17 julho 2009

PSICOLOGA DIZ "CURAR" GAY E VAI A JULGAMENTO EM CONSELHO

Psicóloga que diz "curar" gay vai a julgamento em conselho

Conselho Federal de Psicologia decide no dia 31 se cassa licença de Rozângela Alves Justino

Resolução veta tratar questão como doença e recrimina indicação de tratamento; se o registro for perdido, será a 1ª condenação do tipo no país

VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO

ENVIADO ESPECIAL AO RIO

O Conselho Federal de Psicologia julga, no fim deste mês, a cassação do registro profissional de Rozângela Alves Justino por oferecer terapia para que gays e lésbicas deixem a homossexualidade. Se perder a licença, será a primeira condenação desse tipo no Brasil.

Resolução do próprio conselho proíbe há dez anos os psicólogos de lidarem a homossexualidade como doença e recrimina a indicação de qualquer tipo de "tratamento" ou "cura".

Rozângela, que afirma ter "atendido e curado centenas" de pacientes gays em 21 anos, diz ver a homossexualidade como "doença" e que algumas pessoas têm atração pelo mesmo sexo "porque foram abusadas na infância e na adolescência e sentiram prazer nisso".

Numa consulta em que a reportagem, incógnita, se passava por paciente, Rozângela, que se diz evangélica, recomenda orientação religiosa na igreja.

"Tenho minha experiência religiosa que eu não nego. Tudo que faço fora do consultório é permeado pelo religioso. Sinto-me direcionada por Deus para ajudar as pessoas que estão homossexuais", afirma.

A cassação de Rozângela, que atende no centro do Rio, foi pedida por associações gays e endossado por 71 psicólogos de diferentes conselhos regionais.

Segundo Rozângela, que já foi condenada a censura pública no conselho regional do Rio no final de 2007, "o movimento pró-homossexualismo tem feito alianças com conselhos de psicologia e quer implantar a ditadura gay no país".

"É por isso que o conselho de psicologia, numa aliança, porque tem muito ativista gay dentro do conselho de psicologia, criou uma resolução para perseguir profissionais", afirma.

No Rio, Rozângela participa do Movimento Pela Sexualidade Sadia, conhecido como Moses, ligado a igrejas evangélicas.

A almoxarife Cláudia Machado, 34, diz que recebeu de Rozângela a apostila "Saindo da homossexualidade para a heterossexualidade", que prega meios para a mudança de orientação sexual. "Hoje vivo a minha homossexualidade tranquila, essa história de cura não existe, o que houve foi um condicionamento. Reprimi meus desejos. Não sentia prazer", diz.

Já a pedagoga Fernanda, que pede para não ter o sobrenome divulgado, diz ter sido lésbica por dez anos e que, depois da terapia que faz com Rozângela há quatro anos, passou a ter relações heterossexuais. "Realmente há possibilidade de sair da homossexualidade. É um processo longo. De lá para cá busco a feminilidade."

"A ciência já mostrou que não existe tratamento para fazer com que alguém deixe de ter desejo homossexual nem heterossexual. Quando se promete algo assim, é enganoso", diz o terapeuta sexual Ronaldo Pamplona, da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana.

Segundo ele, a Sociedade Americana de Psiquiatria retirou a homossexualidade do diagnóstico de doenças em 1974, seguida, uma década depois, pela Organização Mundial da Saúde.

"Se absolvê-la, o Conselho Federal de Psicologia vai referendar a tese de que é possível "curar" gays", diz Toni Reis, presidente da ABGLT, a associação brasileira de homossexuais.

"Isso traz prejuízo aos gays e contribui para fortalecer o estigma", afirma Cláudio Nascimento, superintendente da Secretaria de Direitos Humanos do Rio e do grupo Arco-Íris.

"Vejo [o pedido de cassação] como uma injustiça", diz Rozângela, que, se cassada, pensa em recorrer à Justiça comum.

