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02 agosto 2009

CONSELHO PUNE PSICÓLOGA QUE OFERECIA TERAPIA PARA CURAR GAYS E LÉSBICAS


De acordo com a entidade, homossexualidade não constitui doença, distúrbio ou perversão
O Conselho Federal de Psicologia (CFP) decidiu nesta sexta-feira aplicar uma censura pública à psicóloga carioca Rosângela Alves Justino, que oferecia terapia para curar o homossexualidade masculina e feminina. Ela infringiu resolução do CFP, de 22 de março de 1999, na qual a entidade afirma que a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão.

A punição aplicada pelo CFP a Rosângela foi menor do que poderia ter sido. A psicóloga estava sujeita à suspensão do exercício profissional por 30 dias ou, até mesmo, à cassação do registro. Entretanto, os conselheiros decidiram, por unanimidade, que a censura pública era a medida mais adequada no caso.

19 julho 2009

CONCESSÃO OU CASSAÇÃO? - A "cura" da homossexualidade

Em 2004 a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro se dignou a votar um projeto de lei, do deputado Edino Fonseca, que criava o programa de auxílio às pessoas que voluntariamente optarem pela mudança (sic) de sua orientação sexual da homossexualidade para a heterossexualidade.

Para implementar o programa, "o poder público estabeleceria convênios com organizações governamentais, não governamentais, Associações Civis, religiosas, profissionais liberais e autônomos". Ou seja, é o dinheiro público financiando os que se propõem a converter homossexuais em heterossexuais. A Comissão de Constituição e Justiça deu parecer favorável alegando que a proposição é de relevante cunho social e não esbarra em preceitos constitucionais.

Contardo Calligaris, em sua coluna no Caderno Ilustrada do Jornal Folha de S. Paulo pileriou o fato declarando: “Muito bem, vou fundar o Instituto Michael Jackson para a transformação de negros em brancos (claro, só os negros que quiserem). A idéia é de relevante cunho social e benéfica, visto que, de fato, em nossa sociedade, é melhor ser branco. Uma vez esbranquiçados, os negros ganharão mais e competirão com os brancos em pé de igualdade. OK?”

A alegação do projeto de lei era a de que: "Homem e mulher foram criados e nasceram com sexos opostos para se completarem e procriarem. O homossexualismo, apesar de aceito pela sociedade, é uma distorção da natureza do ser humano normal".

Quando Freud escreveu “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade” em 1905 deixou claro que a escolha de um homem por uma mulher ou uma mulher por um homem, não implica, por si só, numa normalidade.

É comum encontrar na clínica pessoas que buscam a terapia por fatores alheios a homossexualidade ou porque tem dificuldade de assumir a sua homossexualidade devido as questões sociais.

Sabemos que a escolha de objeto masculino ou feminino pode ser transitória e haver alternância ao longo da vida afetiva. Se um individuo teve em sua infância alguma relação homossexual, isso não será determinante para uma escolha homossexual, porém pode determinar uma perturbação na sua escolha futura, com prejuízos afetivos ou até mesmo intelectuais.

Que o assunto é polêmico, isso não resta dúvidas. A música italiana Luca era gay, ficou em segundo lugar no Festival Sanremo 2009, o festival da música italiana. A mídia botou lenha na fogueira dizendo que a música fala da cura do homossexualismo. Mas não é bem assim. O movimento gay ficou revoltado, pois acha que a música é uma afronta aos gays. Muitos religiosos estão satisfeitos, pois consideram homossexualidade pecado. Graças a polêmica, a música já é um grande sucesso pelo mundo.

A música, rap, conta a história de Luca di Tolve, que disse ter deixado de ser gay graças ao livro do psicólogo Joseph Nicolosi. A história de Luca di Tolve deve ser vista com muito respeito. Pois Luca di Tolve conta que ele se contaminou com HIV quando era gay. Quando ele deixou de ser gay ele se casou e começou a sonhar em ter um filho, mesmo sendo soropositivo.

