20 maio 2008

HENRY MOORE, FRANCIS BACON E LUCIAN FREUD

O Museu Oscar Niemeyer está apresentando uma seleção de obras gráficas de Henry Moore (1898-1986), Francis Bacon (1909-1992) e Lucian Freud (1922), que vai até agosto deste ano.


A exposição conta com a curadoria do venezuelano Félix Suazo e foi especialmente produzida para o MON. Reúne 47 trabalhos, elaborados entre os anos 70 e 90, que integram a coleção de mais de mil gravuras do Museu de Arte Contemporânea de Caracas.

Os três artistas de fundamental importância no século passado se identificam ao abordar a idéia do corpo e sua representação, abrangendo desde a mais estrita meticulosidade anatômica, no caso de Freud, até a simplificação estrutural de Moore, passando pela distorção expressiva de Bacon.

Quando se trata de corpo, eu sempre sinto a falta de dois outros artistas. Fernando Botero que é um pintor colombiano (1932), cujas obras destacam-se, sobretudo por figuras rotundas, o que pode sugerir a estaticidade da humanidade e Rom Mueck (1958) que é um escultor australiano hiperrealista que trabalha na Grã-Bretanha. Este escultor utiliza efeitos especiais cinematográficos para exemplificar o corpo humano. Esses dois artistas não fazem parte dessa mostra.

O que se pode encontrar em Moore, Bacon e Freud, é o discurso figurativo alimenta-se de temas cotidianos ou íntimos. Nos retratos, nus e estudos a imagem corporal manifesta diversos estados da condição humana, debatendo-se entre a dilaceração, a inapetência e a plenitude carnal... O corpo transfigurado em Bacon, a relação entre psique e gênero em Freud e o vínculo expressivo que se estabelece entre estrutura e sensualidade em Moore.

Na mostra, a cor em Bacon, o traço em Freud, o volume em Moore, denotam o modo como estes artistas manipulam as técnicas gráficas: Por um lado, Bacon e Moore utilizam a litografia de forma específica a cada um, inclinando-se respectivamente ao momento da cor ou linha, enquanto Freud se mostra de maneira muito versátil com a água forte e a ponte seca, aos quais vêm agregadas ocasionalmente as técnicas do pastel e da aquarela. Esta mostra procura registrar os paralelismos e as convergências características destes autores, tanto na técnica como na dimensão plástica, sempre enquadradas em dois eixos matriciais: a figura e a gravura. Bacon, Freud e Moore situam-se em um ponto intermediário entre as correntes realistas e as expressionistas, com algumas alusões ao surrealismo. Compartilham com estas correntes no aspecto figurativo, mas se diferenciam de suas posturas críticas e de seu impulso socializante.

Vale à pena conferir. Quem sabe na volta possamos trocar comentários.

Bacon, Freud, Moore, Figuras e Estampas

Período Exibição Público: 12 de abril até 10 de agosto

Patrocínio: Sanepar

Apoios: Ministério da Cultura, Governo do Paraná, Secretaria de Estado da Cultura, Caixa Econômica Federal, Governo da Venezuela, Ministério da Cultura da Venezuela e Fundação de Museus Nacionais da Venezuela.

Museu Oscar Niemeyer

Rua Marechal Hermes, 999

Centro Cívico – CEP: 80530-230

Telefone: (41) 3350-4400

Horário: de terça a domingo, das 10h às 18h

Preços: R$ 4,00 adultos e R$ 2,00 estudantes

(Não pagam crianças de até 12 anos, maiores de 60 anos e grupos agendados de estudantes de escolas públicas, do ensino médio e fundamental)

Um comentário:

disse...

Muito interessante!