De um lado, cem entidades gays de todo o país vão levar um manifesto e manifestantes no dia do julgamento de cassação de registro de Rozângela, no próximo dia 31, em Brasília. Do outro, ela diz que vai reunir alguns ex-gays e psicólogos amordaçados para protestar contra a censura que diz sofrer.

Folha de S. Paulo de 14/07/2009

10 comentários:

Rudy S. disse...

"Isso traz prejuízo aos gays e contribui para fortalecer o estigma", afirma Cláudio Nascimento, superintendente da Secretaria de Direitos Humanos do Rio e do grupo Arco-Íris".

O estigma está na mentalidade distorcida das pessoas e não em atos externos ao ser. As pessoas apenas se valem de atos externos como meios de expressar o que é interno a si mesmas. Isto é, usar veículos que divulguem a repulsa por homossexuais que vem direto da essência humana (alguns chamam essa fonte interna de personalidade). Além disso, é claro que o homossexualismo é uma disfunção (mas não doença) na distribuição hormonal da mãe em relação ao feto e sua formação durante a gestação (essa é uma teoria parcial no meio científico, mas válida). O tratamento de homossexuais para que voltem à heterossexualidade deveria ser dado e apoiado, mas de modo opcional. Só se submeteria ao tratamento os gays que quisessem. Portanto, concordo com a psicóloga que está sendo acusada: isso é uma injustiça. Há alguns que talvez gostassem de voltar (não sei, é uma hipótese), mas não podem devido, ao que estipula o Conselho dos Psicólogos. E aí, como fica? Mas, antes de terminar, deixo claro que não estou aqui defendendo o ódio a gays. Antes, acredito que eles devem ser amados e respeitados como são, porque são seres humanos. Ainda mais quando se invoca a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Só que isso não faz com que o homossexualismo seja aceitável como algo totalmente normal. Quem quisesse se curar, a esse deveria ser dada a oportuniade de ir a um psicólogo. Mas para quem não quisesse, a ele não deveria ser forçada uma cura.

Abraços.

Rodrigo disse...

Desculpa, não quero manter a precariedade de ética que é dotado o comentário anterior..

Mas a dona Rozângela, tem uma coisa a mais que todos nós...

O que ela tem mais, é que se foder.

Pessoas já sofreram infinitesimalmente com o preconceito, e este tipo de atitude não inflinge só um artigo, inflige outro que preconiza que o psicólogo não trabalhe em persuasão de causas religiosas ou políticas.

Peço desculpas pelo palavrão mas não tem palavr que defina melhor.

Um abraço.

Rogério Silva disse...

Rodrigo

Não é preciso desculpar-se. A indignação sempre aparece com agressividade, um dos atributos da formação da subjetividade. E você tem razão no que se refere a questão ética.

Rudy S.

A indignação é o menor afeto que se pode ter por na sua fala equivocada e que carece de conhecimento. Um pouco mais de leitura lhe permitirá um debate mais abalizado.
De qualquer maneira agradeço o que para mim serviu de provocação e me fez publicar o post seguinte.

Muito obrigado a ambos pelas intervenções,

abraços de Rogério

figueira disse...

Vejo que há muitas pessoas com grande conhecimento no asunto a ponto não respeitarem a fé de outrem, ai também está a intolerância se o cara quer ser livre para ter a sua vida dar o que ele queiser dar, é problema dele, agora porque ofender uma profissional que da ajuda a uma pessoa que não quer mais ser homo!É crime? A OMS decrarou que a homossexulidade não pode mais ser declarada como doênça! É genetico! A ciência não tem como provar!
Vou dizer uma coisa se foce mesmo doênça, a biblia não poderia dizer que era pecado, se foce genético então, nem pensar. deixem as pessoas decidirem o que querem, se hoje sou gay, amanhã não quero, não pode? vou enfraquecer o movimento!