O psicólogo terapeuta Joseph Nicolosi escreveu um livro para ajudar as pessoas do sexo masculino que não querem se assumir como gays. Na verdade, o livro busca curar pessoas que estão incomodadas por serem homossexuais. Ele diferenciou a palavra gay da palavra homossexual. Para ele, gay é um movimento político. Ele chama de homossexuais não gays aqueles que não querem levar a vida como gays. Ou seja, aqueles que não querem seguir as idéias do movimento político gay, que diz que se deve assumir ser gay sempre. O movimento gay prega o orgulho gay.

A música que conta a história de Luca di Tolve inicia assim: Luca era gay, mas agora está com ela /Luca fala com o coração na mão Luca diz: "Sou um outro homem".

"Sou um outro homem" já indica uma mudança de escolha. Opção que não se confunde com o gênero e continua na primeira estrofe: Luca diz: "Antes de contar a minha mudança sexual /Gostaria de esclarecer que creio em Deus e não me reconheço no pensamento do homem que se divide sobre este argumento /Não fui a psicólogos, psiquiatras, padres ou cientistas /Fui lá no meu passado, escavei e entendi tanta coisa sobre mim /Minha mãe me queria tão bem que este bem se transformou em obsessão /Cheia das suas convicções, eu não respirava por causa da sua atenção /Meu pai não tomava decisões e eu não era mais capaz de falar /Estava fora o dia todo para trabalhar e eu tinha a impressão de que aquilo não era verdadeiro /Mamãe pediu a separação quando eu tinha 12 anos /Eu não entendia bem /Meu pai disse que era a decisão certa, mas pouco tempo depois começou a beber /Mamãe falava mal de papai, me dizia para não me casar jamais por piedade /Das minhas amigas, tinha um ciúme doentio. Minha identidade era sempre muito confusa.

O coro trás uma informação importante sobre a transformação: Luca era gay, mas agora está com ela /Luca fala com o coração na mão /Luca diz: "Sou um outro homem" /Luca era gay, mas agora está com ela /Luca fala com o coração na mão /Luca diz: "Sou um outro homem". Uma transformação que é reafirmada na condição de um entendimento sobre a sua infância. Volta que deu ao seu passado.

Na segunda estrofe: Eu estudava Freud, não pensava igual /Depois chegou a maturidade. Numa afirmativa ele se contradiz “Não fui a psicólogos, psiquiatras, padres ou cientistas /Fui lá no meu passado, escavei e entendi tanta coisa sobre mim,". Isso deixa claro que, não só estudou Freud, como usou o seu método para descobrir o seu próprio mistério.

Aqui mesmo nesse blog eu publiquei o artigo de Vinicius Queiroz Galvão (para assinantes da Folha ou UOL) PSICOLOGA DIZ "CURAR" GAY E VAI A JULGAMENTO NO CONSELHO , que trata não só da cassação da licença da Psicóloga Rozângela Alves Justino, como também da indignação de vários setores da sociedade.

Pelo exposto anteriormente, é claro que me posiciono a favor da cassação por entender que a homossexualidade não é uma doença e portanto não pode ser curada. Contudo, acredito que numa sociedade democrática os assuntos polêmicos devem ser sempre debatidos abertamente para a formação de um consenso.

A experiência religiosa é sempre perniciosa quando se trata de assuntos científicos, porque carece de experimentação e se baseia em pressupostos falsos ou preconceituosos. Portanto repetir aqui o que os cientistas dizem, a respeito do assunto, é chover no molhado.

