01 julho 2006

DIFERENÇA 2 - A SUBJETIVIDADE E A DIFERENÇA

Por Jurandir Freire Costa

Em minhas pesquisas, tenho trabalhado com a noção psicanalítica de sujeito e a noção de linguagem segundo as teorias pragmáticas ou neopragmáticas, a fim de dispor de um quadro técnico-metodológico que possa apoiar investigações na clínica psicanalítica, na prática institucional, psiquiátrica e na crítica do que chamamos sintoma social, isto é, todos os eventos histórico-culturais passíveis de uma leitura psicanalítica.

Para Freud, sujeito é um termo que se refere a um coletivo e não a uma unidade, ou seja, apesar de haver na língua a idéia de sujeito como sinônimo de indivíduo, Freud afirmou que o sujeito é uma pluralidade de um tipo especial, já que boa parte das organizações subjetivas de que é formado o sujeito psicanalítico não tem as características do sujeito da tradição filosófica clássica, isto é, do sujeito racional, auto-reflexivo, consciente e transcendente em relação aos objetos, ao mundo e aos outros sujeitos. Sempre que imaginamos o sujeito nos ocorre alguma coisa distinta dos atos da fala e dos fenômenos sensoriais. Pensamos que o sujeito é alguém que sente, fala, julga etc. O sujeito é alguma coisa diferente da linguagem e das reações sensoriais. Recebe as sensações que o informam a respeito das coisas, dos estados das coisas e eventos do mundo e emprega a linguagem para traduzir, interpretar e comunicar a outros sujeitos o que sente, o que pensa etc. Tal imagem do sujeito nos permite dizer que ele "representa" o que sente, vê, ouve de tal ou qual maneira. Dito de outra forma, entre o mundo das sensações e o das representações haveria o mundo da linguagem que espelharia, mais ou menos incorretamente, aquilo que é sentido.

Freud, em grande parte de sua obra, aderiu à esta metafísica da sensação e da representação, para empregar os termos da crítica de Richard Rorty, em A filosofia e o espelho da natureza. Em outros momentos, contudo, afirmou que não existe distância entre o que eu sinto e o que eu sou; entre aquilo que eu represento e aquilo que representa. Nesta concepção, o sujeito não é qualquer coisa anterior ao sentido, nem qualquer coisa anterior ao pensar. É uma pluralidade identificatória; é um conjunto de vários sujeitos formados de sensações, percepções, representações, imagens etc. Para Rorty, o sujeito é uma rede de crenças e desejos postulados como causa interior de atos lingüísticos. Na obra de Freud, certos mecanismos psíquicos, como incorporação, introjeção, internalização, identificação ou projeção do sujeito no outro, fazem com que sejamos capazes de ter vários "eus", organizados de diversas maneiras, em função dos sentimentos, das descrições, das sensações, das razões, das causas ou das justificativas que damos para funcionar de tal ou qual maneira. Nenhum desses "eus" é mais verdadeiro do que o outro; nenhum deles detém, é responsável ou porta-voz da verdadeira substância do sujeito.

...leia o texto na íntegra

5 comentários:

dhhdgdfhg disse...

Ola! vocé conhese um blog catolico de Brasil?
Eu estou buscando
Carlos

Sergio disse...

Ola,

Legal seu blog, gostei dos textos, eu tenho um blog onde venho publicando alguns textos meus sobre Freud... se puder de uma passada por la... www.extravagancias.zip.net

Abraco
Sergio

Rogério Silva disse...

Sérgio
Já olhei e o incui no link do meu blog. Acho que a função dos blogs é essa mesma. Você ja imaginou se Freud tivesse esse instrumento naquela época? Eu acho que nossos colegas ainda não se deram conta do poder deste intrumento. Enquanto isso vamos batalhando.
Começo agora, mas lerei seus textos.
abs Rogerio

anita disse...

Eu pensava que era Lacan quem tinha abordado o sujeito sob uma perspectiva lingüística...
e que Freud estava pensando no indivíduo em termos de instintos e "pulsões"... bem, mas sou meio leiga, muito leiga. Também não li o seu texto inteiro para ver as referências bibliográficas. De qq. forma, gostei.

Anônimo disse...

Very best site. Keep working. Will return in the near future.
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