Rogério Silva disse...

figueira

Estou contigo quando se refere a intolerância, pois entendo que toda intolerância é geradora de violência, até mesmo quando impõe uma fé, contudo não posso deixar de mostrar os equívocos que você apresenta.

Em primeiro lugar a cassação da psicóloga não se dá por uma questão de fé e sim por um exercício inadequado da profissão.

Depois, os psicanalistas, psiquiatras e até mesmo psicólogos têm instrumentos para ajudar as pessoas homossexuais a se encontrarem, tanto na heterossexualidade quanto na homossexualidade.

A ciência não entra na questão da fé quando se trata de ajudar aqueles que a procuram.

A falta de piedade dos fieis de qualquer religião, também é uma intolerância e também é geradora de violência.

Ainda bem que você entende que ela não é doença, se não, eu iria lhe perguntar se ser negro, por exemplo, também seria uma doença.

Alguém que nasce com a síndrome de Down, ou alguma deformação, tem o diabo no corpo?

Recomendo a leitura do meu post seguinte neste blog CONCESSÃO OU CASSAÇÃO? - A "cura" da homossexualidade e que leia com a devida atenção a letra da canção italiana “Luca era gay” e poderá ver como alguém pode deixar de ser gay sem precisar de evangélicos e/ou até mesmo da psicoterapia.

abraços de Rogério

Anônimo disse...

Ola
Como todo e qualquer profissional ela tem o direito de exprimir e usar seus conhecimentos em beneficio de outros, quem ignora isso tende a " determinar" que uma pessoa infeliz com sua sexualidade tente buscar uma forma de alivio à pressão que se encontra, Pressão essa que esses que são " fundamentalistas em LIBERDADE SEXUAL" dizem que sofreram.É ridiculo isso, hoje não somos obrigados a encarar homosexualismo como terceiro sexo pois não é!!São extremamente ignorantes em confundir tendências homossexuais com uma vida devassa e libertinagem e querem " impor" sua conduta Guela abaixo. Conheço e tenho contatos com pessoas GLTB, no entanto não tenho de ser obrigado a aprovar aquilo que é reprovavel.

Anônimo disse...

Rodrigo.
Não dá para levar a sério uma pessoa que não tem argumento e muito menos, uma que não sabe escrever. Seu comentário é tolo, dispensável e desprovido de coerência.

Figueira.
Julguei teu discurso coerente: Dar a opção para quem deseja a opção.

A perseguição à psicóloga é preconceito e hostilidade religiosa. Os movimentos homossexuais, que se julgam tão a favor da liberalidade, estão agindo feito inquisidores medievais, nazistas sexuais.

Gays têm que aceitar a diversidade também. A aceitação da homossexualidade nunca será uníssona, pois, biologicamente, é uma união não-natural; Já se analisarmos as pulsões humanas de Freud, a busca pelo prazer é maior que a busca pela preservação da espécie, ou seja, a homossexualidade seria parte da natureza humana.

Rogério Silva disse...

Olá anônimos

Vocês podem se identificar, mesmo escolhendo a opção de "anônimo" para os comentários . Basta que escrevam seus nomes no final do comentário.

ao 1º anônimo
claro que qualquer pessoa tem o direito de procurar um profissional que lhe ajude a buscar conforto numa escolha sexual.
Note que eu uso a palavra escolha, pois é a que me parece mais apropriada. O profissional escolhido deve ser desprovido de qualquer preconceito para entender e ajudar aqueles que o procura.
eu mesmo já tive pacientes que me procuraram tanto para mudar a sua orientação sexual, quanto para permanecer nela.
Se eu não estiver desprovido de preconceito, JAMAIS poderei ajudar, quem quer que seja.

ao 2º anônimo

“A perseguição à psicóloga é preconceito e hostilidade religiosa. Os movimentos homossexuais, que se julgam tão a favor da liberalidade, estão agindo feito inquisidores medievais, nazistas sexuais.
Gays têm que aceitar a diversidade também. A aceitação da homossexualidade nunca será uníssona, pois, biologicamente, é uma união não-natural; Já se analisarmos as pulsões humanas de Freud, a busca pelo prazer é maior que a busca pela preservação da espécie, ou seja, a homossexualidade seria parte da natureza humana.”