17 julho 2009

PSICOLOGA DIZ "CURAR" GAY E VAI A JULGAMENTO EM CONSELHO

Psicóloga que diz "curar" gay vai a julgamento em conselho

Conselho Federal de Psicologia decide no dia 31 se cassa licença de Rozângela Alves Justino

Resolução veta tratar questão como doença e recrimina indicação de tratamento; se o registro for perdido, será a 1ª condenação do tipo no país

VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO

ENVIADO ESPECIAL AO RIO

O Conselho Federal de Psicologia julga, no fim deste mês, a cassação do registro profissional de Rozângela Alves Justino por oferecer terapia para que gays e lésbicas deixem a homossexualidade. Se perder a licença, será a primeira condenação desse tipo no Brasil.

Resolução do próprio conselho proíbe há dez anos os psicólogos de lidarem a homossexualidade como doença e recrimina a indicação de qualquer tipo de "tratamento" ou "cura".

Rozângela, que afirma ter "atendido e curado centenas" de pacientes gays em 21 anos, diz ver a homossexualidade como "doença" e que algumas pessoas têm atração pelo mesmo sexo "porque foram abusadas na infância e na adolescência e sentiram prazer nisso".

Numa consulta em que a reportagem, incógnita, se passava por paciente, Rozângela, que se diz evangélica, recomenda orientação religiosa na igreja.

"Tenho minha experiência religiosa que eu não nego. Tudo que faço fora do consultório é permeado pelo religioso. Sinto-me direcionada por Deus para ajudar as pessoas que estão homossexuais", afirma.

A cassação de Rozângela, que atende no centro do Rio, foi pedida por associações gays e endossado por 71 psicólogos de diferentes conselhos regionais.

Segundo Rozângela, que já foi condenada a censura pública no conselho regional do Rio no final de 2007, "o movimento pró-homossexualismo tem feito alianças com conselhos de psicologia e quer implantar a ditadura gay no país".

"É por isso que o conselho de psicologia, numa aliança, porque tem muito ativista gay dentro do conselho de psicologia, criou uma resolução para perseguir profissionais", afirma.

No Rio, Rozângela participa do Movimento Pela Sexualidade Sadia, conhecido como Moses, ligado a igrejas evangélicas.

A almoxarife Cláudia Machado, 34, diz que recebeu de Rozângela a apostila "Saindo da homossexualidade para a heterossexualidade", que prega meios para a mudança de orientação sexual. "Hoje vivo a minha homossexualidade tranquila, essa história de cura não existe, o que houve foi um condicionamento. Reprimi meus desejos. Não sentia prazer", diz.

Já a pedagoga Fernanda, que pede para não ter o sobrenome divulgado, diz ter sido lésbica por dez anos e que, depois da terapia que faz com Rozângela há quatro anos, passou a ter relações heterossexuais. "Realmente há possibilidade de sair da homossexualidade. É um processo longo. De lá para cá busco a feminilidade."

"A ciência já mostrou que não existe tratamento para fazer com que alguém deixe de ter desejo homossexual nem heterossexual. Quando se promete algo assim, é enganoso", diz o terapeuta sexual Ronaldo Pamplona, da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana.

Segundo ele, a Sociedade Americana de Psiquiatria retirou a homossexualidade do diagnóstico de doenças em 1974, seguida, uma década depois, pela Organização Mundial da Saúde.

"Se absolvê-la, o Conselho Federal de Psicologia vai referendar a tese de que é possível "curar" gays", diz Toni Reis, presidente da ABGLT, a associação brasileira de homossexuais.

"Isso traz prejuízo aos gays e contribui para fortalecer o estigma", afirma Cláudio Nascimento, superintendente da Secretaria de Direitos Humanos do Rio e do grupo Arco-Íris.

"Vejo [o pedido de cassação] como uma injustiça", diz Rozângela, que, se cassada, pensa em recorrer à Justiça comum.

De um lado, cem entidades gays de todo o país vão levar um manifesto e manifestantes no dia do julgamento de cassação de registro de Rozângela, no próximo dia 31, em Brasília. Do outro, ela diz que vai reunir alguns ex-gays e psicólogos amordaçados para protestar contra a censura que diz sofrer.

Folha de S. Paulo de 14/07/2009