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21 novembro 2010

HORTO FLORESTAL




Orgulhosíssima do meu marido... Leiam txt dele abaixo sobre o Horto Florestal e, por favor, divulguem para todas as redes/listas sociais e mídias alternativas que puderem. O Globo não pode ficar com o monopólio da informação pautando os outros meios. Temos que criar/conectar canais de comunicação entre os que pensam com ideário diferente nas questões de nossa cidade/ polis, país, vida...

Abs
Laura.

Amigos,

Escrevi o texto a seguir com revisão da Laura em resposta ao artigo ignóbil publicado naquele tablóide local. Não havendo objeções, gostaria de publicar no site da Amahor e divulgar em minha rede.

Grande abraço,

- Julio




Solução conciliada para o Horto esbarra no preconceito e na ignorância

A matéria "Que belo horto para plantar favela", publicada no Globo (19 de novembro de 2010) e assinada por Marcos Sá Corrêa, pretende desmontar o texto "Solução conciliada para o Horto" (O Globo, 16 de novembro de 2010) do deputado federal Edson Santos. Edson Santos apresenta conciso e eficiente resumo e proposta conciliatória para uma questão fundiária urbana que vem ganhando na mídia nativa desproporcional interesse, visto que se trata da regularização de aproximadamente 600 moradias no entorno do parque Jardim Botânico, em área historicamente conhecida como Horto Florestal.

Edson Santos
Marcos Sá despeja sobre o leitor uma série de ataques ao deputado e à comunidade centenária do Horto Florestal, embasados em obscura carga preconceituosa. A pretensão do autor, no entanto, se esvai logo no início de seu equivocado e desconexo texto. Ao afirmar já na primeira frase que o deputado é "veterano de lutas contra o patrimônio público no Rio de Janeiro", exige do leitor um salto digno de um recordista olímpico para transpor o abismo entre o "achismo", travestido de "opinião", e a dialética.

Não se espera do autor qualquer apreço à informação e muito menos o embasamento necessário para produção de uma opinião, como o conhecimento mínimo sobre a localidade e sua história, que remonta aos tempos coloniais. Marcos Sá discorre que "moradores" e "Horto Florestal" constituem um oximoro, presume-se por que o nome "Florestal" impingiria à região uma prerrogativa de uso que inviabilizaria a moradia, mesmo que histórica. Sendo assim, fico a procurar o "jardim" de "Jardim Botânico" em meio à poluída e caótica extensão de um bairro mal cuidado.

Marcos Sá Corrêa
A partir daí, o texto envereda perigosamente para o reducionismo de uma questão complexa, palpites jurídicos sem conhecimento algum de causa e, pior, com a externalização do preconceito da imprensa nativa, cada vez mais desnudado. Sem pudor ou constrangimento, Marcos Sá reduz moradores a "invasores" e "espertos" que "procriam", como gado. Replica triste argumento de Carlos Prates da RBS, filiada à Globo, no qual "denuncia" a multiplicação dos carros para os "miseráveis" que hoje se sentem no direito de serem cidadãos. Ignora relatos de moradores com mais de 80 anos que nasceram na localidade, cujos avós já trabalhavam e moravam ali, remontando a uma ancestralidade e pertença histórica de mais de 120 anos.

Tal ignomínia vem subsidiando um movimento pela nova higienização social do Rio de Janeiro, pautada por ideário obscurantista que visa desconstruir os avanços institucionais alcançados desde a redemocratização. Esta nova higienização se da com ações arbitrárias e opacas de despejo em diversos pontos da cidade, que se aceleram na mesma medida da aproximação dos "grandes" eventos de 2014 e 2016. Exemplo contundente foi a demolição sumária pela prefeitura de centenas de casas a toque de caixa na Ladeira dos Tabajaras, ação posteriormente impedida por liminar que corretamente interpretou os preceitos constitucionais do direito à moradia digna. No episódio, a prefeitura deixou como legado um verdadeiro cenário de desolação, onde os "sobreviventes" e as crianças miseráveis compartilham espaço com entulho, cacos, ratos e outras pestes, criando uma situação de calamidade pública que o Globo não se dignou a denunciar.

A cobiça da especulação imobiliária se sobrepõe à própria história do Rio de Janeiro, da qual é peça integrante a comunidade do Horto Florestal. O poder do capital, no entanto, tem pouca afeição à preservação. Mais lucrativa é a proliferação de shoppings e prédios que se assemelham a banheiros públicos, revestidos de pastilhas e com arquitetura de gosto duvidoso e muito, muito blindex. Talvez seja esta a imagem que Marcos Sá vislumbre ser desejada por turistas que se multiplicarão nos próximos anos - uma cidade "limpa" de seus pobres com espaços artificiais e uma história enterrada bem no fundo do preconceito latente e agora externo do "feliz e cordial" povo carioca, para não se dizer o contrário. Esta é a verdadeira cidade partida onde diálogo, paz e a resolução democrática de conflitos são subjugados pela arbitrariedade, preconceito e pelo ódio como o proferido por Marcos Sá.

Retornando à sua diatribe, o autor pretende associar a vitória de Edson Santos no pleito para a Câmara ao apoio das "invasões". "Elege-se em parte com o apoio delas", afirma, ignorando o fato de que mais de cinquenta mil cidadãos votaram no deputado. A este ponto, o leitor, fatigado com malabarismos, rende-se à verdade: trata-se de um texto panfletário, mais adequado a uma conversa de botequim do que impresso em papel. Não é de se surpreender que o Globo vai muito "aquém" do papel de um jornal, não cobrindo sequer o custo de sua reciclagem.

Mas a coroação do texto vem em seu último parágrafo onde o autor veste o manto de "especialista" em botânica, misturando as funções e destinações do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico e do arboreto, equivocadamente classificado como "laboratório a céu aberto". Sua confusão pode ser perdoada como a ignorância de um leigo sobre o rigor exigido da pesquisa científica, onde não se pode misturar um ambiente de visitação destinado ao mostruário de respeitável acervo botânico com pesquisa botânica de base. O laboratório a que se refere, na verdade, é o conjunto de biomas que se estendem pelo território nacional em diversidade cujo instituto, isto sim, se propõe a estudar e catalogar.

Quanto ao arboreto, aos poucos transfigurado em um parque temático, já tendo há muito ultrapassado sua capacidade de suporte a visitantes, perde progressivamente a sua fauna e flora pelo descaso de uma administração mais propensa a derrubar árvores do que encontrar soluções "botânicas" para salvaguardar suas estruturas. Um passeio dentro do arboreto ao largo do Rio dos Macacos revela um cenário assustador onde dezenas de árvores foram derrubadas, muitas das quais recentemente. Mais a diante, próximo à Escola Julia Kubitschek, cuja história a administração do parque tenta aniquilar, encontra-se agora um canteiro de obras com montes de cimento e areia, usados para nivelar as vias do parque numa potente e perigosa mistura, assentada através de máquinas ruidosas que expelem densa fumaça tóxica. Isto sem falar no total desrespeito e no risco à saúde das crianças que estudam ao lado deste canteiro perverso. Já próximo ao SERPRO, o Jardim Botânico ergue uma enorme construção que devastou mais de dois mil metros quadrados de mata secundária. Estes são apenas alguns exemplos do espírito preservacionista e botânico da administração do parque. Por sua vez, a comunidade do Horto sempre serviu como zona de amortecimento entre a floresta e o asfalto, e agora, entre a floresta e o parque expansionista e invasor.

