25 julho 2008

OS MALES DA CORRUPÇÃO

Do reinado à república

Por Rogério Silva

A corrupção é um mal que assola esse país desde o império. Consta que, o tesoureiro-mor de D. João VI, Francisco Targini foi um caso exemplar de corrupção e impunidade nas altas esferas da administração pública da época. É isso mesmo. Durante o reinado carioca de D. João VI, tornou-se popular uma quadrinha que dizia:

"Quem furta pouco é ladrão,
quem furta muito é barão,
quem mais furta e mais esconde
passa de barão a visconde".

Seu alvo era o tesoureiro-mor do reino, Francisco Bento Maria Targini, visconde de São Lourenço. Como arrecadador de rendas da Província do Ceará, Targini veio para o Rio de Janeiro, com a corte em 1807, devido às práticas desonestas de malversação dos bens públicos.


Outra quadrinha circulava em muitos pasquins contra Targini:

"Furta Azevedo no Paço
Targini rouba no erário
e o povo aflito carrega
pesada cruz ao calvário".

Era conhecida a história que dizia respeito à compra de mantas para o Exército que Targini fizera a um fornecedor inglês. O hábil homem público teria mandado dividir cada uma das peças ao meio, revendendo-as depois ao governo brasileiro pelo dobro do preço original.

Targini também foi apontado como o homem mais corrupto da corte de D. João. Recomendava-se sua demissão. José da Silva Lisboa, o visconde de Cairu, em sua "História dos Principais Sucessos Políticos do Brasil", disse que Targini "... fazia ostentação de opulência mui superior ao ordenado do seu emprego".

Hipólito da Costa, do "Correio Brasiliense", espantava-se por que Targini, sem outros bens mais que o seu minguado salário, tivesse se tornado um homem riquíssimo, enquanto o erário se achava pobre.

A prática da corrupção foi e é utilizada, até hoje, na administração pública. Isso demonstra o quanto o povo brasileiro ainda se submete a ganância dos administradores em assalto aos bens públicos.

As eleições, como exercício de cidadania de um Estado democrático, deveriam ser o suficiente para acabar com esse processo. No entanto a corrupção avança, como uma erva daninha, contaminando também o processo eleitoral e o cidadão que vende o seu voto.

Todos nós sabemos muito bem que existem políticos corruptos que muitas vezes são pegos com a boca na botija. Mas alguns escapam porque a corrupção também os protege. O que é importante entender é que não existe o corrupto sem a figura do corruptor - aquele que procura o corrupto para propor a barganha, ou aceita deste uma vantagem em dinheiro ou favor.

O que mudou daquele tempo até hoje é que não existem mais barões nem viscondes. Mas se o povo não tomar uma atitude em favor da honestidade, a ele só restará lamentar como no tempo de Targini - enquanto rouba-se o erário, o povo aflito carrega pesada cruz ao calvário.

Publicado no Editorial do Jornal NOVOS RUMOS de Rio Preto, MG

Um comentário:

Sueli - Porto Alegre disse...

Dr. me ajude...já fiz terapia por 6 anos e AINDA TENHO MUITO MEDO DA MORTE !
Penso nisso todo o tempo...
Como negar a morte ,pelo menos de vez em quando??????

Atrapalha toda a minha vida,VIVO ESTRESSADA COM A MORTE.
Penso...penso...sonho...sonho e nada APLACA.

SE PUDER ME RESPONDER ,MEU EMAIL

suhalfen@gmail.com

Obrigada,pelo menos por ler!