Em 1º lugar, na há perseguição à psicóloga. A sua ação sim, é um preconceito e hostilidade religiosa. Já que ela utiliza um instrumento que lhe foi dado por esforço pessoal para ajudar a qualquer cidadão, religioso ou não, e ela o utiliza de forma indevida. Ela foi formada por uma instituição laica, como determina a constituição brasileira para age de forma, também laica, com seus pacientes e não é o que ela faz.
Infelizmente o Conselho foi extremamente benevolente com ela, abrindo precedentes para que outros psicólogos ou psicoterapeutas possam agir do mesmo modo, porque num país de Sarneys e Renas tudo é possível. É lamentável!

Em 2º lugar, concordo que gays e não gays devem aceitar a diversidade. Portanto ninguém tem o direito de intervir numa orientação sexual, de quem quer que seja, nem em nome de Jesus nem de outro nome.

abs Rogério

Anônimo disse...

Bem, em primeiro lugar, devemos acreditar em liberdade e respeito como veículos para a paz e a boa convivência, acima de tudo.

Respeito à diversidade, ao negro, ao homossexual, à mulher. Respeito àqueles que vivem suas vidas independentemente daquilo que lhes foi condicionado biologicamente, e que, acima de tudo, não interferem negativamente na vida de terceiros.

Se há alguém que deve perder sua liberdade aqui, para que a liberdade dos outros não seja ceifada, são certos religiosos. Esses sim interferem na vida de terceiros sorrateiramente, impondo-lhes condições de vida, baseadas em escritos, rituais dogmáticos e preceitos incoercíveis. Esses sim são os algozes nazistas atuais.

A referida psicóloga, que, como infere a matéria, usa de convicções dogmáticas e outorga condutas para curar os homossexuais, sem respeitar os modos de vida de terceiros, não age de modo correto, pois embasa sua atuação em livros milenares e preceitos intolerantes para criar um viés perfeito, a partir do qual poderá ser criminaliza uma condição de vida.

Homossexuais, negros, mulheres, monirias necessitam de políticas públicas que lhes resguardem isonomia social, econômica e jurídica perante os outros e, no campo médico-psicossocial, de comprensão e ajuda para que, dentro daquilo que lhes foi condicionado, eles encontrem a verdadeira liberdade e vivam em paz consigo mesmo e com os demais.


Muitos homossexuais têm comportamento inaceitável justamente pela inadequação que encontram no seu cotidiano. Querem curá-los? Deem condições justas de vida.


gvictorg@bol.com.br

Anônimo disse...

sou gay sim e evangelico!!!deus tem proposito na vida dela,ela pode ser pastora e ajudar milhoes de pessoas nao precisa da profissao dela. Isso é com ela pq deus nao quer ela psicologa e sim ser uma mulher de deus pq a psicologia estuda o homem e o espirito qtos piscologos que sabem da palavra e quem me dera ela me dasse a reposta da minha decisao e mais conhecimento agora o ser humano acha que ser gay é ser escrachado fazer passiata mais muitos por ai caem na vida e outros optam o respeito ser gay nao é pecado praticar o homosseuaxualismo sim.É facil pedir recursos para os gays mais qtos preferem prostituição do que deus?qto preferem drogas do que estudar?Sei que alem de mim milhoes procuram ela.Acho que devem é procurar caminhos aqueles que nao encontraram eu fui molestado de criança e queria ser hetero!!!Mais deus sabe o que é melhor pra nos.Nao queria que ninguem se chateasse mais é a realidade na qual vivo e outros milhoes. DEUS os abençoa...