O real perigo que enfrentamos com a aproximação dos eventos é a desvirtuação por ditos especialistas instantâneos dos reais problemas da cidade quanto a questões como moradia, respeito aos cidadãos e preservação ambiental. Resta ao leitor constatar o verdadeiro oximoro, ao que Marcos Sá Corrêa subscreve-se "jornalista".

Julio Feferman
Biólogo

26 junho 2009

LEI, ESTADO E DESEJO


Quando se trata de aplicar a Lei a psicanálise não pode se excluir do cenário político. Por isso trago um pouco do seria essa questão no ponto de vista de Miriam Chnaiderman num texto de mesmo nome. “A herança teórica e política deixada por Lacan vem se prestando a usos que questionam a idéia, levantada por ele, de que a psicanálise é fundamentalmente ética.”

“Num encontro da Causa Freudiana, em Buenos Aires, Jacques Alain Miller, genro de Lacan, pede que a polícia invada uma livraria onde eram vendidas edições "piratas" dos seminários de Lacan. Segundo sua própria justificativa, quer ser fiel a um desejo de Lacan que lhe encarregou de cuidar da edição de todos seus textos. Na França, vários processos estão correndo devido à utilização de textos de Lacan ainda não publicados oficialmente.”

“Qual esperança faz com que Eduardo Mascarenhas e o saudoso Helio Pellegrino, após terem sido expulsos da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro devido às denúncias que fizeram no caso Amílcar Lobo (analista que colaborou na tortura nos anos da repressão), lutassem – até conseguirem – pela sua reintegração na instituição que denunciavam? “ Continue lendo no link acima.

Estes aspectos levantados têm por finalidade demonstrar o quanto uma denúncia tem importância dentro da psicanálise enquanto instituição. E como é necessária uma ação em conjunto para o estabelecimento da Lei, do Estado e do desejo. O cidadão carioca também pertence a uma instituição que é a cidade onde ele é um munícipe e elege pelo voto o seu dirigente.

A denúncia que se faz necessária refere-se ao Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) que esta sendo usado como um cruel e desumano instrumento do efeito confisco do patrimônio dos contribuintes, violando dispositivo expresso em nossa Constituição. O livro "IPTU Imposto para trambiques urbanos?" é de autoria do Professor Jorge Brenand que se diz um “jovem” com mais de oitenta anos de idade, nordestino de nascimento e carioca por adoção do modo de vida.

Repasso o texto “Os trambiques do IPTU na cidade maravilhosa” de João S. Magalhães, publicado no seu blog e que é aqui replicado, atendendo a sua própria solicitação.

Os trambiques do IPTU na Cidade Maravilhosa

Posted by João S. Magalhães

23 de junho de 2009

No Brasil, o dinheiro público já vem com o toque de Midas. Quem o manipula, geralmente vira milionário em pouco tempo.

Nesse sentido, os escândalos se sucedem. Abrem-se CPIs suspeitas, a imprensa (quando lhe interessa) divulga, mas, como já está comprovado, tudo termina em pizza.

Agora, vem à tona mais uma denúncia de peso: no Rio de Janeiro, o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) é usado como cruel instrumento do efeito-confisco do patrimônio dos contribuintes, violando dispositivo expresso em nossa Carta Magna.

Afirmação leviana? Acredito que não. Acabei de ler o livreto IPTU – Imposto Para Trambiques Urbanos? assinado pelo renomado jornalista e professor de Economia Jorge Brennand, sob a coordenação do Movimento Rio Cidade Legal (MRCL) e patrocinado pela nossa dinâmica Maçonaria.

Por meio de simples relações aritméticas, que qualquer mortal pode efetuar, Brennand demonstra que há mais de 1 milhão de ações executivas fiscais indevidas contra cidadãos comuns, o que gera um problema social assustador.

Brennand aponta ainda a existência de uma suposta classe de privilegiados que pouco ou nada pagavam do tributo, a exemplo de funcionários públicos e políticos locais.

“O IPTU no Rio corrói a sociedade e aniquila a cidadania”, dizem os coordenadores do Movimento Rio Cidade Legal, na apresentação do trabalho de Brennand.

Está marcada para a próxima terça-feira (30/06/2009) – o horário não foi confirmado ainda – o lançamento oficial do livro de Brennand.

O local não poderia ser mais apropriado: na Avenida Rio Branco, em frente à Câmara Municipal. A propósito, cada um dos vereadores receberá um exemplar para – talvez, contudo, todavia ou jamais – tomar providências sobre a matéria em questão.

Por enquanto, a publicação não tem preço de capa. Qem estiver interessado em adquiri-la, pode enviar uma mensagem para o e-mail do professor Brennand.

Em tempo: peço aos amigos da blogosfera que repiquem esse post em seus blogs. Será mais uma forma de pressão contra os desmandos das administrações públicas tupiniquins.

10 novembro 2008

MEDICINA OU PSICANÁLISE? UMA SUTIL DIFERENÇA


Quando eu recebi, por e-mail, esse texto percebi, na hora, que tratava-se de um texto que eu deveria dividir com os leitores do blog. Lembrei-me de Pierre Fédida, quando fala que o analista deve escutar com a angústia. Quer dizer, o analista contratransferencialmente escutará as questões colocadas pelo paciente ouvindo também a sua própria angústia.

Miguel Srougi, faz isso com segurança e leveza de dar muita inveja em muitos psicanalistas. Em momento algum ele abandona os conhecimentos teóricos e práticos da medicina. Contudo cria para cada paciente uma técnica para escutar e tratar o sofrimento psíquico além do sofrimento do corpo.

O texto é muito extenso e por isso deixarei que o leitor se delicie e se encante como eu.

Rogério Silva

Miguel Srougi: Sutil diferença

O urologista, que cuida da saúde do “PIB” brasileiro, fala sobre os principais temores masculinos, como problemas na próstata, disfunções sexuais e decadência física

Não tem nem o que questionar: quando se fala em urologia, e principalmente em saúde masculina, o primeiro nome da agenda e da confiança dos principais políticos, empresários e brasileiros em geral é o do médico Miguel Srougi. Considerado o número 1 do Brasil em cirurgias de câncer de próstata ( já realizou 2.900), atende em seu consultório gente como o presidente Lula, José Alencar, José Serra, Geraldo Alckmin, Joseph Safra, Lázaro Brandão, Abílio Diniz e Antônio Ermírio de Moraes, entre outros pesos pesados.

Professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP, pós-graduado pela Harvard Medical School, em Boston, nos Estados Unidos, 35 anos de carreira, uma dezena de livros publicados e outra centena de artigos espalhados mundo afora, Srougi tem a simplicidade daqueles que muito sabem, pouco ostentam e continuam lutando. Ele se dedica integralmente ao que faz – trabalha todos os dias, das 7 da manhã às 10 da noite –, abriu mão da vida pessoal – é casado, pai de dois filhos – e não tem receio de dizer que se envolve demais com seus pacientes. “Sofro muito e esse sofrimento é um dos fatores de sucesso da minha carreira, porque acabo me entregando mais aos doentes.” Embora viva intensamente entre os limites das dores da perda e alegrias dos resgates da vida, Srougi, aos 60 anos, se abastece lecionando na Faculdade de Medicina, “uma de minhas razões existenciais”.

No ano passado inaugurou um moderno centro de ensino e pesquisa para seus alunos, garimpando verbas junto aos seus pacientes poderosos. A sala ganhou o nome de Vicky Safra, mulher de Joseph Safra – em homenagem ao banqueiro que doou a maior parte dos recursos. Nesta entrevista, o maior especialista em câncer de próstata do país afirma que “todo homem nasce programado para ter a doença” e que, se viver até os 100 anos, inevitavelmente vai contraí-la. Fala ainda sobre medos, fantasmas masculinos, impotência, novos tratamentos e seus sonhos pessoais. E conta por que trocou o Hospital Sírio-Libanês pelo Oswaldo Cruz depois de 30 anos. A seguir, os principais trechos.

ASSOMBROS MASCULINOS

Os homens têm uma certa sensação de invulnerabilidade – isso faz parte da cabeça deles. Passam boa parte da sua vida livre de todos os incômodos que a mulher tem, fazendo com que relaxem mais com a sua saúde. Com o passar dos anos, começam a perceber a sua vulnerabilidade e passam a dar um pouco mais de valor aos cuidados médicos. O que mais os atemoriza hoje? Problemas com a próstrata, disfunções sexuais e a decadência física, que mexe muito com a cabeça das mulheres, mas também com a deles. As mulheres pautam muito a vida em função da beleza e os homens, da força, da virilidade, da capacidade de agir, raciocinar. E na hora em que surgem falhas nessas áreas, ele percebe que, talvez, não seja aquele ser imortal que achava que fosse.

ENVELHECIMENTO

Há dois profundos temores hoje nos homens: o primeiro é o crescimento benigno da próstata, um fenômeno que ocorre em praticamente todos; ela aumenta de tamanho depois dos 40 anos e, dessa forma, o canal da uretra fica ocluído. Isso faz com que o homem comece a urinar sucessivas vezes, a não ficar em uma reunião prolongada, tem de levantar à noite, prejudica o sono, acorda mal, pode ter descontroles de urina. O crescimento benigno é quase inexorável: todos os homens vão ter em maior ou menor grau – felizmente, apenas um terço, 30%, tem sintomas mais significativos que exigem apoio médico. Nesses casos, há medicações que desobstruem parcialmente a uretra e fazem o indivíduo urinar e viver melhor; apenas de 4% a 5% dos homens têm de fazer uma cirurgia para desobstruir a uretra por causa desse crescimento benigno. Essa é uma cirurgia que se faz com segurança e sem os inconvenientes de uma cirurgia maior nos casos de câncer. Ela remove apenas o fator obstrutivo, o homem passa a viver melhor e sem nenhuma seqüela. Esse crescimento não tem causa conhecida, surge por um desequilíbrio hormonal no homem maduro, ou seja, as células da próstata passam a se proliferar em decorrência dos hormônios. Não tem como prevenir. Existem algumas medidas, mas nenhuma consistente.

OBESOS E FUMANTES

Existe a idéia de que o obeso e os fumantes teriam menos crescimento benigno da próstata. O que é interessante é que a próstata seria o único lugar no organismo que eles deixam de ter todas as desvantagens, mas a realidade é meio dura: recentemente se apurou que eles são menos operados da próstata, mas não porque ela não cresce, mas pelo receio dos médicos de operá-los porque complicam mais e também porque muitas vezes não vivem o suficiente para ser operados – morrem antes. É uma realidade perversa.

REALIDADE NUA E CRUA

O câncer na próstata adquire maior relevância porque tem uma grande prevalência: 18% dos homens – um em cada seis – manifestarão a doença. E também porque o tumor, que ocorre com muita freqüência dentro da próstata, eliminado com sucesso em 80%, 90% dos homens. Se esse tumor não é identificado no momento certo e se expande, saindo para fora da próstata, as chances de cura caem para 30%. É um tumor muito comum e se for detectado a tempo, tem como resgatar esse paciente. Dos 18%, somente 3% morrem – a medicina consegue curar 15% dos homens, ou seja, a maioria.

Mas vale dizer que todo homem nasce programado para ter câncer de próstata. Ou seja, nós temos, nas nossas células, genes que as estimulam a virar cancerosas e eles ficam bloqueados durante a nossa existência. Quando o indivíduo envelhece, esses mecanismos de bloqueio deixam de exercer o seu papel e o câncer começa a se manifestar. Com isso vai aumentando a freqüência da doença e todo homem que chegar aos 100 anos vai ter câncer de próstata.

SEM FANTASIA

O exame de toque – um dos meios de se detectar a doença – gera na cabeça dos homens fantasias negativas e receios, mas, na verdade, ele tem muito medo da dor. Tanto é que os que fazem pela primeira vez, no ano seguinte perdem o medo. Leva três ou quatro segundos e não dói. Então, um dos fatores de resistência é eliminado. Existe um segundo sentimento, que é muito forte: expressar, exteriorizar uma fraqueza se a doença for descoberta. O homem tem pavor disso porque, de acordo com todas as idéias evolucionistas, só vão sobreviver aqueles que forem fortes. É comum você descobrir um câncer no indivíduo, e ele entrar em pânico, não pela doença, mas porque as pessoas vão descobri-la. Porque o câncer é muito relacionado com morte, decadência física, perda da independência, dependência dos outros. O homem não aceita essa idéia. Ele prefere fechar os olhos e enfiar a cabeça debaixo da terra a enfrentar, mostrando para o mundo e às pessoas que ele é um ser mais fraco. Isso vai afetar a imagem dele, acha que vai perder poder sobre outras pessoas, porque ninguém obedece a um fraco, alguém que vai morrer. Isso vai contra a idéia que temos de ser mais fortes para sobreviver.

A PERFORMANCE DO ROBÔ

Estamos fazendo cirurgias com robô, que permite uma visão muito mais precisa do campo cirúrgico, elimina os tremores da mão do cirurgião, permite incisões pequenas, uma operação muito mais perfeita porque os movimentos dele são muito suaves.

Isso é muito novo no Brasil. Fiz o primeiro caso há dois meses, no Sírio-Libanês. E agora, o Albert Einstein tem e o Oswaldo Cruz está adquirindo.

