, sem contar o plano de saúde e medicamentos.

A família também não está preparada para o envelhecimento de um pai ou mãe, quando mostram os primeiros sinais de dependência. É por isso que datas como o Dia Mundial da Doença de Alzheimer, em 21 deste mês, e o Dia do Idoso (26), não foram criadas apenas para lembrar de uma parcela da população, mas, principalmente, para alertar sobre o inevitável: cada um envelhece como viveu!

• Declaro que quero envelhecer com saúde física e lucidez mental

• Declaro que quero ser independente, com ajuda mínima para fazer aquilo que não consigo

• Declaro que quero viver ao lado do meu marido, enquanto for possível

• Declaro que quero envelhecer com meus filhos e netos me visitando, porque gostam de estar comigo

• Declaro que quero ficar na minha própria casa em Belo Horizonte enquanto estiver lúcida e autônoma para realizar as tarefas do dia-a-dia

• Declaro que, se perder a independência, irei para uma residência de idosos escolhida por mim

• Declaro que quero viver com recursos mínimos para as minhas necessidades

• Declaro que quero ficar rodeada pelos meus livros, lembranças e animais de estimação

• Declaro que quero ficar com meu computador para que possa comunicar-me com parentes e amigos ao redor do mundo

• Declaro que quero viver sentindo-me útil à sociedade

• Declaro que meus desejos devem ser respeitados se eu não conseguir mais me expressar ou tomar decisões quanto ao meu tratamento

• Declaro que não quero medidas heróicas para prolongar minha morte, quando as chances de vida já não existirem.

Cópia do site Saúde Plena sem fins lucrativos


15 agosto 2007

RÉUS FEIOS TÊM MAIS CHANCES DE SER CONDENADOS

Por e-mail

Réus feios têm mais chances de ser condenados, diz estudo

Jurados são mais rígidos com os feios, diz estudo

Pessoas feias têm mais chances de serem condenadas por júris populares do que pessoas bonitas, de acordo com um estudo realizado pela Universidade de Bath, na Grã-Bretanha.

No estudo, cada um dos 96 voluntários (metade brancos, metade negros) recebeu a transcrição de um roubo fictício, com uma foto do suposto réu.

A descrição do crime era sempre a mesma, mas fotos diferentes foram anexadas. Duas das fotos mostravam réus negros, um considerado feio e outro bonito por participantes de um estudo separado. Foram usadas ainda duas fotos de réus brancos, um belo e outro feio.

Os voluntários foram orientados a julgar a culpa do réu em uma escala de zero a dez e dar um veredicto de culpado ou inocente. No caso de considerarem o réu culpado, eles precisaram ainda estabelecer uma sentença.

Bonitos e feios

O estudo observou que os jurados tendem a considerar os réus atraentes menos culpados do que os réus feios.

“Nosso estudo confirmou pesquisas anteriores sobre os efeitos das características dos réus, tais como a aparência física, nas decisões de júris. Os réus atraentes são, ao que parece, julgados de forma menos rígida do que os réus feios”, afirmou a pesquisadora Sandie Taylor.

“Talvez a Justiça não seja tão cega assim”, disse a pesquisadora.

Outra descoberta interessante foi que a etnia do réu ou do jurado não afetou o veredicto. Mas os réus negros e feios tiveram sentenças mais longas quando considerados culpados.

“É interessante que ser um réu negro e pouco atraente só teve impacto na sentença, mas não no veredicto de culpa dado pelos jurados.”

“Eu acho, no entanto, que é uma descoberta positiva o fato de que nem os participantes brancos nem os negros mostraram uma inclinação para com seu próprio grupo étnico”, disse Taylor.

O estudo foi apresentado na Conferência Anual da Sociedade Britânica de Psicologia.

25 agosto 2006

NOTÍCIA

24/07/2006 - 14h58

Escritor francês Pierre Rey morre aos 76 anos em Paris

da France Presse, em Paris

O escritor francês Pierre Rey, autor de "O Grego" e "Uma Temporada com Lacan", morreu no sábado em Paris, aos 76 anos, vítima de um câncer. Sua família informou que Rey será cremado na terça-feira no cemitério parisiense de Père Lachaise.

O escritor publicou em 1973 seu primeiro romance, "O Grego", no qual evocava a personagem de Aristóteles Onassis e que se transformou rapidamente em um best-seller mundial.
Folha Online

27 maio 2006

ORIGEM DO VIRUS DA AIDS É DESCOBERTA

Notícias

26/05/2006

Agência FAPESP - Tudo indica que o cerco chegou ao fim, para pelo menos dois dos três tipos identificados até hoje de vírus HIV. A variedade M, como mostra artigo publicado na revista Science desta sexta-feira (26/5), a mais letal de todas, espalhou-se pelo mundo a partir de chimpanzés que habitam áreas remotas da selva africana, em território camaronês.

Para construir a filogenia do vírus causador da Aids, um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos, Camarões e Europa analisou 599 amostras fecais de Pan troglodytes troglodytes, uma subespécie de chimpanzés, obtidas em dez pontos diferentes de uma floresta.

No material analisado, os cientistas encontraram anticorpos do vírus SIV, que deu origem ao HIV. É a primeira vez que esse tipo de microrganismo é detectado na natureza. Até hoje, os poucos casos haviam sido registrados em macacos capturados.

Pelas análises genéticas apresentadas agora, os grupos HIV-1 M, N e O, todos surgidos a partir do SIV, foram transmitidos aos humanos de forma independente. Essas ransmissões teriam ocorrido já no início do século 20.

O grupo M, responsável pela pandemia da Aids existente hoje no mundo, começou a se espalhar pelo rio Sangha, em Camarões, e depois para o Congo. Essa linhagem até hoje também continua nos macacos. Em algumas localidades estudadas pelo grupo, a contaminação chegou a ser de 35%.

A linhagem N do vírus não obteve o mesmo sucesso da primeira. Segundo os dados do trabalho ela continua restrita à população humana que vive em Camarões. A única incógnita, que ainda persiste, é sobre o reservatório original do vírus do grupo O.

Os pesquisadores que fizeram a filogenia dos vírus da Aids acreditam que não existe outra linhagem potencialmente perigosa que possa aparecer em algum momento no futuro e seguir o mesmo percurso feito pela linhagem tipo M. Isso mesmo com a diversidade genética apresentada pelo microrganismo em território africano.

O artigo Chimpanze reservoirs of pandemic and nonpandemic HIV-1, de Brandon Keele, da Universidade do Alabama, e colaboradores, pode ser lido por assinantes da revista Science, em www.sciencemag.org http://www.sciencemag.org"