Nos Estados Unidos se faz cirurgia robótica em larga escala. Lá, o robô ganha em performance do cirurgião médio, mas ele ainda perde do habilitado. Tenho mais de 2.900 pacientes operados de câncer de próstata pessoalmente. Eu sou o terceiro cirurgião do mundo nesse quesito – só perco para dois americanos e eles estão parando de trabalhar. Apesar de ter essa grande experiência, quando comecei a operar, 35% ficavam com incontinência urinária grave. Agora são só 3%. Impotentes, todos também ficavam. Hoje, se o homem tem menos de 55 anos, a incidência é de 20% – antes era 100%. Há também enxertos de nervos, porque a impotência se deve à remoção de dois nervos que passam perto da próstata. E nós estamos fazendo esse enxerto quando somos obrigados a retirá-los nos casos em que o tumor fica grudado. Entre os pacientes que fizeram os enxertos, metade voltou a ter ereções com o tempo.

IMPOTÊNCIA, O QUE FAZER?

Esses novos remédios para tratar a disfunção sexual contornam 1/3 da impotência, tanto após a cirurgia quanto depois da radioterapia. Se os comprimidos não atuarem, existem injeções. Há ainda próteses penianas que são muito desenvolvidas e produzem uma ereção que quase não tem nenhuma diferença em relação à normal. Isso permite que o homem reassuma a vida sexual plenamente e que as mulheres tenham muita satisfação. Os homens ficam extremamente felizes – são hastes colocadas dentro do pênis. Não fica marca, nem cicatriz. Nos Estados Unidos, entrevistaram as mulheres sobre os homens que tinham prótese e as respostas foram positivas. Ela funciona muito bem.

ENTRE A VIDA E A MORTE

Minha vida é complexa porque eu ando um caminho muito estreito que, de um lado tem a morte e, de outro, a vida. E as minhas ações podem, com uma certa freqüência, resgatar alguém para a vida. Trilhar esse caminho é muito difícil porque, quando você se identifica com o paciente, compreende o sofrimento humano, isso cria um estado de impotência que lhe faz sofrer. Mas, por outro lado, traz momentos de alegria incontida, principalmente quando você resgata um ser para a vida, que não tem nada parecido.

ESCUTANDO MAIS, OUVINDO MENOS

Se eu listar uma série de qualidades, como, por exemplo, humildade, conhecimento técnico, dedicação ao doente, presença, coerência, sentido humanístico, desprendimento material e comunicação e perguntar qual é melhor, só tem uma resposta: comunicação. Todas as outras são importantes. O médico precisa ser humano, ter desprendimento material. A relação médico-doente não é tipo supermercado, que você dá e recebe, é algo muito superior. Ele precisa ter conhecimento técnico, precisa estar presente, gerar esperança, mas ele tem de se comunicar. É comunicação superior, não apenas saber falar. É tão significativo que explica por que há médicos brilhantes aqui no Hospital das Clínicas que conhecem tudo, e não conseguem atender a um doente porque falam bobagem na hora de se expressar. São inibidos, tímidos, não sabem dar para o doente o substrato humanístico. Ele lista 450 tabelas de números e cálculos e não sabe o que se passa pelo seu coração. Isso explica também porque tem tanto charlatão por aí – médicos mal-intencionados e não-médicos – que consegue atender a muitos pacientes. Eles têm a comunicação.

Comunicação envolve inicialmente gerar empatia no doente. É errado cumprimentar um doente e falar “como vai?”. Você deve cumprimentar alguém que está com uma doença grave e falar “eu lamento que você esteja nessa situação, imagino o que está sentindo”.

Saber escutar, que é diferente de ouvir. A hora que você passa a escutar, entende quais as apreensões que ele tem, elimina um pouco do sentimento de culpa, entende por que está lhe procurando e conquista a confiança.

É preciso ser coerente e falar com realismo. É ilusão achar que se engana as pessoas. Falar numa dimensão maior significa gerar esperança, estimular a espiritualidade, porque um dos maiores medos é morrer e não saber o que vai acontecer depois; explicar o que vai ser a evolução dele. Também assegurar presença – ele não será abandonado.

O PAPEL DAS MULHERES

Os homens são resistentes: eles relutam muito em ir ao médico fazer um exame de próstata e só vão quando a mulher os empurra: dois terços dos pacientes no consultório de Miguel Srougi são trazidos por elas. “Ligam para marcar a consulta, os acompanham. A gente não vê mulheres jovens trazendo homens jovens para fazer exames. A gente vê mulheres maduras. Claro que o jovem não está na faixa de risco. Mas existe um outro significado da importância da mulher. Primeiro, que ela é pragmática e incentiva o marido.”

Mas, por que ela quer isso?

“Porque quem ficou vivendo bem 30 anos e conseguiu superar todos os embates da vida conjugal é um casal que o tempo consolidou. E aí a mulher tem um sentido de preservação da família muito mais forte que o do homem. Passadas as tempestades e oscilações do relacionamento, ela não quer que o marido morra. É real. Toda vez que tenho um paciente e ofereço dois tratamentos: um que aumente a existência dele, mas vai, por exemplo, causar alguma deficiência na área sexual. E ofereço um outro tratamento, que cura menos, mas preserva melhor a parte sexual, o homem balança na decisão. A mulher nunca hesita. Ela prefere aquele que aumenta a existência, mesmo correndo o risco de comprometer a vida sexual dele e do casal. Poucas vezes vi uma mulher aconselhar um tratamento que dê menos chance de vida e aumente a possibilidade de ele ficar potente. Dá para contar nos dedos. Ela quer o companheiro, quer preservar aquela pirâmide que foi construída, que é rica.”

GERANDO ESPERANÇAS

O ser humano precisa ter alguma esperança, nem que sejam vislumbres. Os médicos americanos acham que são fantásticos e verdadeiros quando dizem que não tem jeito o seu caso, mas isso é não conhecer a natureza humana. É preciso mostrar que ele tem alguma chance, sim.

SOFRIMENTOS E PRIVILÉGIOS

Eu me envolvo muito com meus pacientes. Sofro muito. E esse sofrimento é um dos fatores do sucesso da minha carreira, de 35 anos. Nesse sofrimento eu acabo me entregando mais aos doentes. Isso é ruim, porque não tenho vida pessoal, minha vida familiar é feita nos intervalos.

Felizmente, os momentos bons prevalecem sobre os ruins. É por isso que eu sobrevivo. Um doente que coloca a cabeça no meu ombro e agradece por ter feito algo por ele, ou deixa correr uma lágrima na minha frente, me faz deletar, superar aqueles momentos em que me senti totalmente impotente. Uma das coisas importantes é o médico saber e demonstrar que a medicina não é infalível e ele não se sentir onipotente.

O urologista tem um privilégio. O oncologista mexe com câncer avançado, já no fim do caminho – eu lido com o inicial. Eu consigo salvar muita gente. É um privilégio para mim.

MEDO DA SEPARAÇÃO

Nós não queremos morrer. Primeiro, pela incerteza do porvir. Segundo, porque a morte implica extinção e o ser humano não aceita a aniquilação. A nossa cabeça nasceu para ser imortal. A morte está relacionada com dor, sofrimento, à decadência física, à desfiguração, à perda do papel social, desamparo da família, perdas dos prazeres materiais, da independência. Mas a causa verdadeira é o nosso horror de nos separar das pessoas que amamos. Bem material não deixa ninguém feliz. Há tanta gente rica se suicidando, tomando droga para sair da realidade. Os médicos não compreendem isso. Se as pessoas têm medo de se afastar das pessoas do seu entorno, você precisa tratar o entorno também. Não é o médico que apóia o doente nas fases difíceis – é a família. Eles reagem raivosamente contra a família, querem afastá-la do processo, sem perceber que um doente só vai ter paz, tendo a morte pela frente ou não, se a família estiver ao lado.

VIVENDO NOS LIMITES

Eu sou católico, não praticante, acredito em alguma coisa depois da vida e isso me dá muita paz. Eu continuo numa luta incessante. Vivo nos limites. Nos limites do sofrimento, porque estou do lado das pessoas que sofrem. Nos limites das minhas energias, porque começo a trabalhar às 7 da manhã e vou até as 10 da noite. Trabalho na Faculdade de Medicina. Tenho várias razões existenciais, uma delas é a faculdade. Aqui é a única forma de deixar marcas e mostrar que a minha passagem pela Terra não foi em vão. Aqui você planta as coisas. Cada aluno que receber esses conhecimentos, vai multiplicar o feito. Em vez de ajudar 20 pessoas que ajudo num mês, para cada aluno que eu fizer isso, serão 40, 60, 80, 320... Se eu saísse da faculdade, não iria agüentar essa carga toda de emoções, sentimentos, morte e vida. Aqui a gente conhece o que é o ser humano. Lá fora as pessoas estão todas maquiadas.

REABASTECENDO ENERGIAS

Eu simplesmente acabei com a minha vida pessoal, os meus grandes amigos mal vejo. O meu melhor amigo médico, o oncologista Sergio Simon, não encontro há quase três anos. Sábado à noite vou para uma casa de campo que tenho e fico 24 horas ouvindo música, fazendo minhas leituras, pesquisas, um pouco no computador. E controlo muito bem a alimentação, o sono e a atividade física para poder agüentar. Faço ginástica de quatro a cinco vezes por semana, tenho uma alimentação equilibrada e durmo bem. Deixo de sair com os amigos para dormir. Não gosto de dormir, mas preciso me recompor.

A SAÍDA DO SÍRIO-LIBANÊS

Os verdadeiros templos na Terra são os hospitais – não as igrejas. Nas igrejas tem muito ouro, riqueza. Aqui não, você conhece o sofrimento, o valor da existência humana. Os orgulhosos e os soberbos ficam humildes, ricos e pobres são iguais; os ruins, os autoritários e os maldosos se tornam condescendentes: eles ficam despidos, tiram a máscara; é aqui que você conhece o que é viver, que resgata para a vida, não em uma igreja qualquer que o sujeito entra lá, reza dez minutos e sai. Ele pode até sarar, cicatrizar a sua alma. Mas aqui nós curamos a alma e o corpo. Esse é o verdadeiro templo, onde o ouro é a vida. Você entende o impacto que a desigualdade social tem sobre o ser humano, a pobreza, a falta de instrução causa doenças. Depois de 30 anos no Sírio-Libanês eu mudei para o Oswaldo Cruz. Achar que eu vou ter novas salas, três enfermeiras a mais, é brutalizar o que passou pela minha cabeça. Mudei porque não estava vendo esse lugar como um templo. Eu vivo intensamente, por isso tenho esses sentimentos.

NAS ASAS DA LIBERDADE

Você só é livre quando tem boa saúde. Ninguém fala isso.

Dar saúde para uma pessoa é um pré-requisito para ela ser livre. Nesse templo, que é o hospital, nós tornamos as pessoas livres.

UM POUCO DE FILOSOFIA

A melhor forma de se transmitir as virtudes é pelo exemplo, pela coerência. Certa vez perguntaram para Sócrates como a virtude poderia ser transmitida – se pelas palavras ou conquistada pela prática. Ele não soube responder. Então, Aristóteles, depois de uns anos, respondeu: “A virtude só pode ser transmitida pela prática e por meio do exemplo”. Aqui, eu posso tentar ser o exemplo. Mudando o cotidiano das pessoas, transformando a sociedade e construindo um novo mundo.

CINCO MEDIDAS PREVENTIVAS

Segundo Miguel Srougi, a prevenção ao câncer de próstata é feita de forma um pouco precária, porque não existem soluções para impedi-lo. Na prática, há o licopeno, que é o pigmento que dá cor ao tomate, à melancia e à goiaba vermelha. “Talvez diminua em 30% a chance, mas esse dado é controvertido, por causa disso a gente incentiva os homens a comerem muito tomate, só que deve ser ingerido pós-fervura, ou seja, precisa ser molho de tomate. Não pode ser seco ou cru.”

A vitamina E também reduz teoricamente os riscos em 30%, 40%. Mas, se for ingerida em grandes quantidades, produz problemas cardiovasculares. Na verdade, se o homem quiser se proteger, deve tomar uma cápsula de vitamina E por dia. Acima disso, não é recomendável.

O terceiro elemento é o celenium, um mineral que existe na natureza e é importante para manter a estabilidade das células, impedindo que elas se degenerem, que é encontrado em grande quantidade na castanha-do-Pará. “Qualquer homem pode ingerir em cápsulas, mas se ele comer duas castanhas por dia, recebe uma certa proteção”, diz o especialista.

Uma quarta medida é comer peixe, três porções por semana – rico em ômega 3 e tem uma ação anticancerígena provável. E, uma quinta, tomar sol. “O homem que toma muito sol sintetiza na pele vitamina D, que tem forte ação anticancerígena. É por isso que os homens da Califórnia desenvolvem muito menos a doença do que os de Boston”, afirma Srougi.

PACIENTES ILUSTRES

Trato todos os meus pacientes de forma igual. Se começo a tratar os mais importantes de um jeito diferente, eles dão mais trabalho. Se tratar igual, não. Até se sentem melhor com isso.

PODER vs TRANSFORMAÇÃO

O poder é a única forma de passar pela existência deixando marcas. Só com ele você consegue fazer isso. E nenhum de nós terá vivido de forma digna se não deixá-las. A minha definição de felicidade é estarmos alegres com o que somos, o que representa um continuum de bem-estar físico, mental e afetivo. É fantástica essa definição. E a gente só é feliz se estivermos circundados por pessoas felizes. E o poder nos dá um pouco dessa felicidade. Mas o grande problema é você dá-lo ao ser humano, que é altamente imperfeito – ele tem defeitos incompreensíveis para qualquer espécie – aí vira uma arma de destruição. Mas, quando se dá poder às pessoas de bem, ele se torna algo transformador.

30 outubro 2008

CRIANDO MONSTROS


Eu não costumo publicar aqui qualquer coisa que recebo por e-mail, principalmente quando não tem um autor declarado.
No presente caso, não ter um autor é adequado. Cada um de nós pode se apropriar e ser o autor. Não digo autor do texto, mas autor do que ele apresenta. Fica, portanto, aqui um convite para que cada leitor possa tornar-se autor de um NÃO.
Por Rogério Silva


O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por… NADA?

Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental?

Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?

O rapaz deu a resposta: 'ela não quis falar comigo'. A garota disse Não, não quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um não.

Seu desejo era mais importante.

Não quero ser comparado como um desses psicólogos que infestam os programas vespertinos de TV, que explicam tudo de maneira simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros. Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o não da menina Eloá foi o único.


Em tempo:

Quando editei esse post não conhecia o autor, pois me foi enviado como tendo uma autoria anônima. Todos nós sabemos que, mesmo sem assinatura, um texto sempre tem autoria. Contudo a importância e relevância me levaram à publicação com a observação acima.

Agradeço a colaboração de Adriana, indicando que a autora do texto é Karina Cabral.

Para continuar lendo clique no link acima.

26 maio 2008

JACQUES-ALAIN MILLER E O CASO FRITZL


Por e-mail

Num mundo realmente invertido, a verdade é um momento do que é falso.
- Guy Debord

O psicanalista Jacques-Alain Miller examina para Le Point a notícia que abalou a Áustria, onde se descobre como Josef Fritzl, de 73 anos, seqüestrou sua filha por vinte e quatro anos e teve com ela sete filhos. Para Miller, o que sai do comum não é o incesto, é «a regularidade invariável de um ato imundo».

Entrevista.

Le Point: O que pode levar um indivíduo a um tal grau de perversão?

Jacques-Alain Miller: Uma boa educação, à maneira antiga, elevadas virtudes morais... Eu me explico. Por quais traços Das Inzest-Monster, como o chamam os austríacos, permanecerá nos anais clínicos e policiais? Vocês bem vêem que não deverá ser unicamente pelo fato do incesto, prática muito difundida, nem tampouco pelo número de suas vítimas. Se ele é excepcional, o é pela tenacidade, constância, resistência. O que sai do comum é a regularidade invariável de um ato imundo, o método, a minúcia e o espírito de seriedade investidos na realização solitária de um crime abominável único, estendendo-se por um quarto de século. Nenhum erro, nenhum passo em falso, nenhum ato falho. Total quality. Estas são qualidades eminentes, tradicionalmente atribuídas ao caráter germânico. Postas a serviço da ciência e da indústria, elas fizeram a reputação dos países de língua alemã. Aliás, ele era um engenheiro eletricista e dizia à sua mulher que descia ao porão para desenhar planos de máquinas.

Se Gilles de Rais na França, Erzsebeth Bathory na Hungria, grandes feudais dos séculos XV e XVI, permanecem nas memórias é, ao contrário, pela desordem de sua conduta, seus inúmeros estupros e assassinatos. O austríaco, pequeno notável provinciano, também é um tirano, mas puramente doméstico. Ele leva uma existência perfeitamente «caseira», mas desdobrada. É fiel à sua filha Elizabeth, único objeto de seu gozo, da qual faz de algum modo, uma segunda esposa. Dá a ela sete filhos, o mesmo número que tem com sua esposa legítima. Parece que não se pode acusá-lo nem por aborto nem por contracepção: é um bom católico.

Ele opera na maior discrição, sua conduta não ocasiona nenhum escândalo, tanto mais que ele fez essa segunda família viver debaixo da terra, em cubículos cegos nos quais não dá para se ficar de pé, à maneira de Louis XI.

De todo modo, não é sua educação que pode explicar sua conduta!

Fomos informados de que ele foi criado sem pai, por uma mãe que o surrava todos os dias. O fato não deve ter ficado sem conseqüências. Pode-se sempre dizer que ele queria se vingar do objeto feminino e se precaver contra seus caprichos... Mas teríamos muita dificuldade em deduzir daí o seu vício: outras saídas eram possíveis. Em 1967, quando nasceu Elizabeth, seu quarto filho, ele foi detido por causa de um estupro; teria cometido outros. Tudo se passa como se ele tivesse decidido se emendar e limitar-se a uma bigamia incestuosa. Só se conhece dele algumas escapadas sexuais na Tailândia, com colegas, gente importante da cidade. Ele voltava bronzeado, em plena forma, para junto de sua pequena família, que nunca via o sol.

Ele era uma espécie de Dr Jekyll-Mr Hyde ?

Ele era a um só tempo um Pai severo, o Pai da lei, cujo rigor implacável surpreendia aqueles que o viam gerir sua família do andar de cima e, com sua família do andar de baixo, era um Pai gozador, fora da lei. Nesses dois papéis, até certo ponto, ele foi irrepreensível: pensem que ele garantiu, sem falhar um só instante, a subsistência de todos os seus. Ao mesmo tempo, era um escroque, sem dúvida: de suas operações imobiliárias restam apenas dívidas consideráveis. É o Estado que deverá pagar os anos de psicoterapia e reeducação que serão necessários à família do andar de baixo. O montante disso já teria sido avaliado em € 1milhão.

A cultura patriarcal, o sinete católico, a religião do «cada um no seu canto», que marcam a Áustria, tiveram algum papel?

Alguns desses traços valem para a Sicília. Ora, tem-se dificuldade de imaginar uma tal história em Siracusa ou Trapani: lá, as pessoas que vivem entre quatro paredes sem sair são mais os mafiosos perseguidos pelos carabineiros.

Mas será um acaso o fato de, depois do «caso Kampusch», essa notícia irromper na Áustria?

Ocaso Fritzl depois do caso Kampusch, isso faz sentido, necessariamente. Enquanto os Estados Unidos são a terra abençoada dos serial killers, a Áustria se alinha com a Bélgica quanto aos perversos caseiros de subsolo, se assim posso dizer. O presente caso se distingue por sua atmosfera de obediência cega. Não apenas a de sua mulher: Fritzl alugava quartos em sua casa, uma centena de locatários ali desfilou ao longo do tempo, ele lhes dizia para não descerem em seu bunker e nenhum deles cogitou infringir essa proibição. Deploram-se de bom grado as infrações cometidas, nos dias de hoje, a respeito da vida privada: é uma repreensão que não se fará aos austríacos. Na Ybb strasse, tudo estava em ordem, a fachada nos trinques, a geladeira subterrânea bem abastecida, as roupas bem lavadas e passadas. Via-se televisão em família. O bunker? Era um abrigo anti-atômico familiar, construído com a ajuda de subvenções oficiais. Um grande crime popular é sempre um fato social total, para retomar a expressão de Marcel Mauss: é um microcosmo da sociedade, nele, ela se reflete por inteiro. Fritzl: criminoso, talvez, mas, antes de tudo, Korrekt. Sistemático. Nenhum escorregão. Nada de inconsciente. Nenhum sentimento de culpa.

Do ponto de vista da história passada, será que se pode falar de um povo que «recalca» incessantemente, recusando olhar a realidade de frente?

É o que dizem os ingleses. Eles vêem em Fritzl um símbolo da Áustria. Essa é também a idéia do romancista Josef Haslinger. A casa natal de Hitler fica à uma hora e meia de Amstetten pela auto-estrada, Mauthausen mais perto ainda. O chanceler anuncia uma grande campanha internacional de relações públicas para melhorar a imagem da Áustria. Espíritos práticos lhe pedem principalmente verba para os serviços sociais.

Um desenho do Times de Londres mostra a Áustria deitada no divã: atrás dele, Sigmund Freud. Podemos lembrar que o país cuidou para erradicar a psicanálise, ou pouco faltou. O advogado pleiteará alienação mental.Tendo em vista o extremo domínio de si no crime e a duração do delito, a irresponsabilidade não é evidente.

15 fevereiro 2008

ESCUCHA

Escucha, poeta de la permanencia, del cambio y del conflicto,

¿no es acaso la lengua como el río

y según el autor del Fedro y el Cratilo

las letras con sus formas, la arcilla del olvido?

.

Hosti el extranjero, metáfora que nace

y luego el enemigo

metáfora que muere, el léxico nos convence

y la memoria se oscurece

.

¿Qué queda ya de aquella, la metáfora primera?,

sino unas tenues huellas que el tiempo ha diluído

o quizás el tiempo haya hecho nada

y el extranjero haya sido siempre el mismo,

sombra de lo ajeno, sombra del olvido

.

¿Acaso con las letras que el alma nos devela

no lo hemos comprendido?

.

Recebido por e-mail de Pablo Cúneo, psicanalista do Uruguai

30 outubro 2006

O QUE PENSO

O QUE PENSO. (por e-mail)

Sou de um tempo, aonde briguei, literalmente, contra a ditadura militar.

Naquela época parecia que os milicos não iriam sair do poder nunca.

Aprendi a ter paciência e lutar por alguns ideais.

Vou voltar a brigar novamente.

Aturar um chefe de quadrilha, que tem mais de 40 'cumpanheiros' indiciados pelo Procurador Geral da República, não boto no armário.

Foi eleito pelo voto? Ótimo.

Vamos respeitar as regras. Gostaria de ver se fosse o contrário.

Da minha parte fica uma postura de oposição implacável, não admito para o país aonde vivo, um pau d'água que sabe estar cercado por oportunistas, ladrões, malfeitores, concordar em ter ao seu lado, uma corja que bate palmas para Fidel,argh!, Chaves, e Morales que colocou o Brasil numa posição humilhante agora mesmo.

A coisa vai complicar. Vem aí o postulado do Fórum de São Paulo. Procure ver, quem não sabe, o que é isso.

Não tem muito tempo tentaram desarmar o país.

Não deu certo.

Quando faziam o plebiscito do desarmamento,eu colocava graxa e óleo na minha paciência, se é que vocês me entendem.

Não vou deixar barato que façam o que querem.

Igual ao beija-flor que levava água no bico para combater o incêndio na floresta vou fazer a minha parte.

Vou combater o fogo que vem por aí.

Não tem refresco .Tenho uma neta e está para chegar em breve um outro neto.

Não quero que passem pelo que já passei.

Pego as armas que tenho e VOU À LUTA!

JOSÉ CARLOS ROQUE

Resposta a José Carlos Roque

Jurei que não tocaria mais em política neste Blog, mas não há como fugir.

Também briguei, literalmente, contra a ditadura militar, com as armas que possuía e também aprendi a ter paciência e lutar por muitos ideais. Durante oito anos fui refém e fiquei calado de idéias, de dinheiro e de felicidade porque a corja (PSDB) instalada (Geraldo Brindeiro) não permitia, se quer, que fosse apurada qualquer falcatrua, como a da reeleição, do PROER, das privatizações e etc...

Não estou necessariamente contente com a reelição do Lula, porque tudo somado até hoje já perdi saúde, mais doze anos de vida e de oportunidades. O que eu não queria era perder mais oito com um candidato arrogante, prepotente, dono da verdade, intolerante e cruel.

Para quem, como eu, já tem mais de sessenta anos de idade, esse final de vida seria doloroso demais, não só por ter que morrer desgostoso por ter vivido mal, como também por ter deixado para filhos e netos um Brasil pior do que já teve.

Espero que com essa eleição tenhamos aprendido (todos nós) que quem ganha não é um candidato, mas o Brasil e que a nossa responsabilidade aumenta no sentido de nos fazer parceiros e críticos das atividades governamentais.

Temos em nossas mãos esse instrumento, a INTERNET. Que ela nos sirva para fazer valer nossos direitos e não apenas críticos e propagandistas destes ou daqueles candidatos.

Quero conclamar a todos. É hora de nos unir e, guardadas as nossas diferenças, brigar por um Brasil melhor.

Vamos juntos argüir e impor nossa cidadania. Neste sentido eu topo. Também quero ir à luta. Essa é a água no bico que posso carregar.

Por Rogério Silva

10 outubro 2006

CARTA A ALBERT EINSTEIN

Recebi por E-mail esta carta que, face a sua oportunidade e eloqüência, apresento a seguir.

Augusto Boal é um homem de teatro e intelectual que dispensa apresentações, mas pela minha admiração e respeito, o mínimo que posso fazer é homenageá-lo.

Rogério Silva

Rio de Janeiro, 9 de Outubro de 2006

Meu Caro Albert Einstein,

estava eu lendo um dos seus livros - sim, acontece... - quando tropecei nesta bela frase:

"O mundo é um lugar perigoso para se viver; não porque existam pessoas más, mas porque, aquelas que não são más, não fazem nada contra a maldade!"

Acho que você exagerou nessa divisão de bom e mau que, aqui no Brasil, soa um pouco maniqueísta, mas compreendemos que você se expresse melhor quando fala de Ciência do que de temas mais complexos como a política brasileira, por exemplo - ninguém é perfeito. Muitos de nós, bons, fazemos alguma coisa; alguns, até mais do que imaginávamos ser capazes. Isto posto, temos que admitir que este Outubro será longo, intenso, e terá, no seu bojo, 48 meses.

Para evitar 48 meses de tristezas e desastres, temos que trabalhar duro nestas três semanas para dizer, querido Einstein, que você pode entender muito de Física - Quântica ou não - mas, de brasileiros, entendemos nós.

Somos, na maioria, gente boa: nossas vidas, e nossos fichários no Dops e noutras organizações do Terrorismo de Estado, atestam e confirmam. Somos bons, mas o que significa ser bom ou mau nestas eleições?

É sabido que muitos eleitores votam em si mesmos, isto é, votam nos candidatos dos quais algum benefício recebem, seja uma dentadura postiça - como suas consciências, postiças e à venda -, ou um cargo em algum órgão oficial. Nem todos são maus, alguns são desesperados, poucos são recuperáveis.

Muitos há que votam mal porque acreditam que a mídia seja imparcial e justa, não percebem as manipulações feitas pelos entrevistadores nos programas de debates e nas manchetes dos jornais. São bons... e votam mal. Eu sei, tudo é relativo, meu caro, mas pode-se votar mal sendo-se bom?

Ser bom é votar a favor da população como um todo, incluindo carentes: em uma Sociedade, somos todos Sócios! Não devemos buscar apenas o próprio ganho, dentadura ou cargo, mas o bem coletivo.

Ser bom é votar em brasileiros e não nas corporações multinacionais e seus coadjuvantes nativos; votar na Independência e Vida!, e não entregar seu voto aos países hegemônicos que governam o mundo pela violência militar, econômica e mediática!

Ser bom é votar naquele que criou a Bolsa Família que tirou 11 milhões de famílias brasileiras da miséria absoluta e da fome; não se trata de dar esmola, mas de exigir crianças na escola, vacinação e trabalho.

Ser bom é votar naquele que recusou a tutela estrangeira da Alca, e desenvolveu laços comerciais e culturais com os países irmãos do Mercosul, África e Ásia, sem deixar de consolidar os que já existiam com outros países do mundo;

Ser bom é votar naquele que teve altos e baixos nesta primeira Presidência: baixou a inflação de 14 para menos de 3%, alteou o salário mínimo de 50 para o equivalente a 150 dólares;

Ser bom é votar naquele que criou mais de 500 Pontos de Cultura no Brasil inteiro, apoiando democraticamente embriões culturais que já existiam, jamais impondo um modelo único.

Ser bom é votar no governo que, através da Polícia Federal, prendeu, em três anos e meio, mais quadrilhas de colarinho branco do que todos os governantes anteriores, desde Pedro Álvares Cabral, cortando inclusive na própria carne do partido que fundou. Fala-se pouco disso, mas devemos lembrar que os escândalos que estão vindo à tona foram descobertos pela PF, que é parte do Estado administrado por este governo - o governo que revelou o crime não pode ser acusado de criminoso;

Ser mau, muito mau - horrendo! -, é votar em quem aplaudiu a privatização das nossas galinhas dos ovos de ouro, prata e bronze, Usiminas, Vale do Rio Doce, Embratel, Telebrás...

Ser mau é votar em quem ameaça privatizar a Petrobrás, Banco do Brasil, Correios, a terra e o ar, o céu e o mar...

Isto não é "ouvi dizer": é entrevista que o candidato adversário deu ao Globo no dia 15 de Janeiro. Este insalubre, malsão e malvado desígnio foi obliquamente reiterado na pg. 9 do Globo de 8 de Outubro, pela manhã, e negado à noite na TV.Como acreditar que um candidato pretenda fazer algo contrário ao que fizeram seus partidos quando no poder?

Ser mau é votar em quem bloqueou mais de 60 CPIs na Assembléia Estadual, permitiu o florescimento de PCCs, e ameaça uma reforma da Previdência (Globo, idem, ibidem). Alguém que vive usando palavras vazias como “choques de gestão”, como se fosse programa de governo: palavras polissêmicas que permitem qualquer interpretação, a torto e a direito.

Temos três semanas para convencer os bons que votaram mal, a votarem certo e bem - Lula, 13! - e não outro número, como alguns safados andaram espalhando em santinhos pelo Nordeste. Este é o conselho que você nos dá, meu caro Einstein: agir e reagir. Sim, somos capazes! Estamos em campo!

O combate político não se faz apenas mostrando o certo e execrando o torto: faz-se pela pressão na rua e em casa, no trabalho e no lazer, em toda parte, inclusive na Internet que, no seu tempo, caríssimo Albert, não existia. Nem sei como você conseguiu descobrir que a luz faz curvas, sem o auxílio de PC ou MacIntosh.

Temos que pressionar o governo para continuar fazendo o bem que está fazendo, e a Reforma Agrária, ainda esquecida.

Lembrando a História recente: o mal da nossa esquerda sempre foi a sua suicida fragmentação. Claro que temos que nos juntar ou separar segundo nossas opções ideológicas, e defender, sem renúncias, nossas idéias! Nos momentos decisivos, porém, temos que nos unir diante do adversário compacto. Por maiores que sejam as diferenças, temos em comum o mais importante: queremos um país que pense e aja por si mesmo, sem cabresto.

A partir de 64, formaram-se tantas siglas combatentes, tantas divisões e dissidências, dissidências das divisões e divisões das dissidências, tantas estratégias corretas que, por serem tantas, estavam todas erradas. Eu não quero cometer o mesmo erro porque me lembro das suas nefastas conseqüências, físicas e morais.

Votar nulo é votar no pior - isto não é opinião, é matemática! Albert, meu amigo, você tinha razão: sempre haverá gente ruim. Mas ninguém pode dizer que ser “bom” é ficar quieto, calado, enquanto o Brasil decide se continuará soberano ou se vamos ter, outra vez, que pedir a benção ao Enxofre.

Caro Albert, obrigado pela inspiração póstuma que você nos deu - sempre é tempo. Você é um gênio mesmo: eu já sabia disso, mas agora ficou provado!

Bom descanso, enquanto eu acabo de ler o seu livro. Está bastante bom, sabe? Tem uma coisinha aqui, outra ali que talvez não seja bem assim como você pensa, mas, globalmente... Desculpe: a gente conversa depois das eleições. Vamos trabalhar!

Parabéns, sinceros e eloqüentes.

Augusto Boal

Augusto Boal vive no Rio, onde dirige o CTO-Centro do Teatro do Oprimido e dedica-se, entre outras coisas, ao trabalho teatral numa série de presídios em todo o país.

29 agosto 2006

A CLÍNICA DO ANALISTA

Por Sérvulo Augusto Figueira, PhD

Esse trabalho discute uma tendência problemática que se instalou recentemente no campo analítico, e que teve no 38o Congresso da Associação Internacional de Psicanálise, ocorrido em Amsterdã, em 1993, em torno do tema oficial “A mente do psicanalista: da escuta à interpretação”, o seu ponto alto e mais impressionante sintoma. Numa acolhida nunca antes vista, no maior fórum de discussão psicanalítica de que se tem conhecimento, os problemas em torno do lugar e do papel do analista na teoria, na clínica e no funcionamento da técnica, foram debatidos e equacionados, gerando, como não poderia deixar de acontecer com um tema dessa natureza, mais problemas do que soluções.


No Congresso, tornou-se notório, pela polêmica que causou, o trabalho que havia sido encomendado pela organização científica do evento, para ser objeto de discussão pública, a Theodore Jacobs, analista residente em Nova Iorque. Com o título “As experiências internas do analista: sua contribuição ao processo analítico”, Jacobs comunicou aos colegas o material de uma sessão clínica inteiramente articulada por revelações das vivências emocionais e pensamentos que experienciou enquanto estava com seu analisando. Seu artigo tinha um objetivo bastante claro:


“... essa apresentação focalizará as minhas experiências na situação analítica com um único paciente. Minha finalidade é mostrar como um analista utiliza a si próprio no seu trabalho. Mais especificamente, tentarei ilustrar como determinados pensamentos, sentimentos, fantasias e sensações físicas dos quais me tornei consciente durante esta sessão analítica surgiram como resposta a comunicações inconscientes vindas do meu paciente, esclareceram determinadas resistências em mim mesmo, e contribuíram para a forma e a substância das minhas intervenções. O uso das experiências internas do analista, acredito, foi um elemento essencial na minha compreensão das transações que ocorreram nessa hora e no meu ser capaz de ajudar o meu paciente a dar um pequeno passo adiante no seu tratamento. Relatarei tudo o que registrei e posso recordar dos fenômenos que surgiram em minha mente durante essa sessão e como utilizei o que veio à superfície.” (Jacobs, 1993a, p. 7).

Sérvulo Figueira , membro da British Psychoanalytical Society e da SBPSP - Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.E-mail: servulo@unisys.com.br

Texto recebido por E-mail da PsiDivulga